Tratamento da Leucemia Mielóide Crônica
Considerações iniciais
O tratamento da Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é hoje altamente eficaz, baseado principalmente no uso de inibidores de tirosina-quinase (ITQ), que bloqueiam a atividade do gene BCR-ABL (resultado do cromossomo Filadélfia).
🧬 Objetivo do tratamento na LMC
1️⃣ Tratamento de primeira linha
🔹 Inibidores de tirosina-quinase (ITQ)
🥇 Imatinibe
🥇 Alternativas de 1ª linha (mais potentes):
📌 Hoje, muitos pacientes iniciam já com ITQ de 2ª geração, especialmente se:
2️⃣ Escolha do ITQ inicial depende de:
Exemplos:
3️⃣ Monitorização da resposta (essencial!)
O tratamento não é empírico, ele é monitorado por PCR quantitativo (BCR-ABL).
Metas clássicas:
📌 Falha em atingir metas → trocar ITQ.
4️⃣ Se houver falha ou resistência
Condutas:
🔹 Mutação T315I:
5️⃣ Transplante de células-tronco hematopoéticas
Hoje é exceção, indicado quando:
6️⃣ Tratamento conforme a fase da LMC
🟢 Fase crônica (≈ 90% dos casos)
🟡 Fase acelerada
🔴 Crise blástica
7️⃣ Duração do tratamento
Na Leucemia Mieloide Crônica (LMC), o perfil de risco é uma forma padronizada de estratificar o paciente no diagnóstico, estimando prognóstico e ajudando na escolha inicial do inibidor de tirosina-quinase (ITQ).
Os dois escores mais usados hoje são Sokal e ELTS (EUTOS Long-Term Survival).
🎯 Para que servem os escores de risco?
Eles ajudam a:
- Escore de Sokal
📅 Mais antigo (1984), ainda amplamente usado.
Variáveis utilizadas:
Classificação:
📌 Limitação:
- ELTS (EUTOS Long-Term Survival) – o mais recomendado atualmente
🔬 Criado já na era dos ITQ.
Variáveis utilizadas:
⚠️ As variáveis são as mesmas do Sokal, mas com pesos estatísticos diferentes.
O que o ELTS mede?
Classificação:
📌 Vantagem:
Como isso muda a conduta prática?
🔹 Baixo risco (ELTS)
🔹 Risco intermediário ou alto
- Outros escores (menos usados hoje)
Avaliação de comorbidades
As comorbidades são decisivas na escolha do tratamento da LMC, muitas vezes mais importantes que o próprio escore de risco, porque cada inibidor de tirosina-quinase (ITQ) tem um perfil específico de toxicidade.
🎯 Princípio geral
👉 Não existe “melhor ITQ” universal
👉 Existe o melhor ITQ para aquele paciente
A escolha depende de:
1️⃣ Comorbidades cardiovasculares
a) DAC, AVC prévio, DM, dislipidemia, tabagismo
⚠️ Evitar ou usar com cautela:
✔ Preferir:
📌 Imatinibe é o mais “cardio-seguro”.
b) Prolongamento de QT
(QT longo, antiarrítmicos, hipocalemia)
⚠️ Evitar:
✔ Preferir:
2️⃣ Doença pulmonar
DPOC, fibrose pulmonar, derrame pleural prévio
⚠️ Evitar:
✔ Preferir:
3️⃣ Doença hepática
(Hepatite crônica, cirrose, elevação de transaminases)
⚠️ Cuidado com:
✔ Preferir:
4️⃣ Doença renal crônica
(DRC moderada a grave)
📌 Ajustes de dose podem ser necessários.
5️⃣ Diabetes mellitus / síndrome metabólica
⚠️ Evitar:
✔ Preferir:
6️⃣ Distúrbios gastrointestinais
(Diarreia crônica, DII, intolerância GI)
📌 Ajustar conforme tolerância individual.
7️⃣Idade avançada / fragilidade
8️⃣ Gravidez e fertilidade
🔴 Situação especial: mutação T315I
Alternativas terapêuticas, conforme idade
Estudos mostram que:
👉 Por isso, o ajuste está na escolha do ITQ, não na exclusão do tratamento.
1️⃣ Paciente jovem (< 40–50 anos)
Objetivos:
Estratégia comum:
📌 Jovens geralmente toleram melhor os efeitos adversos
📌 Maior chance de atingir MR4–MR4.5 sustentada
2️⃣ Adulto de meia-idade (50–65 anos)
Estratégia individualizada:
📌 Muitos pacientes nessa faixa etária se beneficiam de imatinibe com excelente sobrevida.
3️⃣ Idoso (> 65–70 anos)
Mudança principal:
Estratégia preferida:
📌 A sobrevida desses pacientes geralmente é determinada mais pelas comorbidades do que pela LMC.
4️⃣ Muito idoso / frágil (> 80 anos ou fragilidade clínica)
📌 Resposta molecular profunda não é prioridade nesses casos.
5️⃣ Transplante e idade
Fontes
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