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Interpretação de Radiografia de Tórax

Consideraçoes iniciais

O método é capaz de fornecer grande quantidade de informações anatômicas e fisiológicas, porém sua interpretação objetiva muitas vezes é difícil, uma vez que variações da técnica, idade e status fisiológico do paciente podem influenciar sua avaliação. 

Sua baixa sensibilidade demanda uma grande acurácia na interpretação.  Assim é importante olhar para a imagem lateral da radiografia que pode demonstrar 15% do pulmão que estava escondido na visão posteroanterior (PA) e também usar as informações clínicas para avaliar mais criticamente os achados radiográficos, é recomendado. 

Anatomia: O tórax pode ser dividido em um compartimento mediano, chamado mediastino, e dois laterais, constituídos pelas pleuras e pulmões. 

O pulmão direito possui duas cissuras (oblíqua e horizontal) que o dividem em lobos superior, médio e inferior e o pulmão esquerdo possui somente uma cissura (oblíqua) que o divide em lobos superior e inferior1. Na radiografia em PA o diâmetro cardíaco é normalmente menor que a metade do diâmetro transverso do tórax (índice cardiotorácico).

 

1 – Partes moles

Devemos analisar as partes moles em toda radiografia, com atenção para os tecidos supraclaviculares e torácicos laterais, além dos órgãos do abdome superior e das mamas.

 

2 – Arcabouço ósseo

O arcabouço ósseo faz parte da avaliação da radiografia de tórax. Devem ser sempre examinadas as costelas, as clavículas, o esterno e a cintura escapular.

 

3 – Parênquima pulmonar:

divisão em lobos Nem sempre é possível estimar com precisão a localização de lesões na radiografia simples de tórax. Contudo, o conhecimento do aspecto normal e da divisão dos lobos pulmonares é fundamental. Utilizamos como referência os septos interlobares, entre os quais estão as fissuras. O pulmão direito é composto por três lobos: superior, médio e inferior. Eles são separados por duas fissuras: horizontal (pequena) e oblíqua (grande). A horizontal divide o lobo superior dos lobos médio e  inferior. A oblíqua divide o lobo inferior dos demais lobos. A

O pulmão esquerdo é composto por dois lobos: superior e inferior (a língula é parte do lobo superior esquerdo). Estes são separados pela fissura oblíqua (grande). 

 

 

Sinal da silhueta

Este sinal é de grande utilidade na localização de lesões torácicas na radiografia simples. Ele baseia-se nos seguintes princípios:

• imagens compostas por densidades diferentes (ex: partes moles e ar), localizadas lado a lado, têm seus contornos facilmente diferenciados. Por exemplo, o coração está ao lado do lobo médio e da língula, mas é fácil diferenciar os contornos cardíacos.

• Imagens com densidades iguais, lado a lado, perdem os seus contornos. Por exemplo, a pneumonia do lobo médio tem densidade de partes moles e borra os contornos cardíacos direitos, pois o coração também tem densidade de partes moles.

• Imagens com densidades iguais, em níveis diferentes (ex: anterior e posterior), têm os contornos mantidos. Por exemplo, a pneumonia do lobo inferior direito tem densidade de partes moles, mas não borra os contornos cardíacos direitos, pois o coração, apesar de também ter densidade de partes moles, é anterior, e o lobo inferior direito é posterior.

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4 – Hilos pulmonares

Nos hilos pulmonares encontram-se brônquios, artérias, veias e linfáticos. O que visualizamos na radiografia é uma somatória destas estruturas. 

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5 – Cúpulas diafragmáticas e seios costofrênicos

De um modo geral, a cúpula diafragmática esquerda é mais baixa que a direita, devido à posição esquerda do coração no tórax

Os seios costofrênicos (laterais, anteriores e posteriores) são ângulos formados pelo encontro das cúpulas diafragmáticas com a parede torácica

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6 – Mediastino

O mediastino é o espaço entre os pulmões, que pode ser dividido em :

• superior: localizado acima do nível da vértebra T5 (mais ou menos no nível da carina);

• inferior: situado abaixo do nível de T5.

Outra divisão do mediastino, até mais comumente empregada, é a seguinte:

• anterior: borda posterior do esterno até a borda posterior do coração;

• médio: borda posterior do coração até a borda anterior da coluna vertebral;

• posterior: a partir da borda anterior da coluna vertebral.

O conhecimento das linhas mediastinais é importante na avaliação da radiografia simples de tórax:

• Linha de junção anterior: ponto de encontro entre os pulmões anteriormente. Fica na linha mediana e abaixo do manúbrio esternal. É vista em 20% das radiografias de tórax. Abaulamentos desta linha indicam lesões anteriores.

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Linha de junção posterior:

ponto de encontro entre os pulmões posteriormente. Pode estar localizada acima do manúbrio esternal. Abaulamentos desta linha são decorrentes de lesões posteriores.

 

Linha da veia cava superior :

situada à direita da coluna vertebral, dirigindo-se para o átrio direito.

 

Linha da artéria subclávia esquerda :

a artéria subclávia esquerda emerge do arco da aorta e se dirige antero-superiormente à esquerda. Visualizada na maior parte das radiografias

 

Linha da aorta descendente :

deve estar à esquerda da coluna vertebral. A porção ascendente da aorta é de difícil visualização, a não ser que haja uma ectasia ou um aneurisma da aorta

Linhas paratraqueais :

são finas; a direita é mais facilmente visualizada (cerca de 60% das radiografias). Alargamentos podem ocorrer em diversas condições, como hematomas, linfonodomegalias, massas mediastinais ou tumores traqueais.

 

Linha do recesso azigoesofágico :

formada pela junção da veia ázigos com o esôfago. Abaulamentos desta linha podem ser decorrentes de linfonodomegalias, carcinoma esofágico, dilatação da ázigos, cistos broncogênicos, etc.

 

Linhas cardíacas:

do lado direito o contorno cardíaco normal é dado pelo átrio direito. À esquerda o contorno decorre de três estruturas: tronco arterial pulmonar, átrio esquerdo e ventrículo esquerdo .

 

Linhas paravertebrais:

geralmente são imperceptíveis. Podem estar alargadas em caso de alterações no mediastino posterior (abscessos, neoplasias, ectasia da ázigos) ou na própria coluna vertebral (osteófitos, tumores).

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Figura  Divisão do mediastino em compartimentos anterior, médio e posterior.

 

O espaço retroesternal  também é um local que deve ser avaliado com cuidado na radiografia (em perfil). Geralmente é hipertransparente, ocupado apenas por parênquima pulmonar. A obliteração com opacificação do mesmo é comumente vista em massas mediastinais anteriores, como timoma, teratoma ou linfoma.

Podemos também avaliar outras estruturas mediastinais na radiografia em perfil, como a traquéia, o coração, a aorta descendente, as artérias pulmonares e a veia cava inferior.

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https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/04/882682/interpretando-a-radiografia-de-torax-na-emergencia.pdf

https://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/arquivosUpload/17723/material/1402.pdf