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HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA RESISTENTE- MANEJO

Considerações iniciais

Antigamente, pacientes de alto risco cardiovascular, como diabéticos e renais crônicos (DRC), também tinham metas diferenciadas. Contudo, as diretrizes mais recentes suspenderam esta recomendação.

Uma das principais evidências veio do estudo ACCORD BP. Nele, pacientes com DM tipo 2, nos EUA e Canadá, foram randomizados para dois grupos: um com meta de PA < 120 mmHg (tratamento intensivo) e outro com meta < 140 mmHg (controle). Os resultados mostraram que não houve diferença significativa entre os grupos no desfecho primário principal – morte cardiovascular, AVC e IAM. Houve, contudo, uma redução na taxa apenas de AVC, mas às custas de maior risco de eventos adversos (bradicardia, hipotensão, síncope, hipocalemia e insuficiência renal). O mesmo se aplica à população com DRC. A grande exceção são os pacientes com proteinúria significativa (> 1000 mg/24h). Neste subgrupo, a redução da PA, em especial com o uso de inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA), reduz a perda progressiva da função renal e o alvo é uma

Com isso, ainda há muito espaço para discussão em torno da melhor meta da PA. Talvez mais importante que garantir um alvo específico, seja aumentar nossa capacidade de atendimento e adesão ao tratamento. Lembrem que menos de 20% dos hipertensos no Brasil estão com a PA adequada.

 

Passo 1: defina uma meta para a PA

Pacientes com menos de 60 anos de idade devem iniciar anti-hipertensivos com o objetivo de manter a PA < 140/90 mmHg. Todavia, para pacientes idosos, há controvérsias: alguns autores defendem uma PA sistólica mais alta, entre 150-160 mmHg. Essa foi, por exemplo, a posição norte-americana no VIII Joint. Um argumento é que a PA muito baixa poderia aumentar o risco de quedas.

É bom lembrar que a rigidez vascular aumenta com a idade e é comum uma divergência entre a PA sistólica e a diastólica. No tratamento do idoso, deve-se evitar uma PA diastólica abaixo de 60 mmHg, mesmo às custas de uma maior PA sistólica. Além disso, a população idosa é mais susceptível aos efeitos colaterais das medicações e à polifarmácia. Contudo, há poucos estudos nesta população e ainda é cedo para conclusões definitivas.

O bom senso e as evidências atuais sugerem dividirmos os idosos em dois grupos:

- Idoso “saudável”, poucas comorbidades, maior expectativa de vida: meta < 140/90 mmHg.
- Idoso “frágil”, muitas comorbidades, demência senil, menor expectativa de vida: aceitar meta mais “complacente”, com PA sistólica até 160 mmHg.

 

Passo 2: defina as mudanças do estilo de vida

O estilo de vida como um pilar. As medias com maior impacto na vida real são: alimentação saudável, redução na ingesta de sódio e perda de peso. Algumas dicas práticas:

A dieta mais estudada na HAS é a DASH (Dietary Approach to Stop Hypertension), que consiste em aumentar vegetais, legumes, frutas, fibras, grãos integrais (inclui castanhas) e peixes e reduzir laticínios, carne vermelha e gordura saturada. Ou seja, ficar mais saudável.
Lembrar que sódio e sal não são a mesma coisa. A recomendação é restringirmos a 2g de sódio (Na+), equivalente a 6g de sal de cozinha (NaCl). E esse conceito não se aplica ao sal adicionado. Na conta devemos levar em consideração o sódio já presente nos alimentos. Enlatados, embutidos, macarrão instantâneo, molho de soja, presunto e similares, pizza e molhos prontos são “ alguns dos mais ricos nesse componente.
A perda de peso será mais rápida, eficaz e sustentada se aliada a um programa de exercícios físicos regulares. O ideal é um mínimo de 30 minutos 5x/semana ou 1 hora 3x/semana, de intensidade no mínimo moderada, e não passar mais que dois dias sem exercício. A HAS não é contra-indicação ao exercício, mesmo o tipo anaeróbico (musculação e afins). Contudo, você deve avaliar o paciente antes. Jovens, com HAS leve, assintomáticos e poucas comorbidades precisam apenas de avaliação clínica e um ECG em repouso. Já os idosos, com HAS mais grave e/ou na presença de sintomas devem realizar um teste ergométrico para analisarmos o comportamento da PA e do traçado de ECG durante o exercício.

Passo 3: a escolha da medicação

Atualmente, os fármacos de primeira linha no tratamento da HAS são: diuréticos tiazídicos, inibidores do SRAA (iECA e BRA) e bloqueadores dos canais de cálcio.

Os beta-bloqueadores tiveram, em alguns estudos, resultados inferiores aos demais e hoje são drogas “reservadas” para situações de doença arterial coronariana e/ou insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida.

Comparação entre  as classes de medicamentos

Os critérios envolvem escolher em função dos custos, posologia e efeitos colaterais. 

Diuréticos

São excelentes opções: boa eficácia, tomada única diária, baixo custo. São especialmente úteis em idosos, negros e obesos. O maior problema são os efeitos colaterais, como hipopotassemia, hiperuricemia, câimbras e piora do perfil metabólico. O mais utilizado é a hidroclorotiazida, contudo a clortalidona é a mais potente, tem maior meia vida e foi a mais estudada nos ensaios clínicos.
Bloqueadores de canais de cálcio

Os bloqueadores de canais de cálcio mais utilizados são os di-hidropiridínicos, sendo o anlodipino o protótipo da classe.  A dica aqui é começarem com o uso gradual, pois o principal efeito colateral é o edema de MMII, que é dose dependente. Apesar de muito intensivistas utilizarem anlodipino 20 mg/dia, na bula o limite de eficácia são 10 mg/dia.
IECA e BRA

Para a maioria dos autores, iECA e BRA são equivalentes, sendo que o iECA tem maior percentual de efeitos colaterais – tosse e angioedema. A Losartana é um BRA com efeito único, não compartilhados com outros BRAs: redução da hiperuricemia. Por isso, é uma das drogas de escolha nos pacientes com gota.
Associação entre anlodipino e losartana

Muito se discute da dose máxima dos anti-hipertensivos, em especial anlodipino e losartana. Na bula, aprovado, a dose máxima são 10 mg/dia anlodipino e 100 mg/dia losartana. Acima disso, ganha-se pouco na eficácia anti-hipertensiva e muito em efeitos colaterais.

Outra boa discussão também com estas drogas é a posologia diária. Mais uma vez recorrendo à bula, àquilo que é aprovado, ambas podem ser feitas 1x/dia. Facilitando a adesão ao tratamento. Contudo, no paciente mais grave, pode ser interessante melhorar a cobertura noturna, desde que isso não atrapalhe a adesão. O anlodipino tem meia vida de 30 a 50 horas e, no paciente em uso regular, seus efeitos duram > 24h. Já a losartana tem uma meia-vida entre 6 e 9 horas e as diretrizes falam em “uma ou duas tomada diárias”.
Tempo para resposta

Em geral, um anti-hipertensivo leva 3 a 4 semanas para atingir seu efeito pleno de redução da PA. Exceto em urgências hipertensivas, não adianta reavaliar o paciente em um período de tempo inferior a isso. 

 

ESQUEMAS TERAPÊUTICOS
O paciente que não atingir a meta de controle da PA com três fármacos, incluindo um diurético, deve ser avaliado quanto à presença de HAS resistente. O primeiro passo é solicitar uma MAPA ou um MRPA para afastar um “efeito do jaleco branco”.

Se de fato for HAS resistente, a 4ª droga poderá ser clonidina ou espironolactona

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Estratégia

Segundo as diretrizes mais recentes da European Society of Cardiology (2024) e das diretrizes brasileiras, a sequência de tratamento da Hipertensão Arterial Resistente segue uma lógica em etapas. 

Conceito

Primeiro, define-se hipertensão resistente quando a PA permanece acima da meta apesar do uso otimizado de:

1 bloqueador do sistema renina-angiotensina
(IECA ou BRA)

1 bloqueador de canal de cálcio

                        +

1 diurético tiazídico/tiazídico-like

                        +

em doses máximas toleradas. 

Sequencia terapêutica

A sequência prática mais aceita hoje é:

1ª etapa — terapia tripla otimizada

Preferência atual:

  • IECA ou BRA
  • BCC diidropiridínico
  • Diurético tiazídico de longa ação

Exemplos:

losartana/valsartana + anlodipino + clortalidona ou indapamida

A clortalidona e a indapamida são preferidas à hidroclorotiazida em HAR pela maior potência e duração. 

 

2ª etapa — confirmar se é “verdadeira” resistência

Antes de aumentar medicação, as diretrizes mandam excluir:

  • má adesão
  • efeito avental branco
  • doses inadequadas
  • excesso de sal
  • álcool
  • AINEs
  • apneia do sono
  • hiperaldosteronismo
  • doença renal
  • estenose de artéria renal 

 

3ª etapa —  acrescentar a  4ª droga: espironolactona

Hoje a recomendação mais forte é adicionar:

Espironolactona 25–50 mg/dia

Ela é considerada a melhor quarta droga para HAR, principalmente após o estudo PATHWAY-2. 

Monitorar:

  • potássio
  • creatinina
  • função renal

Evitar ou usar cautela:

TFG < 30

hipercalemia

 

4ª etapa — se não controlar

As diretrizes sugerem individualizar:

opções:

  • betabloqueador vasodilatador (carvedilol, nebivolol, bisoprolol)
  • clonidina
  • doxazosina
  • amilorida
  • eplerenona 

 

5ª etapa — hipertensão refratária

Se ainda persistir:

encaminhar especialista

investigar causas secundárias raras

considerar:

-- denervação renal

-- terapias avançadas em centros especializados ​​​​​​​

Outros medicamentos

Minoxidil 

Apresentação : comprimido de 10mg

Mecanismo não bem compreendido. Tem efeito vasodilatador direto sobre arteríolas e pouco efeito sobre as veias (assim reduz a resistência periférica, levando ao aumento da frequência cardíaca e do débito cardíaco).

Como se usa

Inicio : iniciar com 5 mg por dia, em dose única. Ir aumentando a dose para 10 mg, 20 mg e depois 40 mg (em dose única ou dividida), se houver necessidade.

Manutenção : A dose de manutenção se situa entre 10 e 40 mg por dia. A dose máxima é de 100 mg por dia.

Hidralazina

Apresentação : comprimido de 25mg ou 50mg

Atua causando vasodilatação por ação direta na musculatura lisa arterial, diminuindo assim a pressão arterial. Na insuficiência cardíaca congestiva promove aumento direto no débito cardíaco, secundário à diminuição da resistência sistêmica. 

Como se usa - pode ser, inicialmente, pela aplicação de duas doses de 25 mg ao dia. Assim, conforme a necessidade do paciente pode ir aumentando a quantidade por dose dentro de 50 a 200 mg diários. Lembrando que, paciente idoso deve fazer o uso desse medicamento com ajuste de dose, devido a diminuição da função renal.

Clonidina

Apresentação 

Comprimido 0,1 mg (100 mcg), 0,15 mg (150 mcg) e  de 0,2 mg (200 mcg)

Atua por estímulo alfa 2-adrenérgico central, diminuindo os impulsos simpáticos que vão aos vasos periféricos, aos rins e ao coração; diminui assim a resistência periférica, a resistência vascular renal, a pressão arterial sistólica e diastólica e a frequência cardíaca.

Inicio: Iniciar com 0,1 mg, 2 vezes por dia; se necessário, aumentar a dose em 0,1 mg por dia, com intervalos de 7 dias. 

Manutenção: 0,2 a 0,6 mg por dia, em doses divididas (a última dose deve ser administrada antes de dormir).

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Fontes:

https://pebmed.com.br/hipertensao-arterial-sistemica-plano-terapeutico/?utm_source=artigoportal&utm_medium=copytext

https://www.medicinanet.com.br/conteudos/medicamentos/801/minoxidil_oral.htm

https://www.sanarmed.com/resumo-de-hidralazina-ligas

https://www.scielo.br/j/abc/a/jnsfdgW5BP3rPcYZRSbF4Zj/?lang=pt

http://publicacoes.cardiol.br/portal/abc/portugues/2020/v11403/pdf/11403028.pdf

https://www.scielo.br/j/abc/a/Z6m5gGNQCvrW3WLV7csqbqh/?lang=pt