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Bursite trocantérica - como diagnosticar e tratar ?

Considerações iniciais

A bursite trocantérica no quadril ocorre quando há inflamação das bursas nesta região, resultando em dor e limitação funcional na lateral do quadril. As bursas são pequenas bolsas cheias de líquido sinovial que atuam como amortecedores entre ossos e tendões, facilitando o movimento e reduzindo o atrito. 

No quadril, existem quatro bursas principais: 

  • Subglútea, que separa a camada profunda do glúteo máximo do trocânter maior e dos rotadores externos curtos; 
  • Trocantérica, localizada entre o tendão do glúteo máximo e o vasto lateral;
  • Isquioglútea, posicionada sobre a tuberosidade isquiática; 
  • Iliopectínea, que é a maior bursa do corpo humano. 



Estudos indicam que, além da inflamação, algumas dessas bursas, como a trocantérica, contêm ramos nervosos que, quando irritados, podem aumentar a sensação de dor. Além da bursite, outras condições, como a tendinite do quadril, também podem causar dor trocantérica.  

Isso levou alguns especialistas a utilizarem o termo Síndrome de Dor do Grande Trocanter (SDGT) para descrever casos de dor na região lateral do quadril.

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O que causa essa condição?

A bursite trocantérica é a forma mais comum da bursite no quadril, afetando mais mulheres do que homens.  Sua causa pode ser multifatorial, incluindo:

  • Pressão prolongada sobre o trocânter maior, como deitar-se sobre o quadril ou permanecer por muito tempo na mesma posição;
  • Sobrecarga mecânica causada por desequilíbrios musculares, que podem ocorrer durante atividades físicas ou trabalho excessivo;
  • Falta de alongamento;
  • Sobrepeso;
  • Traumas no quadril;
  • Cirurgias prévias no quadril, no membro inferior contralateral ou na coluna, que alteram a mecânica e a carga nos quadris;
  • Alterações na marcha, como discrepâncias no comprimento dos membros;
  • Estrutura óssea mais larga do quadril em mulheres;
  • Mudanças hormonais, que podem resultar em menor lubrificação articular.

Além disso, a bursite do quadril é comum em pessoas sedentárias ou que passam longos períodos sentadas, podendo estar associada a outras condições, como artrite reumatoide, tendinites ou até infecções. 

Por outro lado, corredores, especialmente mulheres, e praticantes de atividades com movimentos repetitivos do quadril também são suscetíveis. 

O principal fator de risco é o desequilíbrio muscular, que, junto à falta de flexibilidade e preparo, provoca atrito nas estruturas locais, levando à inflamação das bursas.

 

Quais são os sintomas da bursite trocantérica?

Os sintomas da bursite no quadril incluem:

  • Dor na lateral do quadril, especialmente ao deitar-se de lado;
  • Sensação de queimação;
  • Dor ao subir e descer escadas ou ao se levantar de cadeiras;
  • Irradiação da dor para a coxa ou joelho;
  • Limitação funcional;
  • Dificuldade para caminhar;
  • Sensação de fraqueza.

Os sintomas podem melhorar com o movimento ao longo do dia, mas tendem a piorar à noite.

 

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico geralmente é baseado na história clínica e em uma avaliação física. 

No entanto, exames de imagem, como radiografias, ultrassonografia ou ressonância magnética, podem ser necessários para confirmar a condição e identificar possíveis lesões associadas, como tendinites, rupturas de tendão, coxartrose e outras doenças do quadril.

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Exemplo de caso :

Em um paciente  com dor lateral no quadril e cuja ressonância magnética evidencia bursite trocantérica grave associada a sinais de rotura (geralmente dos tendões do glúteo médio e/ou glúteo mínimo), a conduta depende principalmente do grau da rotura, da limitação funcional e da resposta ao tratamento conservador.

Vale lembrar que, muitas vezes, a "bursite trocantérica" é apenas uma manifestação de uma síndrome dolorosa trocantérica maior (Greater Trochanteric Pain Syndrome - GTPS), na qual a principal lesão é a tendinopatia ou rotura dos abdutores do quadril.

 

Primeira etapa: confirmar o quadro clínico

É importante correlacionar a RM com: 

  • dor localizada sobre o grande trocânter;
  • dor ao decúbito lateral;
  • dor ao subir escadas;
  • dificuldade para caminhar;
  • fraqueza na abdução do quadril;
  • sinal de Trendelenburg positivo.

Nem toda rotura vista na RM é sintomática.

 

Tratamento 

O tratamento da bursite trocantérica se inicia com compressas locais, medicações analgésicas e anti-inflamatórias, alongamento e fortalecimento. A Fisioterapia é extremamente eficaz no tratamento da bursite trocantérica, e é realizada com ênfase na desinflamação local, fortalecimento da musculatura adjacente, alongamento e liberação mio-fascial. Além disso, mudanças em alguns hábitos de vida, tais como permanecer longos períodos sentado com as pernas cruzadas e deitar de lado sobre o quadril acometido, também tem um papel importante no tratamento dessa patologia.

 

Conservador (primeira linha)

Se não houver rotura completa com perda importante da função:

1. Analgesia

Paracetamol

AINEs (quando não houver contraindicação)

2. Fisioterapia (principal tratamento)

Foco em:

  • fortalecimento progressivo do glúteo médio e mínimo;
  • fortalecimento do core;
  • alongamento da banda iliotibial apenas se houver encurtamento (evitando excesso);
  • correção biomecânica da marcha;
  • evitar exercícios que aumentem a compressão sobre o trocânter.

Hoje há boa evidência de que exercícios específicos apresentam melhores resultados do que apenas infiltração.

3. Modificações de atividade

Evitar:

  • cruzar as pernas;
  • permanecer muito tempo em apoio unipodal;
  • dormir sobre o lado doloroso;
  • corrida em fase aguda.

Infiltração

Pode ser indicada quando:

  • dor intensa;
  • dificuldade para iniciar fisioterapia;
  • ausência de melhora após tratamento inicial.

 

Preferencialmente guiada por ultrassom;

 

Essas infiltrações podem ser de dois tipos:

Infiltrações simples: 

  • são realizadas com a aplicação de anestesicos locais e corticóides (medicações com ação anti-inflamatória) na bursa inflamada. Costumam promover um alívio sintomático mais curto, em torno de 6 a 8 semanas, mas permitem que nesse período o paciente se dedique mais ao seu tratamento, fazendo com que a analgesia possa ser mais duradoura.

    Contudo, se existir rotura significativa do glúteo médio, infiltrações repetidas são desaconselhadas, pois podem contribuir para degeneração tendínea.

    Infiltrações com PRP: 

O PRP é o plasma rico em plaquetas. Retira-se sangue do paciente, da mesma maneira que são realizados exames de sangue em laboratório. Esse sangue é colocado em uma centrífuga, que separa os glóbulos vermelhos do plasma. Esse plasma remanescente tem uma elevada concentração de plaquetas, que liberam diversos fatores de crescimento, com capacidades imuno-modulatórias e reparadora no local onde é aplicado, estimulando a regeneração tecidual e promovendo um alívio da dor mais duradouro que a infiltração simples. Geralmente é realizada em 3 sessões, com intervalo de 3 semanas entre cada uma delas.

A literatura ainda apresenta resultados conflitantes. Pode ser considerado em casos refratários de tendinopatia crônica, mas não é tratamento padrão. indicação cirúrgica.

Cirurgia

Apenas os casos que não apresentam melhora com todos os tratamentos acima, são submetidos a cirurgia.

No tratamento cirúrgico é feita a retirada da bursa trocantérica inflamada, podendo ser feito de forma aberta, com uma pequena incisão na lateral do quadril ou por meio da artroscopia do quadril, realizada com o auxílio de uma câmera e instrumentos pouco invasivos, introduzidos por pequenos cortes na pele, chamados de portais.

Em qualquer uma das opções cirúrgicas, o paciente pode receber alta para casa no mesmo dia da cirurgia, já andando apenas com o uso de muletas, sem necessidade de repouso prolongado.

 

Quando pensar em cirurgia?

Encaminhamento para ortopedista especialista em quadril quando houver:

  • rotura parcial extensa (>50% do tendão);
  • rotura completa;
  • retração tendínea;
  • falha do tratamento conservador por 3–6 meses;
  • fraqueza importante na abdução;
  • sinal de Trendelenburg persistente;
  • incapacidade funcional significativa.

A cirurgia geralmente consiste em reparo aberto ou artroscópico do tendão do glúteo médio/mínimo, frequentemente associado à bursectomia e, em alguns casos, liberação da banda iliotibial.

 

O que a RM deve informar para definir a conduta?

Avaliar 

  • qual tendão está roto (glúteo médio, mínimo ou ambos);
  • rotura parcial ou completa;
  • porcentagem do tendão acometida;
  • retração em centímetros;
  • atrofia muscular;
  • infiltração gordurosa do músculo (classificação de Goutallier);
  • quantidade de líquido na bursa.

Essas informações ajudam a decidir entre tratamento conservador e cirúrgico

Imagem ilustrando uma infiltração na bursa trocantérica inflamada

Imagem ilustrando uma infiltração na bursa trocantérica inflamada, que pode ser realizada com analgésicos locais e corticóides, ou com plasma rico em plaquetas (PRP), e uma centrífuga utilizada para o preparo do PRP.

 

Toda dor na lateral do quadril é bursite trocantérica?

Apesar de o termo bursite trocantérica ser muito conhecido e vastamente utilizado pelos médicos, principalmente os ortopedistas, nem sempre uma dor na região lateral do quadril é de fato uma bursite trocantérica.

Existem outras estruturas nessa localização que podem gerar sintomas semelhantes aos da bursite, e em alguns casos, se apresentam em associação com a bursite trocantérica.

Outras patologias que geram dor na lateral do quadril são:

Tendinite glútea:  apesar do nome, essa patologia não acomete a região da nádega e sim a lateral do quadril, uma vez que é uma inflamação dos tendões glúteos médio e mínimo, que estão logo abaixo da bursa trocantérica. Eles são extremamente importantes no quadril, e quando inflamados, causam dor e limitações aos pacientes, podendo inclusive interferir na capacidade de deambulação.

Ressalto externo do quadril: essa patologia ocorre porque uma das estruturas na lateral do quadril, o trato iliotibial, faz um ressalto sobre o trocanter maior do fêmur com alguns movimentos do quadril, causando um estalo e possivelmente dor nessa região.


Patologias com sintomas semelhantes aos da bursite trocantérica | Dr. Felipe Bessa

A primeira imagem mostra uma Ressonância Magnética evidenciando uma tendinite de glúteo médio e a segunda, ilustra o ressalto externo do quadril, patologias que tem sintomas semelhantes aos da bursite trocantérica.

Dessa forma, uma avaliação minuciosa, conforme já descrito neste texto, é essencial para que se faça o diagnóstico correto, permitindo o melhor tratamento para o paciente.

O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.

               Estratégias

  • Sem perda importante de força e com rotura parcial: iniciar tratamento conservador (fisioterapia específica + analgesia, com infiltração em casos selecionados).
  • Rotura completa, retraída ou com déficit funcional importante: avaliação precoce por ortopedista especialista em quadril para considerar reparo cirúrgico.
  • Falha após 3–6 meses de tratamento conservador bem conduzido: reavaliar indicação cirúrgica.

Fontes

https://www.drfelipebessa.com.br/bursite-trocanterica/

https://www.drricardokirihara.com.br/bursite-trocanterica-qual-o-momento-de-procurar-o-especialista-em-quadril

 

http://davidgusmao.com/bursite-de-quadril/

http://www.herniadedisco.com.br/espaco-dr-coluna/artigos/bursite-trocanterica/

http://www.quadrilcirurgia.com.br/bursite-trocanteacuterica.html