Bursite trocantérica - como diagnosticar e tratar ?
Considerações iniciais
A bursite trocantérica no quadril ocorre quando há inflamação das bursas nesta região, resultando em dor e limitação funcional na lateral do quadril. As bursas são pequenas bolsas cheias de líquido sinovial que atuam como amortecedores entre ossos e tendões, facilitando o movimento e reduzindo o atrito.
No quadril, existem quatro bursas principais:
Estudos indicam que, além da inflamação, algumas dessas bursas, como a trocantérica, contêm ramos nervosos que, quando irritados, podem aumentar a sensação de dor. Além da bursite, outras condições, como a tendinite do quadril, também podem causar dor trocantérica.
Isso levou alguns especialistas a utilizarem o termo Síndrome de Dor do Grande Trocanter (SDGT) para descrever casos de dor na região lateral do quadril.
O que causa essa condição?
A bursite trocantérica é a forma mais comum da bursite no quadril, afetando mais mulheres do que homens. Sua causa pode ser multifatorial, incluindo:
Além disso, a bursite do quadril é comum em pessoas sedentárias ou que passam longos períodos sentadas, podendo estar associada a outras condições, como artrite reumatoide, tendinites ou até infecções.
Por outro lado, corredores, especialmente mulheres, e praticantes de atividades com movimentos repetitivos do quadril também são suscetíveis.
O principal fator de risco é o desequilíbrio muscular, que, junto à falta de flexibilidade e preparo, provoca atrito nas estruturas locais, levando à inflamação das bursas.
Quais são os sintomas da bursite trocantérica?
Os sintomas da bursite no quadril incluem:
Os sintomas podem melhorar com o movimento ao longo do dia, mas tendem a piorar à noite.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico geralmente é baseado na história clínica e em uma avaliação física.
No entanto, exames de imagem, como radiografias, ultrassonografia ou ressonância magnética, podem ser necessários para confirmar a condição e identificar possíveis lesões associadas, como tendinites, rupturas de tendão, coxartrose e outras doenças do quadril.
Exemplo de caso :
Em um paciente com dor lateral no quadril e cuja ressonância magnética evidencia bursite trocantérica grave associada a sinais de rotura (geralmente dos tendões do glúteo médio e/ou glúteo mínimo), a conduta depende principalmente do grau da rotura, da limitação funcional e da resposta ao tratamento conservador.
Vale lembrar que, muitas vezes, a "bursite trocantérica" é apenas uma manifestação de uma síndrome dolorosa trocantérica maior (Greater Trochanteric Pain Syndrome - GTPS), na qual a principal lesão é a tendinopatia ou rotura dos abdutores do quadril.
Primeira etapa: confirmar o quadro clínico
É importante correlacionar a RM com:
Nem toda rotura vista na RM é sintomática.
Tratamento
O tratamento da bursite trocantérica se inicia com compressas locais, medicações analgésicas e anti-inflamatórias, alongamento e fortalecimento. A Fisioterapia é extremamente eficaz no tratamento da bursite trocantérica, e é realizada com ênfase na desinflamação local, fortalecimento da musculatura adjacente, alongamento e liberação mio-fascial. Além disso, mudanças em alguns hábitos de vida, tais como permanecer longos períodos sentado com as pernas cruzadas e deitar de lado sobre o quadril acometido, também tem um papel importante no tratamento dessa patologia.
Conservador (primeira linha)
Se não houver rotura completa com perda importante da função:
1. Analgesia
Paracetamol
AINEs (quando não houver contraindicação)
2. Fisioterapia (principal tratamento)
Foco em:
Hoje há boa evidência de que exercícios específicos apresentam melhores resultados do que apenas infiltração.
3. Modificações de atividade
Evitar:
Infiltração
Pode ser indicada quando:
Preferencialmente guiada por ultrassom;
Essas infiltrações podem ser de dois tipos:
Infiltrações simples:
Contudo, se existir rotura significativa do glúteo médio, infiltrações repetidas são desaconselhadas, pois podem contribuir para degeneração tendínea.
Infiltrações com PRP:O PRP é o plasma rico em plaquetas. Retira-se sangue do paciente, da mesma maneira que são realizados exames de sangue em laboratório. Esse sangue é colocado em uma centrífuga, que separa os glóbulos vermelhos do plasma. Esse plasma remanescente tem uma elevada concentração de plaquetas, que liberam diversos fatores de crescimento, com capacidades imuno-modulatórias e reparadora no local onde é aplicado, estimulando a regeneração tecidual e promovendo um alívio da dor mais duradouro que a infiltração simples. Geralmente é realizada em 3 sessões, com intervalo de 3 semanas entre cada uma delas.
A literatura ainda apresenta resultados conflitantes. Pode ser considerado em casos refratários de tendinopatia crônica, mas não é tratamento padrão. indicação cirúrgica.
Cirurgia
Apenas os casos que não apresentam melhora com todos os tratamentos acima, são submetidos a cirurgia.
No tratamento cirúrgico é feita a retirada da bursa trocantérica inflamada, podendo ser feito de forma aberta, com uma pequena incisão na lateral do quadril ou por meio da artroscopia do quadril, realizada com o auxílio de uma câmera e instrumentos pouco invasivos, introduzidos por pequenos cortes na pele, chamados de portais.
Em qualquer uma das opções cirúrgicas, o paciente pode receber alta para casa no mesmo dia da cirurgia, já andando apenas com o uso de muletas, sem necessidade de repouso prolongado.
Quando pensar em cirurgia?
Encaminhamento para ortopedista especialista em quadril quando houver:
A cirurgia geralmente consiste em reparo aberto ou artroscópico do tendão do glúteo médio/mínimo, frequentemente associado à bursectomia e, em alguns casos, liberação da banda iliotibial.
O que a RM deve informar para definir a conduta?
Avaliar
Essas informações ajudam a decidir entre tratamento conservador e cirúrgico

Imagem ilustrando uma infiltração na bursa trocantérica inflamada, que pode ser realizada com analgésicos locais e corticóides, ou com plasma rico em plaquetas (PRP), e uma centrífuga utilizada para o preparo do PRP.
Toda dor na lateral do quadril é bursite trocantérica?
Apesar de o termo bursite trocantérica ser muito conhecido e vastamente utilizado pelos médicos, principalmente os ortopedistas, nem sempre uma dor na região lateral do quadril é de fato uma bursite trocantérica.
Existem outras estruturas nessa localização que podem gerar sintomas semelhantes aos da bursite, e em alguns casos, se apresentam em associação com a bursite trocantérica.
Outras patologias que geram dor na lateral do quadril são:
Tendinite glútea: apesar do nome, essa patologia não acomete a região da nádega e sim a lateral do quadril, uma vez que é uma inflamação dos tendões glúteos médio e mínimo, que estão logo abaixo da bursa trocantérica. Eles são extremamente importantes no quadril, e quando inflamados, causam dor e limitações aos pacientes, podendo inclusive interferir na capacidade de deambulação.
Ressalto externo do quadril: essa patologia ocorre porque uma das estruturas na lateral do quadril, o trato iliotibial, faz um ressalto sobre o trocanter maior do fêmur com alguns movimentos do quadril, causando um estalo e possivelmente dor nessa região.

A primeira imagem mostra uma Ressonância Magnética evidenciando uma tendinite de glúteo médio e a segunda, ilustra o ressalto externo do quadril, patologias que tem sintomas semelhantes aos da bursite trocantérica.
Dessa forma, uma avaliação minuciosa, conforme já descrito neste texto, é essencial para que se faça o diagnóstico correto, permitindo o melhor tratamento para o paciente.
O tratamento ideal deve ser individualizado e definido após uma avaliação médica criteriosa.
Consulte um especialista em quadril.
Estratégias
Fontes
https://www.drfelipebessa.com.br/bursite-trocanterica/
https://www.drricardokirihara.com.br/bursite-trocanterica-qual-o-momento-de-procurar-o-especialista-em-quadril
http://davidgusmao.com/bursite-de-quadril/
http://www.herniadedisco.com.br/espaco-dr-coluna/artigos/bursite-trocanterica/
http://www.quadrilcirurgia.com.br/bursite-trocanteacuterica.html