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Manejo  de contactante de Hanseníase

Considerações iniciais

Contactante de Hanseníase (domiciliar ou contato íntimo e prolongado).

1️⃣ Primeira conduta (sempre)

Antes de qualquer profilaxia:

✅ Exame dermatoneurológico completo

Manchas com alteração de sensibilidade

Espessamento neural

Parestesias

Se houver suspeita → investigar e tratar como caso, não como contactante.

Se assintomático, seguir para profilaxia.

 

2️⃣ Quimioprofilaxia – SDR (dose única de rifampicina)

Recomendação atual do Ministério da Saúde e OMS:

👉 Rifampicina dose única (SDR – Single Dose Rifampicin)

✔ Adulto

600 mg VO, dose única

✔ Criança

10–15 mg/kg (máximo 600 mg), dose única

📌 Condições para fazer:

  • Ausência de sinais de hanseníase
  • Sem tuberculose ativa
  • Sem contraindicação à rifampicina
  • Não estar usando rifampicina por outro motivo

 

3️⃣ Vacina BCG

A BCG tem efeito protetor parcial contra hanseníase.

🔎 Avaliar cicatriz vacinal:

Situação                                            Conduta

Sem cicatriz                                      1 dose

1 cicatriz                                            1 dose adicional

2 cicatrizes                                        Não vacinar

Isso vale para adulto e criança.

 

⚠ Em imunossuprimidos importantes (ex: HIV com CD4 baixo), avaliar risco-benefício.

 

👶 Particularidades na infância

Crianças < 5 anos → acompanhamento mais próximo

Exame anual por pelo menos 5 anos

Pais orientados a observar manchas ou alteração de sensibilidade

 

4️⃣ Seguimento

Todo contactante deve:

  • Fazer avaliação anual por 5 anos
  • Retornar imediatamente se surgirem lesões suspeitas

O manejo precisa ser criterioso, quando envolve HIV + contato domiciliar com hanseníase.

📌 Primeiro ponto: risco aumentado

Paciente com HIV tem maior risco de evolução para formas clínicas após exposição ao Hanseníase, especialmente se houver imunossupressão importante (CD4 baixo).

✅ Conduta recomendada

1️⃣ Avaliação clínica imediata

Realizar:

  • Exame dermatoneurológico completo
  • Pesquisa de manchas hipocrômicas ou eritematosas com alteração de sensibilidade
  • Avaliação de nervos periféricos (espessamento/dor)
  • Se houver lesões suspeitas → encaminhar para confirmação diagnóstica e início de PQT.

 

2️⃣ Quimioprofilaxia pós-exposição

Hoje é recomendada dose única de rifampicina (SDR – Single Dose Rifampicin) para contatos domiciliares, desde que:

  • Não haja sinais clínicos de hanseníase
  • Não haja suspeita de tuberculose ativa
  • Não haja contraindicação ao uso de rifampicina

⚠️ Importante: em paciente com HIV, deve-se avaliar interação com antirretrovirais.

 

3️⃣ BCG

Para contatos de hanseníase:

a) Se sem cicatriz de BCG → aplicar 1 dose

b) Se 1 cicatriz → aplicar 1 dose adicional

No caso de paciente com HIV:

Se CD4 > 200 → pode receber BCG

Se CD4 < 200 → geralmente evitar vacina viva (avaliar caso a caso)

 

⚠️ Atenção especial no HIV

Verificar carga viral

Verificar CD4

Garantir adesão à TARV

Monitorar mais de perto (seguimento anual por pelo menos 5 anos)

Fontes

1. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia prático sobre a hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.

2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da hanseníase como problema de saúde pública: manual técnico-operacional. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy. New Delhi: WHO Regional Office for South-East Asia, 2018.

4. MOET, F. J. et al. Effectiveness of single dose rifampicin in preventing leprosy in close contacts of patients with newly diagnosed leprosy: cluster randomised controlled trial. BMJ, London, v. 336, n. 7647, p. 761–764, 2008.

5. ARAÚJO, M. G. Hanseníase no Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Uberaba, v. 36, n. 3, p. 373–382, 2003.