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Manejo terapêutico e a estratificação de risco de sangramento nas varizes esofágicas.

Considerações iniciais

O manejo depende de:

  1. Calibre da variz (Forma – F1, F2, F3)
  2. Presença de sinais da cor vermelha (RWM, CRS, HCS, DR)
  3. História de sangramento prévio
  4. Classe de Child-Pugh
  5. Presença de varizes gástricas associadas

 

1️⃣ VARIZES SEM ALTO RISCO

🔹 CW ou CB

🔹 F1

🔹 Sem sinais vermelhos

🔹 Sem sangramento prévio

📌 Risco baixo de sangramento

✅ Conduta

  • Betabloqueador não seletivo (BBNS):
    • Propranolol
    • Nadolol
    • Carvedilol (preferido se tolerado)
  • Ajustar para FC 55–60 bpm ou dose máxima tolerada
  • Sem necessidade de ligadura elástica
  • Repetir EDA em:
    • 1–2 anos (compensado)
    • 1 ano (Child B/C)

📚 Evidência: profilaxia primária eficaz, reduz progressão e sangramento.

 

2️⃣ VARIZES DE RISCO INTERMEDIÁRIO

🔹 F1 com sinais vermelhos

OU

🔹 F2 sem sinais vermelhos

📌 Risco moderado

✅ Conduta (profilaxia primária)

Escolher uma das opções:

🔹 Betabloqueador não seletivo
OU
🔹 Ligadura elástica endoscópica (LEVE)

📌 Preferir BBNS se:

  • Boa adesão
  • Sem contraindicação

📌 Preferir LEVE se:

  • Intolerância ou contraindicação ao BBNS

 

3️⃣ VARIZES DE ALTO RISCO

🔴 F2 ou F3

🔴 Com sinais da cor vermelha*

(RWM, CRS, HCS, DR)

📌 Alto risco de sangramento

✅ Conduta obrigatória

✔️ Profilaxia primária combinada (dependendo do cenário):

  • BBNS + Ligadura elástica seriada

📌 Ligaduras:

  • A cada 2–4 semanas
  • Até erradicação das varizes

📌 Reavaliação endoscópica após erradicação:

  • 3–6 meses
  • Depois anual

 

4️⃣ PACIENTE COM SANGRAMENTO PRÉVIO (independente da classificação atual)

📌 Profilaxia secundária

✅ Conduta padrão-ouro

✔️ BBNS + ligadura elástica seriada

⚠️ Monoterapia isolada não é suficiente

 

5️⃣ VARIZES GÁSTRICAS ASSOCIADAS (Lgc / Lgf)

📌 Mudam o manejo!

🔹 Lgc (cárdia)

  • Pode seguir estratégia semelhante às esofágicas

🔹 Lgf (fundo gástrico) ⚠️ Ligadura elástica NÃO é método ideal

- Opções

  • Injeção de cianoacrilato
  • TIPS (se recorrência ou alto risco)
  • Avaliar radiologia intervencionista

 

6️⃣ EPISÓDIO AGUDO DE SANGRAMENTO (independente da classificação)

🚨 Conduta imediata

  1. Terlipressina ou octreotida EV
  2. Antibioticoprofilaxia (ceftriaxona)
  3. Endoscopia em até 12h
  4. Ligadura elástica (se esofágica)
  5. Avaliar TIPS precoce se:
    • Child C (≤13)
    • Child B + sangramento ativo

            RESUMO PRÁTICO (MAPA MENTAL)

🟢 F1 sem sinais vermelhos
→ BBNS

🟡 F1 com sinais vermelhos OU F2 sem sinais
→ BBNS ou LEVE

🔴 F2/F3 com sinais vermelhos*
→ BBNS + LEVE

🔴 Sangramento prévio
→ BBNS + LEVE

🔴 Varizes de fundo gástrico
→ Cianoacrilato / TIPS

📌 Mensagem-chave

👉 Os sinais da cor vermelha (⭐) são o principal marcador de risco
👉 F3 e sinais vermelhos = intervenção obrigatória
👉 Profilaxia secundária sempre combinada

 

🎯 PRINCÍPIO-CHAVE QUANTO AOS BETA-BLOQUEADORES

  • Carvedilol ↓ pressão portal mais intensamente
  • Propranolol é mais seguro em cenários hemodinamicamente frágeis

🟢 QUANDO PREFERIR CARVEDILOL

(β-bloqueio + bloqueio α1 → maior vasodilatação intra-hepática)

✅ Indicações ideais

✔️ Profilaxia primária do sangramento
✔️ Varizes F2–F3 ou com sinais vermelhos
✔️ Hipertensão portal clinicamente significativa (CSPH)
✔️ HAS associada
✔️ Paciente Child A ou B inicial, estável

📉 Benefícios

  • Redução da pressão portal maior que propranolol
  • Pode prevenir progressão da cirrose
  • Melhor controle pressórico sistêmico

💊 Dose usual

  • Iniciar: 3,125 mg 2×/dia
  • Alvo: 6,25 mg 2×/dia (máx. 12,5 mg/dia)

📌 Não titular pela FC, e sim pela tolerância hemodinâmica

🔴 QUANDO EVITAR CARVEDILOL

⚠️ Importante

❌ Ascite refratária
❌ PAS < 90 mmHg
❌ Hiponatremia (<130 mEq/L)
❌ IRA ou síndrome hepatorrenal
❌ Child C instável

📚 Nesses casos → propranolol ou suspender BBNS

 

🔵 QUANDO PREFERIR PROPRANOLOL

(β1/β2 não seletivo clássico)

✅ Indicações ideais

✔️ Profilaxia secundária (sempre + ligadura)
✔️ Paciente com:

  • Ascite moderada a importante
  • PAS limítrofe
  • Risco de hipotensão
    ✔️ Child B avançado ou C (estável)
    ✔️ Necessidade de titulação guiada por FC

📉 Benefícios

  • Maior segurança em cirrose avançada
  • Melhor experiência em sangramento prévio

💊 Dose usual

  • Iniciar: 20 mg 2×/dia
  • Titular até:
    • FC 55–60 bpm
    • ou dose máx. tolerada (geralmente até 80–160 mg/dia)

 

🟡 SITUAÇÕES EM QUE AMBOS SÃO ACEITÁVEIS

  • F1 com sinais vermelhos
  • F2 sem sinais vermelhos
  • Paciente compensado, sem comorbidades hemodinâmicas

👉 Escolha baseada em:

  • PA basal
  • Presença de ascite
  • Tolerância clínica

 

🧠 MENSAGEM-CHAVE  DE PLANTÃO

👉 Carvedilol é mais potente, porém menos tolerável
👉 Propranolol é menos potente, porém mais seguro
👉 Quanto mais avançada a cirrose, menos vasodilatação sistêmica você pode permitir

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🔴 PRINCÍPIO GERAL DE TRATAMENTO CONFORME A SITUAÇÃO CLÍNICA E COMORBIDADES (Baveno VII)

👉 Betabloqueador NÃO é obrigatório a qualquer custo
👉 Em cirrose avançada, o alvo é segurança hemodinâmica, não dose “ideal”

1️⃣ PACIENTE COM ASCITE

🟡 Ascite leve ou moderada (controlada)

✔️ Pode usar BBNS, com preferência por:

➡️ Propranolol (mais seguro)

💊 Como usar

  • Início: 20 mg 2×/dia, titular lentamente
  • Alvo:
    • FC 55–60 bpm OU
    • dose máxima tolerada

⚠️ Evitar:  Carvedilol (vasodilatação α1 → piora da perfusão renal)

 

🔴 Ascite refratária

⚠️ Situação de alto risco

🚫 Conduta

  • Evitar carvedilol
  • Propranolol geralmente contraindicado
  • Se já estiver em uso: Reduzir ou suspender

📌 Indicadores de suspensão:

  • PAS < 90 mmHg
  • Creatinina em elevação
  • Hiponatremia (<130)

📚 Evidência: aumento de mortalidade em ascite refratária com BBNS.

 

2️⃣ PACIENTE COM HIPOTENSÃO

🔴 PAS < 90 mmHg ou PAM < 65

🚫 Não usar BBNS

🟡 PAS 90–100 mmHg

✔️ Pode tentar com extremo cuidado

Preferir ➡️ Propranolol

💊 Estratégia

  • Iniciar 10–20 mg 1–2×/dia
  • NÃO usar carvedilol
  • Reavaliar PA em 48–72h

📌 Se queda de PA >10 mmHg → suspender

 

3️⃣ PACIENTE COM DRC (Doença Renal Crônica)

🟡  DRC leve–moderada (TFG > 45)

✔️ BBNS pode ser usado

➡️ Preferir propranolol

  • Metabolismo hepático
  • Menor impacto na hemodinâmica renal

🔴 DRC avançada (TFG < 30) ou IRA

⚠️ Alto risco

Conduta

  • Evitar carvedilol
  • Propranolol:
    • apenas se estritamente necessário
    • em dose baixa
    • com monitorização frequente

📌 Suspender imediatamente se:

  • Creatinina ↑ progressiva
  • Oligúria
  • Hiponatremia

 

4️⃣ SÍNDROME HEPATORRENAL (SHR)

🚫 BBNS contraindicado

  • Suspender imediatamente
  • Priorizar:
    • Albumina
    • Vasoconstritor (terlipressina/noradrenalina)
    • Avaliar TIPS / transplante

 

5️⃣ QUANDO SUSPENDER BBNS (REGRA DE OURO)

Suspender se qualquer abaixo ocorrer:

🔴 PAS < 90 mmHg
🔴 PAM < 65 mmHg
🔴 Creatinina em elevação
🔴 Hiponatremia < 130
🔴 Ascite refratária
🔴 Sepse / infecção ativa
🔴 Sangramento digestivo agudo (temporariamente)

Fontes

1. GARCIA-TSao, G.; et al. Portal Hypertensive bleeding in cirrhosis: risk stratification, diagnosis, and management: 2016 Practice Guidance by the American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD). Hepatology, v. 65, n. 310–335, 2017. 

2. de FRANCHIS, R.; BOSCH, J.; GARCIA-TSAO, G.; et al. Baveno VII — renewing consensus in portal hypertension. Journal of Hepatology, v. 76, p. 959–974, 2022. 

3. WORLD GASTROENTEROLOGY ORGANISATION. Guidelines: Varizes Esofágicas. World Gastroenterology Organisation, 2015. Disponível em: https://www.worldgastroenterology.org/guidelines/esophageal-varices/esophageal-varices-portuguese. Acesso em: 06 dez. 2025. 

4. EUROPEAN ASSOCIATION OF THE STUDY OF THE LIVER (EASL). EASL Clinical Practice Guidelines: management of patients with decompensated cirrhosis. Journal of Hepatology, 2018. 

5. COELHO, F. F.; PERINI, M. V.; KRUGER, J. A. P.; et al. Management of variceal hemorrhage: current concepts. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva, v. 27, n. 2, p. 138–144, 2014.  

6. SCOPH, C. R.; BORÉM-LOPES, J. R.; et al. Abordagem das varizes de esôfago no paciente cirrótico: rastreamento, profilaxia primária e conduta no sangramento agudo. RMMG, 2019.