Dermatopolimiosite - diagnóstico
Considerações iniciais
O diagnóstico de dermatopolimiosite (DPM) é clínico-laboratorial, apoiado por exames complementares. Clássicamente, baseia-se nos critérios de Bohan e Peter, além de achados mais modernos (autoanticorpos e RM).
Diagnóstico de Dermatopolimiosite
1️⃣ Manifestações cutâneas típicas (obrigatórias para DPM)
Eritema em áreas fotoexpostas:
2️⃣ Fraqueza muscular proximal simétrica
Predomina em:
3️⃣ Elevação de enzimas musculares
CPK (principal)
Aldolase
AST, ALT
LDH
4️⃣ Eletroneuromiografia (ENMG)
Padrão miopático:
Potenciais de curta duração e baixa amplitude
Fibrilações
Descargas repetitivas
5️⃣ Biópsia muscular
Achados característicos:
6️⃣ Autoanticorpos
Na dermatopolimiosite (DPM), os autoanticorpos são divididos em anticorpos miosite-específicos (MSA) e miosite-associados (MAA). Eles não são obrigatórios para o diagnóstico, mas definem fenótipo, prognóstico e risco de neoplasia ou DPI — por isso devem ser solicitados sempre que possível.
🔹Anticorpos miosite-específicos (MSA) – os mais importantes
A) Clássicos da DPM
- DPM “clássica”
- Lesões cutâneas exuberantes
- Boa resposta a corticoide
- Melhor prognóstico
B) Associados a neoplasia
Forte associação com câncer (adultos)
Associado a neoplasia
Pode cursar com edema subcutâneo importante
C) Associados a doença pulmonar intersticial (DPI)
DPM amiopática ou hipomiopática
DPI rapidamente progressiva
Pior prognóstico
Lesões cutâneas iniciais
Miopatia pode surgir tardiamente
DPI ocasional
🔹 Anticorpos miosite-associados (MAA)
Menos específicos, mas úteis para identificar overlap com outras doenças do tecido conjuntivo:
🔹Síndrome antissintetase (miosite + DPI + artrite + mãos de mecânico)
🔹 Anticorpos gerais (triagem)
📋 Painel prático recomendado (rotina)
👉 Ideal solicitar painel de miosite, incluindo:
Anti-Mi-2
Anti-TIF1-γ
Anti-NXP2
Anti-MDA5
Anti-SAE
Anti-Jo-1 ± outros antissintetases
FAN, Anti-Ro/SSA
Se não houver painel disponível, priorizar:
Anti-Mi-2 + Anti-MDA5 + Anti-TIF1-γ + Anti-NXP2 + Anti-Jo-1
⚠️ Dicas clínicas importantes
Um único MSA costuma ser positivo (mutuamente exclusivos)
Anticorpo positivo orienta rastreio oncológico e manejo da DPI
Resultado negativo não exclui dermatopolimiosite
7️⃣ Ressonância magnética muscular
A ressonância magnética (RM) tem papel central e cada vez mais valorizado na dermatopolimiosite (DPM), tanto no diagnóstico quanto no seguimento e na estratificação de atividade da doença.
Importância da Ressonância Magnética na Dermatopolimiosite
a ) Detecção precoce da inflamação muscular
Identifica miosite ativa antes mesmo de:
Elevação importante da CPK
Fraqueza clínica evidente
Essencial em:
DPM amiopática / hipomiopática
Pacientes já em uso de corticoide
👉 Sequências T2/STIR mostram edema muscular (sinal de inflamação ativa)
b) Diferencia atividade inflamatória × dano crônico
Atividade:
Edema em T2/STIR
Realce pós-contraste
Dano crônico:
Infiltração gordurosa (T1)
Atrofia muscular
📌 Isso evita erro comum:
fraqueza por dano irreversível ≠ doença ativa
c) Orientação da biópsia muscular
A RM: Identifica músculos mais acometidos, evita biópsia de músculo normal ou já fibrosado e aumenta significativamente o rendimento diagnóstico
d) Avaliação da extensão e padrão da doença
Mostra:
Distribuição proximal e simétrica
Envolvimento de:
Cinturas
Musculatura paravertebral
Auxilia na diferenciação:
DPM × miopatia necrosante
DPM × miosite por corpos de inclusão
DPM × miopatias metabólicas
e) Monitorização da resposta ao tratamento
Útil quando:
CPK não correlaciona com clínica
Fraqueza persiste sem clareza se há atividade
Redução do edema → boa resposta terapêutica
Persistência de edema → atividade inflamatória residual
f) Valor em cenários específicos
Crianças: evita procedimentos invasivos repetidos
Idosos: diferencia miosite inflamatória de sarcopenia
Overlap com outras colagenoses
🧩 Sequências mais importantes na prática
T2 com supressão de gordura / STIR → inflamação ativa
T1 → atrofia e infiltração gordurosa
Pós-contraste (opcional) → atividade inflamatória
Quais partes devem ser incluídas na RM na Dermatopolimiosite
✅ Coxas (principal e obrigatória)
👉 Exame de escolha
Por quê?
Maior frequência de acometimento
Distribuição proximal e simétrica
Melhor correlação com fraqueza clínica
Ideal para guiar biópsia
Músculos avaliados:
Quadríceps (vasto lateral, medial, intermédio)
Isquiotibiais
Adutores
📌 Deve ser bilateral
✅ Cintura pélvica
Frequentemente incluída junto com as coxas.
Glúteos (máximo, médio, mínimo)
Iliopsoas
➕ Braços (cintura escapular) – quando indicado
Solicitar se:
Fraqueza predominante em membros superiores
RM de coxa normal com alta suspeita clínica
Músculos:
Deltoide - Bíceps - Tríceps
➕ Musculatura paravertebral (casos selecionados)
Indicada quando:
Fraqueza axial
Dor lombar associada
Suspeita de miosite extensa
📌 Critérios de Bohan e Peter
1. Fraqueza muscular proximal
2. Elevação de enzimas musculares
3 ENMG miopática
4. Biópsia muscular compatível
5. Lesões cutâneas típicas
👉 Dermatopolimiosite Definida: ✔ Lesões cutâneas + ≥ 3 critérios musculares
👉 Dermatopolimiosite Provável: ✔ Lesões cutâneas + 2 critérios
👉 Dermatopolimiosite Possível: ✔ Lesões cutâneas + 1 critério
⚠️ Pontos importantes na prática clínica
Sempre investigar neoplasia associada, principalmente em adultos > 40–50 anos
Avaliar doença pulmonar intersticial
DPM pode ser:
Clássica
Amiopática (pele sem fraqueza muscular)
Fontes
https://medicinatual.mediccurso.com.br/doen%C3%A7as-reumatol%C3%B3gicas-em-pediatria
https://sanarmed.com/resumo-de-dermatomiosite-epidemiologia-fisiopatologia-diagnostico-e-tratamento/
https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/595
https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/protocolos/pcdt_dermatomiosite_polimiosite-1.pdf