Associação Hidralazina e nitrato na Insuficiência cardíaca
Considerações iniciais
A associação hidralazina + nitrato (geralmente dinitrato de isossorbida) é um tratamento consagrado para insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (ICFER), mas hoje possui indicações bem específicas. Na maioria dos pacientes, ela não substitui os quatro pilares da terapia moderna (ARNI/IECA/BRA, betabloqueador, antagonista do receptor mineralocorticoide e inibidor de SGLT2).
Como funciona?
Os dois medicamentos atuam de forma complementar:
O resultado é:
Principais indicações
1. Pacientes negros com ICFER sintomática (Classe I)
Esta é a indicação com maior nível de evidência.
Pacientes:
Evidência
O estudo A-HeFT (African-American Heart Failure Trial) mostrou:
Por isso, diretrizes da AHA/ACC/HFSA e da ESC recomendam adicionar hidralazina + nitrato nesse grupo.
2. Pacientes que não podem usar IECA, BRA ou ARNI
Indicações:
Nesses casos, a associação é uma alternativa para reduzir mortalidade.
3. Gestantes com insuficiência cardíaca
Como IECA, BRA e ARNI são contraindicados durante a gestação, hidralazina e nitratos são opções relativamente seguras para controle da pós-carga e dos sintomas, conforme avaliação especializada.
Situações em que NÃO há benefício comprovado
Não há evidência robusta para uso rotineiro em:
Posologia
A combinação utilizada nos estudos foi:
Dinitrato de isossorbida: 20–40 mg VO, 3 vezes ao dia.
Hidralazina: 25–75 mg VO, 3 vezes ao dia.
Em alguns países existe formulação fixa combinada, mas ela não é amplamente disponível no Brasil.
Efeitos adversos
Hidralazina
Nitratos
Em resumo, o maior benefício comprovado da associação hidralazina + nitrato ocorre em pacientes negros com ICFER sintomática já em tratamento otimizado e em pacientes que não podem receber IECA, BRA ou ARNI. Fora desses cenários, a terapia moderna baseada nos quatro pilares continua sendo a estratégia de primeira linha.
Fontes