Sondagem vesical de demora

Considerações iniciais

A sondagem vesical de demora (SVD) é um procedimento no qual um cateter urinário estéril, geralmente do tipo Foley, é introduzido pela uretra até a bexiga e permanece no local por um período prolongado. O cateter é mantido na bexiga por um pequeno balão inflado com água estéril, permitindo a drenagem contínua da urina para uma bolsa coletora. 

 

Qual a importância da sondagem vesical de demora?

A SVD tem papel fundamental em diversas situações clínicas, pois permite o esvaziamento contínuo da bexiga e o monitoramento preciso da diurese.

Principais indicações

  • Retenção urinária aguda ou crônica que não responde a medidas conservadoras.
  • Monitorização rigorosa do débito urinário em pacientes críticos (UTI, choque, sepse, grandes cirurgias).
  • Período perioperatório, especialmente em cirurgias prolongadas ou urológicas.
  • Obstrução do trato urinário inferior, como hiperplasia prostática benigna ou estenose uretral.
  • Bexiga neurogênica, quando o cateterismo intermitente não é viável.
  • Pacientes com lesões extensas na região perineal ou sacral, para evitar contaminação das feridas pela urina.
  • Cuidados paliativos, quando melhora o conforto do paciente.
  • Hematúria macroscópica com coágulos, utilizando sondas de três vias para irrigação vesical contínua.

 

Benefícios

  • Promove o esvaziamento completo da bexiga.
  • Alivia rapidamente a retenção urinária e a dor associada.
  • Permite medir com precisão o volume urinário hora a hora.
  • Auxilia no diagnóstico e tratamento da insuficiência renal pós-renal.
  • Facilita o manejo de pacientes graves e submetidos a grandes cirurgias.

 

Riscos e complicações

Apesar de ser um procedimento comum, a SVD não é isenta de riscos:

  • Infecção do trato urinário associada ao cateter (ITU-AC) – principal complicação.
  • Trauma uretral durante a inserção.
  • Hematúria.
  • Falsa via uretral.
  • Espasmos vesicais.
  • Formação de cálculos urinários em uso prolongado.
  • Obstrução da sonda por sedimentos ou coágulos.
  • Lesão uretral e estenose em casos de uso prolongado

🧰 MATERIAL NECESSÁRIO

  • Sonda Foley (geralmente 12–18 Fr)
  • Gel anestésico/lubrificante (ex: lidocaína gel)
  • Seringa com água destilada (para insuflar o balão)
  • Sistema coletor fechado
  • Luvas estéreis
  • Campo estéril
  • Antisséptico (clorexidina ou PVPI)
  • Gaze estéril

 

Escolha do tamanho das sondas

Os tamanhos das sondas vesicais de demora são definidos pela escala francesa (Fr), variando comumente de 10 a 24 Fr, onde 1 Fr equivale a 0,33 mm. Mulheres geralmente usam 14-16 Fr, enquanto homens utilizam 16-18 Fr. Tamanhos menores (5-10 Fr) são usados em pediatria e maiores (>20 Fr) para irrigação com coágulos. 

 

Tamanhos e Recomendações Comuns (Fr - French):

  • Neonatos/Bebês: 5 a 6 Fr.
  • Crianças: 8 a 10 Fr.
  • Mulheres Adultas: 12 a 16 Fr.
  • Homens Adultos: 14 a 18 Fr.
  • Hematúria/Coágulos (Irrigação): 18 a 24 Fr
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Figura ilustrativa mostranso os tipos mais usados em adultos

 

👨‍⚕️ PASSO A PASSO

1. Preparação

  • Explicar o procedimento ao paciente
  • Higienizar as mãos
  • Posicionar:
    • Homem → decúbito dorsal
    • Mulher → posição ginecológica

 

2. Técnica asséptica

  • Calçar luvas estéreis
  • Fazer antissepsia:

👨 Homem:

  • Limpar glande (movimento circular do meato para fora)

👩 Mulher:

  • Limpar da frente para trás (evita contaminação fecal)

 

3. Lubrificação e anestesia

  • Instilar gel de lidocaína gel na uretra Instilar gel de lidocaína 2% na uretra (10–20 mL), aguardando 5 a 10 minutos para analgesia e lubrificação.
  • Aguardar ~1–2 minutos

 

4. Introdução da sonda

👨 Homem:

  • Segurar o pênis a 90°
  •  Como segurar a glande - Segure o pênis com a mão não dominante
  • Apreensão logo abaixo da glande (região do sulco balanoprepucial)
  • Tracione suavemente o pênis para cima e para frente (≈ 60–90° em relação ao abdome)
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👉 Objetivo:

  • Retificar a uretra anterior
  • Facilitar a progressão da sonda
  • Introduzir lentamente até bifurcação da sonda

👩 Mulher:

  • Visualizar o meato uretral
  • Introduzir cerca de 5–7 cm

👉 Avançar até sair urina

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5. Insuflar o balão

  • Após saída de urina:
    • Insuflar com 10 mL de água destilada (geralmente). O volume varia de acordo com a prescrição do fabricante (geralmente entre 5 ml a 15 ml para adultos).

⚠️O balonete da sonda vesical de demora deve ser inflado exclusivamente com água destilada. Nunca use soro fisiológico (pode cristalizar e obstruir o lúmen) ou ar (o balão pode flutuar).

⚠️ Nunca insuflar sem confirmação de que está na bexiga

 

6. Fixação

  • Tracionar levemente até sentir resistência
  • Conectar ao sistema coletor fechado
  • Fixar:
    • Homem → abdome inferior
    • Mulher → face interna da coxa

 

7. Finalização

  • Garantir que a bolsa fique abaixo da bexiga
  • Registrar procedimento

⚠️Recolocar prepúcio (se homem) importante para evitar parafimose, lesão por estrangulamento peniano em caso de edema posteriormente ao cateterismo urinário.



     

⚠️ CUIDADOS IMPORTANTES

  • Técnica estéril sempre (prevenção de ITU)
  • Evitar desconexões do sistema
  • Manter drenagem livre (sem dobras)
  • Reavaliar necessidade diariamente

 

🚫 CONTRAINDICAÇÃO RELATIVA

Suspeita de lesão uretral:

  • Sangue no meato
  • Trauma pélvico
  • Próstata “alta” ao toque

👉 Nesses casos → considerar cistostomia

 

❗ COMPLICAÇÕES

  • Infecção urinária (mais comum)
  • Trauma uretral
  • Falsa via
  • Hematúria

Fontes

https://www.medway.com.br/conteudos/sonda-vesical-de-demora-saiba-tudo-sobre-o-procedimento/https://med.estrategia.com/portal/conteudos-gratis/procedimentos/resumo-sobre-sonda-vesical-de-demora-indicacoes-contra-indicacoes-e-mais/

https://www.unimed.coop.br/site/web/aracatuba/orientacoes-de-alta-ao-paciente-em-uso-de-sonda-vesical-de-demora

https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/portal/pdf/saude24b202104.pdf