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Vulvovaginite na infância - manejo

Considerações iniciais

A abordagem da vulvovaginite na infância difere significativamente da idade adulta, pois a causa mais comum antes da puberdade é a vulvovaginite inespecífica (irritativa ou bacteriana secundária), geralmente ligada a fatores anatômicos (proximidade com o ânus) e hábitos de higiene.

 

Aqui estão as condutas recomendadas para o manejo inicial e diagnóstico:

1. Medidas Gerais e de Higiene (Primeira Linha)

Frequentemente, a correção dos hábitos de higiene é suficiente para a resolução dos sintomas:

Higiene perineal: Orientar a limpeza sempre no sentido anterior-posterior (da frente para trás) após as evacuações.

Vestuário: Utilizar calcinhas de algodão e evitar roupas muito justas ou sintéticas (jeans apertado, lycra), que aumentam a umidade local.

Banhos de assento: Podem ser realizados com água morna pura ou com chá de camomila (pelas propriedades calmantes) por 10 a 15 minutos, 2 vezes ao dia, para aliviar o prurido.

Sabonetes: Evitar sabonetes perfumados, coloridos ou com antissépticos. Priorizar sabonetes de pH neutro ou glicerina.

 

2. Investigação Diagnóstica

1. Avaliação inicial (fundamental)

História:

Higiene (uso de sabonetes, duchas, lenços umedecidos)

Roupas apertadas / tecido sintético

Uso recente de antibióticos

Hábitos (limpeza após evacuação → frente para trás?)

Exame físico:

Inspeção vulvar (evitar exame invasivo)

Avaliar hiperemia, secreção, lesões

 

Sintomas de alerta:

  • Corrimento fétido, sanguinolento ou persistente
  • Dor intensa
  • Febre

 

2. Conduta inicial (maioria dos casos)

👉 Medidas de higiene (principal tratamento):

Lavar apenas com água ou sabonete neutro infantil

Evitar:

Sabonetes perfumados

Banho de espuma

Lenços umedecidos

Secar bem a região

Usar roupas íntimas de algodão

Evitar roupas apertadas

Orientar higiene após evacuação (frente → trás)

👉 Pode associar:

Banho de assento com água morna (sem substâncias irritantes)

Se após 2 semanas de medidas de higiene não houver melhora, pode-se utilizar cremes de barreira (à base de óxido de zinco) para proteger a pele da umidade.

 

 3. Quando tratar com medicação?

Antes de iniciar tratamento farmacológico, é importante avaliar:

🔹 Vulvovaginite inespecífica (mais comum)

Não usar antibiótico ou antifúngico de rotina

Só medidas locais

🔹 Suspeita de infecção bacteriana

Rastreio Bacteriano: Se houver sinais flogísticos intensos, corrimento purulento, odor forte, a coleta de cultura do conteúdo vaginal pode ser necessária para identificar patógenos específicos (como Streptococcus pyogenes).

Se a cultura for positiva ou houver forte suspeita de infecção estreptocócica (vulva muito eritematosa), pode ser necessário o uso de antibióticos sistêmicos (como Amoxicilina).

🔹 Suspeita de fungo (menos comum em pré-púbere)

Prurido mais intenso, eritema importante

Pode usar antifúngico tópico (ex: nistatina ou azóis)

Observação Importante: O uso de cremes vaginais antifúngicos (nistatina/miconazol) deve ser evitado a menos que a candidíase seja confirmada por exame, o que é raro em crianças pré-púberes sem histórico de uso recente de antibióticos ou imunossupressão.

🔹 Suspeita de Enterobíase

Pesquisa de Oxiuríase (Enterobius vermicularis): É uma causa frequente de prurido e irritação vulvar em crianças. O prurido costuma ser predominantemente noturno. Se houver suspeita ou confirmação, o tratamento de escolha é o Mebendazol (100mg, dose única, repetir em 2 semanas) ou Albendazol (400mg, dose única, repetir em 2 semanas) para a criança e contatos domiciliares.

🔹 Exclusão de Corpos Estranhos:

Se houver corrimento purulento com odor fétido intenso (fecaloide) ou sangramento, deve-se suspeitar da presença de papel higiênico ou pequenos objetos na vagina.

 

4. Sempre lembrar (muito importante)

Em casos atípicos ou recorrentes → investigar:

  • Corpo estranho vaginal (causa clássica!)
  • Dermatites
  • Doenças dermatológicas
  • Situações de abuso (quando há sinais sugestivos)

 

5. Quando encaminhar / investigar mais?

  • Corrimento persistente ou recorrente
  • Sangramento vaginal
  • Falha do tratamento inicial
  • Dúvida diagnóstica

Fontes

https://www.febrasgo.org.br/images/arquivos/manuais/Manual_de_Patologia_do_Trato_Genital_Inferior/Manual-PTGI-Cap-07-Vulvovaginites-na-infancia.pdf

https://med.estrategia.com/portal/conteudos-gratis/doencas/resumo-de-vulvovaginite-na-infancia-causas-diagnostico-e-mais/

https://www.bolasdesabao.pt/crianca/saude-infantil/vulvovaginite-infantil