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 PARACENTESE ABDOMINAL - TÉCNICA 

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Considerações iniciais

A cavidade peritoneal, normalmente, contém cerca de 100 ml de líquido, a partir de 500 mL de líquido acumulado é clinicamente detectável. A paracentese abdominal pode estabelecer a causa das ascites ou diagnósticar peritonites bacterianas espontâneas nos pacientes com ascites. A paracentese de grandes volume em pacientes hemodinamicamente estáveis com ascites tensas ou refratárias pode aliviar o incômodo ou esforço respiratório.

 

1. Indicações

- Avaliacao de ascite

- Tratamento de ascite tensa e ascite refrataria.

- Confirmar diagnóstico de peritonite bacteriana espontânea

 

2. Contra-indicacao

Relativa (indicação mais para guiada por ecografia)

  • Coagulopatia (em geral, controlar primeiro a coagulopatia)
  • Gravidez 
  • Distensão abdominal
  • Obstrução intestinal
  • Historia de múltiplas cirurgias abdominais previas 
  • Acentuada esplenomegalias

 

Absoluta

  • Infecção da parede abdominal

 

 CUIDADOS

  •  Em caso de ascite tensa, não fazer paracentese pequena (< 3 litros), devido ao risco de dissecção para o subcutâneo.
  • Ate o volume total de 5 litros, não é necessária reposição de albumina

Para paracentese > 5 litros, esta indicado o uso de albumina 8 g/l, para prevenir danos hemodinamicos(albumina 20%=20g em 100ml). O frasco tem 50ml, portanto, 10g.

Complicações

  • Hematoma de parede – aproximadamente 1%
  • Hemoperitoneo
  • Perfuração intestinal – cerca de 0,6%. Existe a possibilidade de punções de alças, mesmo sem derramamento de líquido intestinal em cavidade. Geralmente não acarretam problemas.

 

 

Locais de punção

Figura – Locais de punção para paracentese

 

O local de escolha, usualmente, é o quadrante inferior esquerdo (QIE). Esse local foi escolhido pois a parede abdominal é mais fina neste sítio, assim como a quantidade de líquido é maior e mais profunda.  Outro aspecto é que no QIE tem menor chance de complicação, pois nessa topografia, encontramos o sigmoide e, sendo ele mais flexível que o ceco, torna a técnica menos arriscada à esquerda em caso de distensão abdominal.

O QID é menos desejável, pois pode ter um ceco cheio de gás em pacientes. Nas linhas paramedianas do abdome, junto ao músculo reto abdominal, encontram-se as artérias epigástricas (esquerda e direita) e, portanto, estas áreas devem ser evitadas (a artéria pode ter 3 mm de diâmetro e pode sangrar massivamente se perfurada com uma agulha de grande calibre).

Além disso, cicatrizes cirúrgicas podem estar associadas a aderências intestinais na parede abdominal, colocando o paciente em risco de perfuração se a paracentese for realizada perto de uma cicatriz; veias visíveis também devem ser evitadas.

Para identificar o local exato da punção, deve-se traçar uma linha imaginária da espinha ilíaca ântero superior até a cicatriz umbilical. A deve ocorrer na junção do terço médio com o terço inferior desta linha. A partir daí, deve-se realizar a degermação do local e a paramentação adequada do profissional a realizar o procedimento.  Outra alternativa é na  linha mediana infra umbilical, 3 a 4 cm abaixo da cicatriz umbilical

Materiais  necessários

 

Materiais básicos

  • Luvas estéreis
  • Campo estéril
  • Clorexidina alcoólica ou PVPI
  • Gaze estéril
  • Máscara e gorro (idealmente)

 

Anestesia

  • Lidocaína 1% ou 2% sem vasoconstrictor
  • Seringa de 5–10 mL
  • Agulha fina para anestesia local

 

Punção

  • Agulha de paracentese própria, OU

jelco/abocath 14–18G 

  • Seringa de 20–60 mL
  • Equipo/extensor
  • Torneira de 3 vias (especialmente na terapêutica)

 

Coleta de exames

  • Tubo EDTA (citometria/celularidade)
  • Tubo seco ou bioquímico (albumina, proteínas, LDH etc.)
  • Frascos de hemocultura aeróbio e anaeróbio (idealmente inoculados à beira-leito)

 

Paracentese terapêutica (grande volume)

  • Sistema coletor/dreno
  • Bolsa coletora
  • Frascos de vácuo ou sistema de drenagem
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TÉCNICA

1. A posição clássica para realização de paracentese abdominal é:

  • Decúbito dorsal (deitado de barriga para cima), com:
    • cabeceira elevada entre 30–45° (posição semi-Fowler), para facilitar o acúmulo do líquido ascítico nas regiões inferiores do abdome;
    • bexiga esvaziada previamente.

 

 

2. Preparar o paciente, fazendo antissepsia com clorexedine  e colocação de campos estéreis;

3. Deve-se realizar a anestesia local utilizando a lidocaína 1%. O objetivo deve ser tentar alcançar o líquido com a seringa e a agulha do anestésico para confirmar a presença de líquido, a profundidade de penetração necessária para atingir a ascite e anestesiar toda essa área, visando minimizar a dor do paciente.

4. Os locais mais usados para punção são:

 - Quadrante inferior esquerdo (mais utilizado)

  • Introduzir a agulha, perpendicularmente a pele no abdome inferior, no linha imaginária da espinha ilíaca ântero superior até a cicatriz umbilical, na junção do terço médio com o terço inferior desta linha.

- Linha média infraumbilical

  • cerca de 3 a 4 cm abaixo do umbigo, evitando cicatrizes e vasos.

 

Observação : O quadrante inferior esquerdo costuma ser preferido porque:

  • há menor risco de lesão vascular;
  • geralmente há menos aderências;
  • a parede abdominal costuma ser mais fina.
  • Evitar puncionar a parte superior do abdome, cicatrizes e circulação colateral visível. 
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Técnicas para melhorar a punção:

- Ao puncionar o abdome pode ser feito a técnica de tracionar a pele, chamado método Z-track,  em direção inferior (caudal), com os dedos, em aproximadamente 2 cm e introduzir o cateter em ângulo de 90º com a pele. Após soltarmos a pele, o ponto de entrada retorna a sua posição original, ficando em angulação diferente do local de punção do peritônio. Assim, diminui-se o risco de fuga de líquido da cavidade através do canal formado pela introdução da agulha.

- Pedir para paciente fazer manobra Valsalva: na introdução da agulha. Se houver dificuldade de drenagem, colocar o paciente em decúbito lateral ou redirecione a agulha na cavidade.

5.  Ao identificar o retorno de fluido, deve-se retirar a agulha e manter o cateter do jelco, conectando-o ao equipo que conduzirá este líquido ao frasco a vácuo até a retirada da quantidade desejada. 

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6. Após a drenagem do volume indicado, conforme situação específica ( alívio ou diagnóstico), deve ser retirado o cateter de forma suva;

7. Curativo compressivo: Evita acúmulo de líquido no subcutâneo ou escape

Exames solicitados no  Líquido peritoneal 

Na paracentese diagnóstica, o líquido ascítico deve ser enviado para alguns exames básicos que ajudam a definir a causa da ascite e identificar infecção. Os principais exames solicitados são:

a) Contagem global e diferencial de células

Fundamental para diagnosticar peritonite bacteriana espontânea (PBE).

PBE é sugerida quando há:

Polimorfonuclear (PMN) maior que 250 células/mm3.

 

b) Albumina do líquido ascítico

Interpretação:

Usada junto com a albumina sérica para calcular o gradiente soro-ascite (GASA/SAAG):

SAAG = Albumina {soro} - Albumina {ascite}

SAAG ≥ 1,1 → sugere hipertensão portal (cirrose, IC, Budd-Chiari)

SAAG < 1,1 → sugere neoplasia, TB, pancreatite etc.

 

c) Proteínas totais

Ajuda na diferenciação etiológica e risco de PBE.

 

d) Microbiológico

Cultura do líquido ascítico

Idealmente inoculada à beira-leito em frascos de hemocultura, o que aumenta muito a sensibilidade.

Bacterioscopia com Gram

ADA (suspeita de tuberculose peritoneal)

 

e) Bioquímica

  • Glicose
  • LDH
  • Amilase (suspeita de pancreatite/fístula pancreática)
  • Triglicerídeos (ascite quilosa)

 

f) Oncologico

Citologia oncótica (suspeita de neoplasia)

            Material: líquido ascítico

  Solicito:

  Contagem global de células

  Diferencial celular

  Proteínas totais com albumina

  Glicose 

  LDH

  Bacterioscopia com Gram

  Cultura para germes comuns + antibiograma

 

  Em suspeitas específicas, pode acrescentar:

  Citologia oncótica → suspeita de carcinomatose/neoplasia;

  ADA → suspeita de tuberculose peritoneal;

  Amilase → suspeita pancreática;

  Triglicerídeos → ascite quilosa.

Fontes bibliográficas

https://www.sanarmed.com/resumo-de-paracentese-indicacoes-materiais-tecnica-e-complicacoes

https://blog.jaleko.com.br/roteiros-praticos-

K. C. Ghiggi et al./Vittalle – Revista de Ciêcias da Saúde v. 33, n. 1 (2021) 84-100paracentese-como-fazer/

https://www.tuasaude.com/paracentese/

cc0208.med.up.pt/cirurgia/grupo/ascitet1