Infecção por Proteus, como tratar ?

Na infecção urinária por Proteus mirabilis, o tratamento deve ser guiado pelo urocultivo + antibiograma, porque a escolha muda bastante conforme seja cistite, pielonefrite, ITU complicada, prostatite ou bacteremia. A diretriz IDSA 2025 recomenda, nas ITUs complicadas, direcionar o tratamento definitivo ao antibiograma assim que disponível. 

 

Primeiro ponto: Proteus tem algumas particularidades

P. mirabilis produz urease, alcaliniza a urina e está fortemente associado à formação de cálculos de estruvita. Portanto, principalmente em infecção recorrente/persistente, é importante procurar cálculo urinário, obstrução, cateter ou outra fonte de infecção

Nitrofurantoína não é uma boa escolha para Proteus mirabilis, mesmo que eventualmente apareça alguma informação de suscetibilidade laboratorial, porque a atividade clínica contra Proteus é inadequada.

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Para ITU complicada sem sepse, a IDSA 2025 coloca cefalosporinas de 3ª/4ª geração, piperacilina-tazobactam ou fluoroquinolonas entre as opções empíricas iniciais, reservando carbapenêmicos e agentes mais novos para situações específicas. 

 

 

Doses usuais em adultos

Quando o isolado é sensível e não há contraindicação:

  • Ceftriaxona: 1–2 g IV 1×/dia.
  • Cefepima: 2 g IV a cada 8–12 h, com ajuste renal.
  • Piperacilina-tazobactam: 4,5 g IV a cada 6–8 h; em infecção grave, frequentemente em infusão prolongada.
  • Ciprofloxacino: 500 mg VO 12/12 h para situações apropriadas; IV em doença grave.
  • Levofloxacino: 750 mg VO/IV 1×/dia em regimes utilizados para pielonefrite, com ajuste renal.
  • TMP-SMX: 160/800 mg (1 comprimido DS) VO 12/12 h, quando sensível e apropriado.
  • Amoxicilina-clavulanato: opção oral quando o antibiograma demonstra sensibilidade, especialmente para ITU baixa.
  • Ertapenem: 1 g IV 1×/dia.
  • Meropenem: 1 g IV a cada 8 h em infecção grave, com ajuste renal.

As doses precisam ser ajustadas à função renal, foco da infecção, gravidade e MIC.

 

Quanto tempo tratar?

Para ITU complicada com boa resposta clínica, a atualização IDSA 2025 favorece cursos mais curtos: em geral 7 dias para não fluoroquinolona ou 5–7 dias para fluoroquinolona, em vez de rotineiramente 10–14 dias. Para bacteremia por Gram-negativo associada à ITU, 7 dias também é recomendado em pacientes que evoluem adequadamente com tratamento efetivo. 

Isso muda se houver:

  • abscesso;
  • obstrução;
  • cálculo infectado;
  • prostatite;
  • imunossupressão importante;
  • resposta clínica inadequada;
  • foco não controlado.

 

Detalhe  importante no Proteus

Se o paciente tem Proteus recorrente, eu procuraria cálculo de estruvita.

A combinação:

Proteus → urease → urina alcalina → estruvita → cálculo → persistência bacteriana

pode fazer o paciente aparentemente "falhar" a vários antibióticos. A EAU recomenda remoção completa do cálculo quando há cálculo infeccioso e tratamento antibiótico quando existe bacteriúria persistente.

Fontes

  • TRAUTNER, B. W.; CORTES-PENFIELD, N. W.; GUPTA, K. et al. Clinical Practice Guideline by Infectious Diseases Society of America: 2025 Guideline on Management and Treatment of Complicated Urinary Tract Infections—Selection of Antibiotic Therapy for Complicated Urinary Tract Infections. Clinical Infectious Diseases, 2025. DOI: 10.1093/cid/ciaf460.
  • EUROPEAN ASSOCIATION OF UROLOGY (EAU). EAU Guidelines on Urological Infections 2025. Arnhem: European Association of Urology, 2025.
  • TAMMA, P. D.; A. et al. Infectious Diseases Society of America 2024 Guidance on the Treatment of Antimicrobial-Resistant Gram-Negative Infections. Clinical Infectious Diseases, 2024. DOI: 10.1093/cid/ciae403.
  • IDSA. IDSA 2024 Guidance on the Treatment of Antimicrobial-Resistant Gram-Negative Infections. Infectious Diseases Society of America, 2024. 
  • EUROPEAN ASSOCIATION OF UROLOGY (EAU). EAU Guidelines on Urolithiasis 2025. Arnhem: European Association of Urology, 2025.