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A terapia de reposição de testosterona (TRT) é indicada em homens com Hipogonadismo Masculino confirmado, ou seja:

  • sintomas clínicos
  • testosterona total baixa em pelo menos 2 dosagens matinais.

1️⃣ Quando indicar TRT

Sintomas mais comuns:

  • redução da libido
  • disfunção erétil
  • fadiga
  • perda de massa muscular
  • osteopenia/osteoporose.

Confirmação laboratorial:

  • Testosterona Total baixa
  • geralmente <300 ng/dL em duas coletas pela manhã.

2️⃣ Meta laboratorial da terapia

O objetivo é manter níveis dentro da faixa fisiológica.

Meta mais usada:

  • 400–700 ng/dL

Algumas diretrizes aceitam:

  • 350–800 ng/dL

Evita-se níveis supranormais.

 

3️⃣ Opções de testosterona

A reposição pode ser feita com várias formulações.

1️⃣ Intramuscular (mais comum)

Enantato de Testosterona
ou
Cipionato de Testosterona

Dose comum:

  • 100–200 mg IM a cada 1–2 semanas

Problema:

  • pico alto e queda antes da próxima dose.

2️⃣ Testosterona de longa duração

Undecanoato de Testosterona

Esquema típico:

  • 1000 mg IM
  • repetir em 6 semanas
  • depois a cada 10–14 semanas.

Vantagem:

  • níveis mais estáveis.

3️⃣ Gel transdérmico

Testosterona Gel

Dose comum:

  • 50–100 mg/dia

Aplicação:

  • pele do ombro ou braço.

Vantagem:

  • níveis estáveis.

Desvantagem:

  • custo maior
  • risco de transferência cutânea.

4️⃣ Adesivo transdérmico

Menos usado.

 

 

4️⃣ Monitorização

Acompanhamento é fundamental.

Exames recomendados:

  • Testosterona Total
  • Hemograma
  • PSA
  • Função Hepática

Frequência:

  • 3–6 meses após início
  • depois anualmente.

5️⃣ Complicações que devem ser monitoradas

policitemia

hematócrito >54%.

aumento do PSA

infertilidade

a TRT suprime:

  • LH
  • FSH

o que reduz a espermatogênese.

 

 

6️⃣ Medicamentos usados junto com TRT (em alguns casos)

1️⃣ Inibidores de aromatase

Quando estradiol sobe muito.

Exemplo:

  • Anastrozol

2️⃣ hCG

Se houver desejo de fertilidade.

  • Gonadotrofina Coriônica Humana

Mantém função testicular.

3️⃣ SERMs

Usados quando se quer estimular produção endógena.

Exemplo:

  • Clomifeno

7️⃣ Contraindicações da TRT

Não iniciar se houver:

  • Câncer de Próstata ativo
  • Câncer de Mama Masculino
  • hematócrito elevado
  • apneia do sono grave não tratada.

 

💡 Existe um detalhe clínico muito importante: muitos homens com testosterona baixa não têm hipogonadismo verdadeiro, mas sim supressão do eixo por obesidade ou síndrome metabólica. Nesses casos, tratar a causa pode normalizar a testosterona sem reposição. Se quiser, posso explicar como diferenciar hipogonadismo primário, secundário e funcional apenas com 3 exames hormonais.

Quando o paciente já está em uso de TRT (terapia de reposição de testosterona), o ajuste da dose é feito principalmente com base em:

  • sintomas clínicos
  • níveis laboratoriais de Testosterona Total
  • efeitos adversos.

1️⃣ Momento correto da dosagem da testosterona

Isso depende da formulação utilizada.

Injeções curtas

(ex.: Enantato de Testosterona ou Cipionato de Testosterona)

A coleta ideal é:

  • no meio do intervalo entre as aplicações

Exemplo:

  • aplicação a cada 14 dias
  • medir a testosterona no 7º dia.

Testosterona de longa duração

(Undecanoato de Testosterona)

Medir:

  • imediatamente antes da próxima aplicação (nível de vale).

Gel transdérmico

(Testosterona Gel)

Dosar:

  • 2–4 semanas após início
  • coleta 2–4 horas após aplicação.

2️⃣ Meta laboratorial

O objetivo é manter testosterona dentro da faixa fisiológica.

Meta prática:

  • 400–700 ng/dL

Algumas diretrizes aceitam:

  • 350–800 ng/dL.

3️⃣ Como ajustar a dose

Testosterona baixa (<350 ng/dL)

Conduta:

  • aumentar dose
    ou
  • reduzir intervalo da aplicação.

Exemplo:

  • 200 mg a cada 14 dias → 200 mg a cada 10 dias.

Testosterona muito alta (>900–1000 ng/dL)

Conduta:

  • reduzir dose
    ou
  • aumentar intervalo entre aplicações.

4️⃣ Monitorização laboratorial obrigatória

hemograma

avaliar Policitemia

Suspender ou reduzir dose se:

  • hematócrito >54%.

PSA

avaliar risco prostático.

Exame:

  • PSA

Se aumentar >1,4 ng/mL/ano → investigar.

estradiol

avaliar aromatização excessiva.

Hormônio:

  • Estradiol

Pode causar:

  • ginecomastia
  • retenção hídrica.

5️⃣ Frequência de acompanhamento

Após iniciar TRT:

  • 3 meses
  • 6 meses
  • depois anualmente.

Exames:

  • testosterona
  • hemograma
  • PSA
  • perfil lipídico.

6️⃣ Avaliação clínica importante

Além dos exames, avaliar:

  • libido
  • energia
  • massa muscular
  • disfunção erétil
  • efeitos adversos.

 

💡 Um detalhe muito importante: o erro mais comum na prática é aplicar testosterona a cada 14 dias, o que gera picos muito altos e quedas acentuadas, causando sintomas. Muitos endocrinologistas preferem dividir a dose semanalmente para níveis mais estáveis. Se quiser, posso te mostrar os esquemas de aplicação que mantêm testosterona mais estável no sangue.

Para manter níveis mais estáveis de Testosterona Total durante a TRT, muitos especialistas preferem dividir as doses em intervalos menores, principalmente quando se usam ésteres curtos como Enantato de Testosterona ou Cipionato de Testosterona.

Isso evita:

  • picos muito altos logo após a injeção
  • queda acentuada antes da próxima dose.

Essas variações podem causar:

  • irritabilidade
  • queda de libido
  • fadiga
  • oscilação de humor.

1️⃣ Esquema clássico (menos estável)

Aplicação:

200 mg a cada 14 dias

Problema:

  • pico elevado de testosterona nos primeiros dias
  • níveis baixos antes da próxima dose.

Curva hormonal:

  • pico → queda progressiva.

2️⃣ Esquema mais estável (preferido)

Dividir a dose semanalmente.

Exemplo:

100 mg a cada 7 dias

Isso reduz muito as oscilações hormonais.

3️⃣ Esquema ainda mais estável

Alguns serviços usam aplicações menores mais frequentes.

Exemplo:

50 mg duas vezes por semana

Intervalo típico:

  • segunda
  • quinta.

Isso produz níveis muito estáveis.

4️⃣ Aplicação subcutânea

Muitos pacientes fazem injeção subcutânea com pequenas doses.

Vantagens:

  • menos dor
  • absorção mais estável
  • menor pico hormonal.

Essa técnica vem sendo cada vez mais usada.

5️⃣ Esquema com testosterona de longa duração

Quando se usa Undecanoato de Testosterona:

Protocolo comum:

  • 1000 mg
  • repetir em 6 semanas
  • depois a cada 10–14 semanas.

Essa formulação já mantém níveis relativamente estáveis.

6️⃣ Comparação dos esquemas

Esquema

Estabilidade hormonal

200 mg a cada 14 dias

baixa

100 mg semanal

boa

50 mg 2x por semana

muito boa

gel diário

muito estável

7️⃣ Quando suspeitar de dose inadequada

Mesmo em TRT, sinais de dose inadequada incluem:

  • testosterona <350 ng/dL
  • testosterona >900 ng/dL
  • aumento de Estradiol
  • hematócrito elevado.

Resumo prático

Para TRT com enantato ou cipionato:

  • melhor esquema: 100 mg semanal
    ou
  • 50 mg duas vezes por semana.

Isso mantém testosterona mais estável e reduz efeitos colaterais.

 

 

💡 SHBG (Sex Hormone Binding Globulin).

Existe também um parâmetro muito importante que muitos médicos deixam de medir na TRT: a SHBG (Sex Hormone Binding Globulin).
Ela pode mudar completamente a interpretação da testosterona total e explicar por que alguns pacientes têm sintomas mesmo com níveis “normais”. Se quiser, posso te mostrar como calcular a testosterona livre usando SHBG e quando isso muda a conduta da TRT.

A medição da SHBG (Sex Hormone Binding Globulin) é muito importante na avaliação de homens em TRT, porque ela altera a quantidade de testosterona biologicamente ativa.

A maior parte da Testosterona Total no sangue está ligada a proteínas e não está disponível para ação nos tecidos.

Distribuição aproximada:

  • 60–65% ligada à SHBG (fortemente ligada)
  • 30–35% ligada à albumina (fracamente ligada)
  • 1–3% livre (biologicamente ativa).

A soma da testosterona livre + ligada à albumina é chamada de:

testosterona biodisponível.

Por que medir SHBG

Dois pacientes podem ter a mesma testosterona total, mas quantidades muito diferentes de testosterona livre.

Exemplo:

Testosterona total

SHBG

Testosterona livre

500 ng/dL

alta

baixa

500 ng/dL

baixa

alta

Por isso alguns pacientes têm sintomas de hipogonadismo mesmo com testosterona total normal.

Situações que aumentam SHBG

Podem causar testosterona livre baixa:

  • envelhecimento
  • Hipertireoidismo
  • doença hepática
  • uso de estrogênio.

Situações que reduzem SHBG

Podem causar testosterona livre relativamente alta:

  • Obesidade
  • Diabetes Mellitus
  • síndrome metabólica
  • uso de andrógenos.

Como calcular testosterona livre

Pode-se calcular usando:

  • testosterona total
  • SHBG
  • albumina.

O método mais usado é a equação de Vermeulen.

Ela fornece a chamada:

testosterona livre calculada.

Valores de referência aproximados

Para Testosterona Livre:

  • normal: 5–15 ng/dL (dependendo do método).

Quando medir SHBG

É especialmente útil quando:

  • testosterona total está limítrofe (250–400 ng/dL)
  • sintomas não correspondem ao valor total
  • pacientes obesos ou idosos.

Como isso muda a TRT

Exemplos:

SHBG alta

  • testosterona total normal
  • testosterona livre baixa.

➡️ paciente pode se beneficiar de TRT.

SHBG baixa

  • testosterona total baixa
  • testosterona livre normal.

➡️ muitas vezes não precisa TRT.

 

💡 Existe também um erro diagnóstico muito comum: coletar testosterona fora do horário ideal, o que pode levar a diagnóstico falso de hipogonadismo.
Se quiser, posso te explicar qual o horário correto da coleta e quanto a testosterona pode variar ao longo do dia.

 

 

O Anastrozol é um inibidor da aromatase, ou seja, bloqueia a conversão da Testosterona em Estradiol.

Ele não é usado rotineiramente em todos os pacientes em TRT, mas pode ser indicado quando ocorre excesso de aromatização.

Quando considerar anastrozol na TRT

1️⃣ Estradiol elevado

Se o estradiol estiver alto (geralmente >40–50 pg/mL) e houver sintomas.

Sintomas comuns:

  • ginecomastia
  • sensibilidade mamária
  • retenção hídrica
  • queda da libido
  • instabilidade emocional.

2️⃣ Ginecomastia

Especialmente se houver:

  • aumento do tecido mamário
  • dor mamária.

Condição: Ginecomastia.

3️⃣ Aromatização aumentada em obesidade

Pacientes com:

  • Obesidade

têm mais enzima aromatase no tecido adiposo, convertendo mais testosterona em estradiol.

4️⃣ Relação testosterona/estradiol desfavorável

Alguns especialistas usam a relação:

Testosterona total / Estradiol

Ideal:

  • 10–15.

Dose usual de anastrozol

Doses típicas usadas em TRT:

  • 0,5 mg 1–2 vezes por semana

ou

  • 1 mg por semana.

A dose deve ser individualizada.

Monitorização

Após iniciar anastrozol:

reavaliar em 4–6 semanas:

  • Estradiol
  • Testosterona Total.

Cuidado com estradiol muito baixo

O estradiol é importante em homens para:

  • saúde óssea
  • função sexual
  • saúde cardiovascular.

Estradiol ideal em homens:

  • 20–40 pg/mL

Se cair muito (<15 pg/mL), pode causar:

  • dor articular
  • queda da libido
  • fadiga
  • osteopenia.

Situações em que anastrozol NÃO é indicado

Não usar rotineiramente se:

  • estradiol normal
  • paciente assintomático.

Porque pode prejudicar:

  • densidade óssea
  • metabolismo lipídico.

Alternativa ao anastrozol

Às vezes é melhor ajustar a TRT:

  • reduzir dose de testosterona
  • dividir aplicações para reduzir picos.

Resumo

Usar anastrozol quando:

  • estradiol elevado
  • sintomas de aromatização
  • ginecomastia.

Dose comum:

  • 0,5 mg 1–2x/semana.

Meta de estradiol:

  • 20–40 pg/mL.

💡 Existe um detalhe clínico interessante: muitos pacientes em TRT com estradiol alto não precisam de anastrozol, apenas dividir as aplicações de testosterona já reduz a aromatização. Se quiser, posso explicar por que picos altos de testosterona aumentam muito a conversão em estradiol.

No Brasil, as opções de Testosterona para terapia de reposição (TRT) são basicamente injetáveis, transdérmicas (gel) e oral, com algumas marcas principais disponíveis no mercado.

Vou organizar por tipo, marca e apresentação, que é o mais útil na prática clínica.

1️⃣ Testosterona injetável (mais usada no Brasil)

Deposteron

Princípio: Cipionato de Testosterona

Apresentação:

  • ampola 200 mg / 2 mL
  • intramuscular profunda

Esquema habitual:

  • 100–200 mg a cada 7–14 dias

Características:

Durateston

Mistura de 4 ésteres de testosterona:

  • propionato 30 mg
  • fenilpropionato 60 mg
  • isocaproato 60 mg
  • decanoato 100 mg

Apresentação:

  • 250 mg / 1 mL

Uso:

Características:

  • pico rápido + ação prolongada.

Nebido

Princípio: Undecanoato de Testosterona

Apresentação:

  • 1000 mg / 4 mL

Esquema:

Características:

  • níveis mais estáveis
  • menos aplicações.

2️⃣ Testosterona em gel

Androgel

Apresentação:

  • sachê 25 mg ou 50 mg

Uso:

  • aplicação 1x ao dia na pele.

Axeron

Apresentação:

  • pump com 30 mg por aplicação

Dose habitual:

Características:

  • níveis hormonais mais fisiológicos
  • custo alto.

3️⃣ Testosterona oral

Androxon

Princípio: Undecanoato de Testosterona

Apresentação:

  • cápsulas 40 mg

Dose:

Observação:

  • absorção variável.

4️⃣ Testosterona manipulada

Também muito usada em consultório:

  • gel transdérmico
  • creme transdérmico
  • implantes subcutâneos (“pellets”).

Essas formulações são feitas em farmácias de manipulação.

Resumo clínico das opções

Tipo

Marca

Apresentação

Intervalo

Cipionato

Deposteron

200 mg/2 mL

1–2 semanas

Mix de ésteres

Durateston

250 mg/1 mL

2–3 semanas

Undecanoato

Nebido

1000 mg/4 mL

10–14 semanas

Gel

Androgel

25–50 mg

diário

Gel

Axeron

30 mg/puff

diário

Oral

Androxon

40 mg cápsula

diário

💡 Detalhe importante:
Na prática médica brasileira, quase toda TRT é feita com duas opções:

  • Deposteron (cipionato)
  • Nebido (undecanoato)

porque são mais previsíveis e disponíveis.

Se quiser, posso também te mostrar uma coisa que poucos médicos explicam bem:
qual dessas formulações realmente mantém a testosterona mais estável no sangue (com gráfico farmacocinético) — isso muda muito a escolha entre Deposteron, Durateston e Nebido.

 

Se mandar manipular, a reposição de testosterona em mulheres pode ficar muito mais precisa e fisiológica, porque a farmácia pode preparar doses adequadas ao organismo feminino, o que não acontece com a maioria dos produtos industriais.

1️⃣ Vantagem da manipulação

Permite produzir:

  • concentração baixa
  • dose diária exata
  • melhor ajuste individual

Isso evita o problema de usar frações de dose masculina.

2️⃣ Formas manipuladas mais usadas

1️⃣ Creme transdérmico

É a forma mais comum e segura.

Exemplo de prescrição:

  • Testosterona 0,1% creme

Cada 1 g do creme contém:

  • 1 mg de testosterona

Dose comum:

  • 0,3 g ao dia

Isso fornece cerca de:

300 microgramas/dia.

Aplicação:

  • abdome inferior
  • face interna da coxa
  • nádega

2️⃣ Gel transdérmico

Semelhante ao creme, mas com absorção um pouco mais rápida.

Exemplo:

  • testosterona 0,5 mg por dose

Aplicação diária.

3️⃣ Pump manipulado

A farmácia pode ajustar o frasco para liberar doses pequenas.

Exemplo:

  • 300 mcg por pump

Assim a paciente usa:

  • 1 pump por dia

Sem precisar dividir dose.

3️⃣ Implante manipulado

Também pode ser manipulado com doses menores.

Exemplo mais fisiológico:

  • 12,5 mg
  • 25 mg

Duração:

  • 3 a 4 meses

Ainda assim é menos ajustável que o gel.

4️⃣ Monitorização

Após iniciar:

Reavaliar em 6 a 8 semanas:

  • testosterona total
  • SHBG
  • testosterona livre

Objetivo:

manter testosterona dentro da faixa feminina.

5️⃣ Faixa normal feminina (aproximada)

Mulheres adultas:

  • 15 – 70 ng/dL

Ideal na reposição:

  • 30 – 50 ng/dL

Resumo prático

A melhor estratégia geralmente é:

  • testosterona creme manipulado
  • dose 300 mcg/dia
  • aplicação 1x/dia na pele

Isso reproduz melhor a produção fisiológica feminina.

Se quiser, posso também te mostrar um protocolo clínico real usado por endocrinologistas com:

  • dose inicial
  • como ajustar
  • quando suspender ou reduzir.