Terapia de reposição de testosterona (TRT)
Considerações iniciais
é indicada em homens com Hipogonadismo Masculino confirmado, ou seja:
1️⃣ Quando indicar TRT
Sintomas mais comuns:
Confirmação laboratorial:
💡 Existe um detalhe clínico muito importante: muitos homens com testosterona baixa não têm hipogonadismo verdadeiro, mas sim supressão do eixo por obesidade ou síndrome metabólica. Nesses casos, tratar a causa pode normalizar a testosterona sem reposição.
Quando o paciente já está em uso de TRT (terapia de reposição de testosterona), o ajuste da dose é feito principalmente com base em:
2️⃣ Meta laboratorial da terapia
O objetivo é manter níveis dentro da faixa fisiológica.
Meta mais usada:
Algumas diretrizes aceitam:
Evita-se níveis supranormais.
3️⃣Opções de testosterona
A reposição pode ser feita com várias formulações.
1. Intramuscular (mais comum)
Enantato de Testosterona
ou
Cipionato de Testosterona
Dose comum:
Problema: pico alto e queda antes da próxima dose.
2. Testosterona de longa duração
Undecanoato de Testosterona
Esquema típico:
Vantagem:
3. Gel transdérmico
Testosterona Gel
Dose comum: 50–100 mg/dia
Aplicação:
Vantagem:
Desvantagem:
4. Adesivo transdérmico
Menos usado.
💡 Detalhe importante:
Na prática médica brasileira, quase toda TRT é feita com duas opções:
porque são mais previsíveis e disponíveis.
4️⃣ Monitorização
Acompanhamento é fundamental.
Exames recomendados:
Frequência:
Momento correto da dosagem da testosterona
Isso depende da formulação utilizada.
Injeções curtas
(ex.: Enantato de Testosterona ou Cipionato de Testosterona)
A coleta ideal é:
Exemplo:
Testosterona de longa duração
(Undecanoato de Testosterona)
Medir:
Gel transdérmico
(Testosterona Gel)
Dosar:
Como ajustar a dose
Testosterona baixa (<350 ng/dL)
Conduta:
Exemplo:
Testosterona muito alta (>900–1000 ng/dL)
Conduta:
5️⃣ Complicações
- policitemia
hematócrito >54%.
Suspender ou reduzir dose se: hematócrito >54%.
- aumento do PSA
avaliar risco prostático.
Exame: PSA. Se aumentar >1,4 ng/mL/ano → investigar.
- infertilidade
a TRT suprime: LH e FSH, o que reduz a espermatogênese.
Avaliar aromatização excessiva. Pode causar:
1️⃣ Testosterona injetável (mais usada no Brasil)
Deposteron
Princípio: Cipionato de Testosterona
Apresentação:
Esquema habitual:
Características:
Durateston
Mistura de 4 ésteres de testosterona:
Apresentação:
Uso:
Características:
6️⃣ Medicamentos usados junto com TRT (em alguns casos)
- Inibidores de aromatase
Quando estradiol sobe muito.
Exemplo: Anastrozol
- Gonadotrofina Coriônica Humana
Se houver desejo de fertilidade.
- SERMs
Usados quando se quer estimular produção endógena.
Exemplo:
7️⃣ Contraindicações da TRT
Não iniciar se houver:
💡 Um detalhe muito importante: o erro mais comum na prática é aplicar testosterona a cada 14 dias, o que gera picos muito altos e quedas acentuadas, causando sintomas. Muitos endocrinologistas preferem dividir a dose semanalmente para níveis mais estáveis. Se quiser, posso te mostrar os esquemas de aplicação que mantêm testosterona mais estável no sangue.
Para manter níveis mais estáveis de Testosterona Total durante a TRT, muitos especialistas preferem dividir as doses em intervalos menores, principalmente quando se usam ésteres curtos como Enantato de Testosterona ou Cipionato de Testosterona.
Isso evita:
Essas variações podem causar:
1️⃣ Esquema clássico (menos estável)
Aplicação:
200 mg a cada 14 dias
Problema:
Curva hormonal:
2️⃣ Esquema mais estável (preferido)
Dividir a dose semanalmente.
Exemplo:
100 mg a cada 7 dias
Isso reduz muito as oscilações hormonais.
3️⃣ Esquema ainda mais estável
Alguns serviços usam aplicações menores mais frequentes.
Exemplo:
50 mg duas vezes por semana
Intervalo típico:
Isso produz níveis muito estáveis.
4️⃣ Aplicação subcutânea
Muitos pacientes fazem injeção subcutânea com pequenas doses.
Vantagens:
Essa técnica vem sendo cada vez mais usada.
5️⃣ Esquema com testosterona de longa duração
Quando se usa Undecanoato de Testosterona:
Protocolo comum:
Essa formulação já mantém níveis relativamente estáveis.
💡 SHBG (Sex Hormone Binding Globulin).
Existe também um parâmetro muito importante que muitos médicos deixam de medir na TRT: a SHBG (Sex Hormone Binding Globulin).
Ela pode mudar completamente a interpretação da testosterona total e explicar por que alguns pacientes têm sintomas mesmo com níveis “normais”. A medição da SHBG (Sex Hormone Binding Globulin) é muito importante na avaliação de homens em TRT, porque ela altera a quantidade de testosterona biologicamente ativa. A maior parte da Testosterona Total no sangue está ligada a proteínas e não está disponível para ação nos tecidos.
Distribuição aproximada:
A soma da testosterona livre + ligada à albumina é chamada de: testosterona biodisponível.
Por que medir SHBG
Dois pacientes podem ter a mesma testosterona total, mas quantidades muito diferentes de testosterona livre. Por isso alguns pacientes têm sintomas de hipogonadismo mesmo com testosterona total normal.
Situações que aumentam SHBG
Podem causar testosterona livre baixa:
Situações que reduzem SHBG
Podem causar testosterona livre relativamente alta:
Como calcular testosterona livre
Pode-se calcular usando:
O método mais usado é a equação de Vermeulen.
Ela fornece a chamada:
testosterona livre calculada.
Valores de referência aproximados
Para Testosterona Livre:
Quando medir SHBG
É especialmente útil quando:
Como isso muda a TRT
Exemplos:
SHBG alta
➡️ paciente pode se beneficiar de TRT.
SHBG baixa
➡️ muitas vezes não precisa TRT.
💡 Existe também um erro diagnóstico muito comum: coletar testosterona fora do horário ideal, o que pode levar a diagnóstico falso de hipogonadismo.
Se quiser, posso te explicar qual o horário correto da coleta e quanto a testosterona pode variar ao longo do dia.
O Anastrozol é um inibidor da aromatase, ou seja, bloqueia a conversão da Testosterona em Estradiol. Ele não é usado rotineiramente em todos os pacientes em TRT, mas pode ser indicado quando ocorre excesso de aromatização.
Quando considerar anastrozol na TRT
1️⃣ Estradiol elevado
Se o estradiol estiver alto (geralmente >40–50 pg/mL) e houver sintomas.
Sintomas comuns:
2️⃣ Ginecomastia
Especialmente se houver:
Condição: Ginecomastia.
3️⃣ Aromatização aumentada em obesidade
Pacientes com:
têm mais enzima aromatase no tecido adiposo, convertendo mais testosterona em estradiol.
4️⃣ Relação testosterona/estradiol desfavorável
Alguns especialistas usam a relação:
Testosterona total / Estradiol
Ideal:
Dose usual de anastrozol
Doses típicas usadas em TRT:
ou
A dose deve ser individualizada.
Monitorização
Após iniciar anastrozol:
reavaliar em 4–6 semanas:
Cuidado com estradiol muito baixo
O estradiol é importante em homens para:
Estradiol ideal em homens:
Se cair muito (<15 pg/mL), pode causar:
Situações em que anastrozol NÃO é indicado
Não usar rotineiramente se:
Porque pode prejudicar:
Alternativa ao anastrozol
Às vezes é melhor ajustar a TRT:
✅ Resumo
Usar anastrozol quando:
Dose comum:
Meta de estradiol:
💡 Existe um detalhe clínico interessante: muitos pacientes em TRT com estradiol alto não precisam de anastrozol, apenas dividir as aplicações de testosterona já reduz a aromatização. Se quiser, posso explicar por que picos altos de testosterona aumentam muito a conversão em estradiol.
No Brasil, as opções de Testosterona para terapia de reposição (TRT) são basicamente injetáveis, transdérmicas (gel) e oral, com algumas marcas principais disponíveis no mercado.
Vou organizar por tipo, marca e apresentação, que é o mais útil na prática clínica.
Nebido
Princípio: Undecanoato de Testosterona
Apresentação:
Esquema:
Características:
2️⃣ Testosterona em gel
Androgel
Apresentação:
Uso:
Axeron
Apresentação:
Dose habitual:
Características:
3️⃣ Testosterona oral
Androxon
Princípio: Undecanoato de Testosterona
Apresentação:
Dose:
Observação:
4️⃣ Testosterona manipulada
Também muito usada em consultório:
Essas formulações são feitas em farmácias de manipulação.
Se mandar manipular, a reposição de testosterona em mulheres pode ficar muito mais precisa e fisiológica, porque a farmácia pode preparar doses adequadas ao organismo feminino, o que não acontece com a maioria dos produtos industriais.
1️⃣ Vantagem da manipulação
Permite produzir:
Isso evita o problema de usar frações de dose masculina.
2️⃣ Formas manipuladas mais usadas
1️⃣ Creme transdérmico
É a forma mais comum e segura.
Exemplo de prescrição:
Cada 1 g do creme contém:
Dose comum:
Isso fornece cerca de:
300 microgramas/dia.
Aplicação:
2️⃣ Gel transdérmico
Semelhante ao creme, mas com absorção um pouco mais rápida.
Exemplo:
Aplicação diária.
3️⃣ Pump manipulado
A farmácia pode ajustar o frasco para liberar doses pequenas.
Exemplo:
Assim a paciente usa:
Sem precisar dividir dose.
3️⃣ Implante manipulado
Também pode ser manipulado com doses menores.
Exemplo mais fisiológico:
Duração:
Ainda assim é menos ajustável que o gel.
4️⃣ Monitorização
Após iniciar:
Reavaliar em 6 a 8 semanas:
Objetivo:
manter testosterona dentro da faixa feminina.
5️⃣ Faixa normal feminina (aproximada)
Mulheres adultas:
Ideal na reposição:
✅ Resumo prático
A melhor estratégia geralmente é:
Isso reproduz melhor a produção fisiológica feminina.
Se quiser, posso também te mostrar um protocolo clínico real usado por endocrinologistas com: