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Reposição oral de magnésio

Considerações iniciais

A melhor opção depende do objetivo da reposição, mas, de modo geral, sais orgânicos de magnésio apresentam melhor absorção intestinal e costumam ser mais bem tolerados do que os sais inorgânicos.

Qual eu escolheria?

1. Hipomagnesemia leve ou moderada em paciente internado ou ambulatorial

Primeira escolha:

  • Bisglicinato de magnésio (glicinato)

Vantagens:

  • Excelente absorção.
  • Menor incidência de diarreia.
  • Melhor adesão em uso contínuo.

2. Quando não houver bisglicinato

Citrato de magnésio é uma excelente alternativa.

3. Cloreto de magnésio 

É muito popular no Brasil, porém não é necessariamente a melhor opção do ponto de vista farmacocinético. Pode causar diarreia, especialmente em doses mais altas.

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Quanto de magnésio elementar?

Esse é o ponto mais importante. Os comprimidos não contêm apenas magnésio; eles contêm um sal de magnésio. O que interessa é a quantidade de magnésio elementar. Para reposição, geralmente utiliza-se:

  • 240–480 mg de magnésio elementar por dia, divididos em 2–3 tomadas.

Exemplo:

  • 120–240 mg de magnésio elementar, 2 vezes ao dia.

Exemplo de prescrição

Bisglicinato de magnésio

  • Administrar quantidade suficiente para fornecer 200–240 mg de magnésio elementar VO a cada 12 horas, por 5–7 dias, reavaliando com nova dosagem sérica.

(Como a quantidade de magnésio elementar varia conforme o fabricante, a prescrição deve ser ajustada conforme a bula do produto disponível.)

Citrato de magnésio

  • Dose equivalente a 200–400 mg de magnésio elementar por dia, dividida em 2 tomadas.

Quando evitar a via oral?

Prefira reposição intravenosa se houver:

  • Magnésio <1,2 mg/dL.
  • Arritmias.
  • Convulsões.
  • Tetania.
  • Hipocalemia refratária.
  • Má absorção intestinal.
  • Diarreia intensa.
  • Paciente sem possibilidade de uso da via oral.

O que dizem as diretrizes?

As recomendações da European Society of Cardiology (ESC), da Society of Critical Care Medicine (SCCM) e revisões da American Society of Nephrology (ASN) não apontam um sal oral específico como superior em todas as situações, mas reconhecem que:

  • Bisglicinato (glicinato) e citrato de magnésio apresentam melhor biodisponibilidade e tolerabilidade.
  • Óxido de magnésio, apesar de amplamente disponível e barato, tem absorção significativamente menor e causa mais efeitos gastrointestinais.

Na prática hospitalar e ambulatorial, se houver disponibilidade, o bisglicinato de magnésio costuma ser a melhor escolha para reposição oral prolongada, seguido pelo citrato de magnésio.

Fontes

  • COSTELLO, Rebecca B. et al. Clinical Guideline for Detection and Management of Magnesium Deficiency in Ambulatory Care. Nutrients, Basel, v. 17, n. 5, 2025.
  • FIROZ, M.; GRABER, M. Bioavailability of US commercial magnesium preparations. Magnesium Research, Montrouge, v. 14, n. 4, p. 257-262, 2001.
  • KIDNEY DISEASE: IMPROVING GLOBAL OUTCOMES (KDIGO). KDIGO Clinical Practice Guideline for Acute Kidney Injury. Kidney International Supplements, Amsterdam, v. 2, n. 1, p. 1-138, 2012.