Infecção por Proteus, como tratar ?
Na infecção urinária por Proteus mirabilis, o tratamento deve ser guiado pelo urocultivo + antibiograma, porque a escolha muda bastante conforme seja cistite, pielonefrite, ITU complicada, prostatite ou bacteremia. A diretriz IDSA 2025 recomenda, nas ITUs complicadas, direcionar o tratamento definitivo ao antibiograma assim que disponível.
Primeiro ponto: Proteus tem algumas particularidades
P. mirabilis produz urease, alcaliniza a urina e está fortemente associado à formação de cálculos de estruvita. Portanto, principalmente em infecção recorrente/persistente, é importante procurar cálculo urinário, obstrução, cateter ou outra fonte de infecção.
Nitrofurantoína não é uma boa escolha para Proteus mirabilis, mesmo que eventualmente apareça alguma informação de suscetibilidade laboratorial, porque a atividade clínica contra Proteus é inadequada.
Para ITU complicada sem sepse, a IDSA 2025 coloca cefalosporinas de 3ª/4ª geração, piperacilina-tazobactam ou fluoroquinolonas entre as opções empíricas iniciais, reservando carbapenêmicos e agentes mais novos para situações específicas.
Doses usuais em adultos
Quando o isolado é sensível e não há contraindicação:
As doses precisam ser ajustadas à função renal, foco da infecção, gravidade e MIC.
Quanto tempo tratar?
Para ITU complicada com boa resposta clínica, a atualização IDSA 2025 favorece cursos mais curtos: em geral 7 dias para não fluoroquinolona ou 5–7 dias para fluoroquinolona, em vez de rotineiramente 10–14 dias. Para bacteremia por Gram-negativo associada à ITU, 7 dias também é recomendado em pacientes que evoluem adequadamente com tratamento efetivo.
Isso muda se houver:
Detalhe importante no Proteus
Se o paciente tem Proteus recorrente, eu procuraria cálculo de estruvita.
A combinação:
Proteus → urease → urina alcalina → estruvita → cálculo → persistência bacteriana
pode fazer o paciente aparentemente "falhar" a vários antibióticos. A EAU recomenda remoção completa do cálculo quando há cálculo infeccioso e tratamento antibiótico quando existe bacteriúria persistente.
Fontes