EPIGLOTITE AGUDA - DIAGNÓSTICO
Considerações iniciais
A epiglotite aguda é uma condição potencialmente fatal com sérias implicações, devido ao potencial de laringoespasmo e perda irreversível das vias aéreas. A epiglotite aguda pode ocorrer em qualquer idade. O diagnóstico precoce, com intervenção cuidadosa e rápida, é essencial para evitar complicações que podem levar à morte. Há edema inflamatório das aritenoides, das pregas ariepiglóticas e da epiglote, portanto, o termo supraglotite pode ser usado em vez de, ou até mesmo preferido a, epiglotite aguda.
CAUSAS
A epiglotite aguda pode ocorrer em qualquer idade. O organismo responsável costumava ser o Haemophilus influenzae tipo B (Hib), mas a infecção por estreptococos beta-hemolíticos do grupo A tornou-se mais frequente após o uso generalizado da vacinação contra Haemophilus influenzae. Existem diferenças nas tendências, ocorrências e manejo da epiglotite aguda entre crianças e adultos. Há também maior diversidade na causa da epiglotite em adultos.
Em adultos, observa-se uma etiologia microbiológica mais diversa, com culturas de escarro e hemoculturas frequentemente negativas para Hib. Alguns casos de epiglotite foram atribuídos a Candida spp. Causas não infecciosas de epiglotite podem incluir trauma por objetos estranhos, inalação e queimaduras químicas, ou estar associadas a doenças sistêmicas ou reações à quimioterapia.
A presença de disfagia, sialorreia e estridor subsequentes a lesões térmicas ou cáusticas deve alertar o médico assistente para a possibilidade de lesão das estruturas supraglóticas com consequente epiglotite. Lesões epiglóticas desse tipo devem ser suspeitadas em pacientes com transtornos mentais ou dificuldades de comunicação.
Em adultos jovens, a epiglotite aguda tem sido descrita como sendo causada pela inalação de objetos aquecidos durante o uso de drogas ilícitas; os sintomas, sinais, achados radiográficos e laringoscópicos são semelhantes aos da epiglotite infecciosa. Esses adultos apresentam muitas das características observadas na epiglotite infecciosa aguda e devem ser tratados com a mesma atenção para possível obstrução das vias aéreas superiores.
SINTOMAS E SINAIS
A apresentação típica da epiglotite inclui o surgimento agudo de febre alta, dor de garganta intensa e dificuldade para engolir, mesmo com a pessoa sentada e inclinada para a frente a fim de melhorar o fluxo de ar. Geralmente há salivação excessiva devido à dificuldade e dor ao engolir. A epiglotite aguda costuma levar à toxemia generalizada.
Dificuldade respiratória e estridor são sinais comuns de epiglotite em crianças, mas são menos frequentes em adultos. O sintoma de apresentação mais comum em adultos é a odinofagia (100%), seguida por disfagia (85%) e alteração da voz (75%). Em adultos, o estridor é considerado um sinal de alerta para oclusão das vias aéreas superiores. Estridor, taquicardia, taquipneia, início rápido dos sintomas e o “sinal do polegar” presente em 79% dos casos em radiografias laterais do pescoço são preditores significativos de comprometimento iminente das vias aéreas com rápida deterioração clínica.
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
O diagnóstico diferencial mais comum é crupe e corpo estranho nas vias aéreas.
A laringotraqueobronquite viral, que causa edema da mucosa na região subglótica da laringe, é a etiologia mais comum da crupe. Não há predileção sazonal pela epiglotite, enquanto a crupe é mais prevalente durante o inverno. A crupe tem um início mais gradual do que a epiglotite aguda e está comumente associada à febre baixa. Embora tanto a epiglotite aguda quanto a crupe compartilhem os mesmos sintomas de estridor inspiratório, retrações supraesternais, intercostais e subesternais e rouquidão, a diferenciação na fase inicial da doença é possível pela observação adicional de tosse latente e ausência de sialorreia e disfagia na crupe, e pela observação adicional de sialorreia e disfagia com ausência de tosse na epiglotite. Outros sinais confiáveis de epiglotite são a preferência por sentar, disfagia e recusa em engolir.
Outros diagnósticos diferenciais menos comuns incluem traqueíte bacteriana, corpo estranho laríngeo e abscesso retrofaríngeo.
ACHADOS RADIOLÓGICOS
Radiografias anteroposteriores do pescoço são úteis para confirmar o diagnóstico e descartar a possibilidade de corpo estranho nas vias aéreas. Na crupe, as estruturas supraglóticas e a sombra da epiglote são normais, enquanto há borramento da sombra do ar traqueal e estreitamento simétrico da sombra do ar subglótico, o que cria o sinal característico de "torre de igreja" nas radiografias anteroposteriores.
Na epiglotite aguda, o “sinal do polegar” radiológico indica inflamação grave da epiglote com potencial para perda irreversível das vias aéreas.
O “sinal do polegar” radiológico na epiglotite aguda.
A ultrassonografia tem sido descrita como uma forma de investigar a epiglote pela visualização do “sinal da letra P” em uma vista longitudinal através da membrana tireo-hióidea
Exames laboratoriais
Os exames laboratoriais geralmente não são úteis para o diagnóstico.
Laringoscopia
Na ausência de um achado radiológico positivo, a realização de uma laringoscopia flexível com fibra óptica em um ambiente clínico controlado para um diagnóstico confiável e oportuno pode ser indicada.
Devido ao risco de induzir espasmo laríngeo e/ou obstrução total das vias aéreas, o exame da faringe e da laringe deve ser tentado apenas em uma área com equipamentos adequados e equipe preparada para intervir caso ocorra obstrução das vias aéreas superiores, idealmente, no centro cirúrgico.
Fontes
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC3498669/
https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-do-ouvido-nariz-e-garganta/doen%C3%A7as-da-boca-e-da-garganta/epiglotite
https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/452
https://ojs.revistacontribuciones.com/ojs/index.php/clcs/article/view/9038