REVERSÃO DA ANTICOAGULAÇÃO POR HEPARINAS
1. Para reverter na hepatina não fracionada
Primeiramente, para reversao na heparina não fracionada. O medicamento utilizado é o sulfato de protamina EV
Cada 1mg de protamina neutraliza 100 UI de heparina.
A velocidade de infusão de protamina deve ser lenta: não deve ultrapassar 20 mg/min e 50 mg em um período de 10 minutos (redução de efeitos colaterais como hipotensão e bradicardia).
Há risco de 1% de anafilaxia em pacientes que já receberam protamina (ex: usuários de insulina NPH);
A protamina reverte cerca de 60-75% do efeito anticoagulante da enoxaparina;
A meia vida da HNF é de 60 a 90 minutos, da enoxaparina é de 3 a 6 horas e da protamina é de 7 minutos;
DOSE DE PROTAMINA
2. Para reverter na hepatina de baixo peso molecular ( ENOXAPARINA)
Enoxaparina: administrar 1mg de protamina para cada 1 mg de enoxaparina se enoxaparina foi administrada nas últimas 8 horas. Se continuar o sangramento: administrar dose adicional de 0.5 mg de protamina para cada 1 mg de enoxaparina;
Deve-se calcular corretamente a dose da protamina, pois em doses excessivas, a mesma possui efeito anticoagulante.
DOSE DE PROTAMINA
Estratégias com a Protamina
1. Primeira medida
Avaliar:
2. Reversão com protamina
A protamina neutraliza a HNF.
Regra prática
1 mg de protamina neutraliza ~100 UI de heparina ativa.
Mas deve-se considerar o tempo desde a última aplicação.
3. Como calcular
Se o paciente recebeu: 20.000 UI SC. E o sangramento ocorreu logo após aplicação:
dose teórica ≈ 200 mg de protamina.
PORÉM:
não se administra isso integralmente de rotina, porque aumenta risco de: hipotensão, reação anafilactoide, anticoagulação paradoxal.
4. Estratégia prática mais usada
Sangramento importante
Frequentemente faz-se: 25–50 mg EV lenta inicialmente, reavaliando:
Pode repetir doses adicionais.
5. Administração correta
A Protamina deve ser feita: EV lenta, geralmente em 10–15 minutos, nunca em bolus rápido. Porque pode causar:
hipotensão grave, bradicardia, colapso cardiovascular.
6. Em pacientes dialíticos
Maior atenção: uremia causa disfunção plaquetária, sangramento pode persistir mesmo após reversão da heparina. Às vezes é necessário associar: transfusão, plasma, concentrado de hemácias, desmopressina em plaquetopatia urêmica.
7. Se sangramento for gravíssimo
Exemplos:
intracraniano,
retroperitoneal,
choque hemorrágico.
Pode ser necessário: reversão agressiva, UTI, suporte transfusional maciço, abordagem intervencionista/cirúrgica.
8. Monitorização após reversão
Importante
Na HNF subcutânea em altas doses terapêuticas:
a absorção pode ser prolongada e imprevisível, então pode haver “rebote” anticoagulante, principalmente em:
obesidade, insuficiência renal, edema importante. Às vezes são necessárias doses repetidas de protamina.
Contraindicações
A Protamina não possui contraindicações absolutas em situações de hemorragia grave com risco de vida, mas existem várias situações de alto risco em que seu uso exige muita cautela.
Principais contraindicações / situações de risco
1. Hipersensibilidade prévia à protamina
Maior preocupação: reação anafilática, broncoespasmo, choque. Especialmente em pacientes que já receberam protamina anteriormente.
2. Alergia a peixe
A protamina é derivada originalmente de esperma de salmão. Pacientes com alergia importante a peixe podem ter: maior risco de reação alérgica. Não é contraindicação absoluta, mas aumenta cautela.
3. Uso de insulina NPH
Insulina NPH, a NPH contém protamina. Esses pacientes podem desenvolver:
maior risco de reação anafilactoide.
Esse é um dos fatores de risco clássicos.
4. Vasectomia / infertilidade masculina
Pacientes vasectomizados podem desenvolver anticorpos antiprotamina.
Risco aumentado de: reação alérgica grave.
Reações graves
Efeitos adversos importantes
Hipertensão pulmonar / disfunção ventricular direita
A protamina pode causar: vasoconstrição pulmonar aguda, hipertensão pulmonar, falência de VD.
Muito relevante em: cirurgia cardíaca, pacientes críticos.
Trombocitopenia / coagulopatia complexa
Em alguns casos: a reversão completa pode aumentar risco trombótico, especialmente se o paciente ainda necessita anticoagulação. Importante: excesso de protamina também anticoagula. Dose excessiva pode paradoxalmente: prolongar coagulação, piorar sangramento. Então: não se deve “superdosar”
Fontes
https://www.hcrp.usp.br/revistaqualidade/uploads/Artigos/186/186.pdf