Pan-tomografia no trauma
Considerações iniciais
A pan-tomografia no trauma, também conhecida como "panscan" ou tomografia de corpo inteiro (WBCT), é um protocolo de exame radiológico rápido que realiza varreduras de múltiplas regiões do corpo de uma só vez. Ela é o padrão-ouro para o diagnóstico de pacientes politraumatizados graves, permitindo identificar rapidamente lesões internas que podem não ser visíveis em um exame físico inicial.
O que o exame abrange
Diferente de uma tomografia seletiva, a pan-tomografia geralmente inclui as seguintes áreas:
Vantagens e Considerações
Indicações
As indicações para uma pan-tomografia (tomografia de corpo inteiro ou panscan) no trauma são baseadas principalmente na gravidade do mecanismo de lesão e nos sinais vitais do paciente. O objetivo é identificar lesões fatais ocultas de forma rápida em pacientes politraumatizados.
As principais diretrizes médicas, dividem as indicações em três categorias:
1. Sinais Vitais e Exame Clínico
2. Mecanismo de Trauma de Alta Energia
Mesmo que o paciente pareça estável inicialmente, o tipo de acidente pode justificar o exame:
3. Suspeita de Lesões Graves Específicas
A decisão final cabe ao líder da equipe de trauma, que avalia se o benefício do diagnóstico rápido supera o risco da exposição à radiação.
Preparo
O preparo para uma pan-tomografia no trauma é focado na agilidade, já que o tempo é crítico para a sobrevivência do paciente. Diferente de uma tomografia agendada, não há jejum ou preparo prévio longo.
Aqui estão os pontos principais de como o exame é realizado:
1. Estabilização e Acesso
Antes de entrar no túnel do tomógrafo, o paciente deve estar minimamente estável (vias aéreas seguras e pressão controlada). É obrigatório ter pelo menos um acesso venoso periférico calibroso (geralmente no braço) para a injeção rápida do contraste.
2. Posicionamento
O paciente é colocado em decúbito dorsal. Os braços são geralmente levantados acima da cabeça para as imagens do tórax e abdome, evitando artefatos (sombras) na imagem, a menos que haja suspeita de fratura nos braços que impeça o movimento.
3. As Fases do Contraste (O "Pulo do Gato")
O contraste iodado é injetado na veia para destacar vasos e órgãos. O protocolo moderno mais comum é o de "bolus único" ou "fase única", que funciona assim:
Injeção em duas etapas: Aplica-se uma parte do contraste, espera-se alguns segundos e aplica-se o restante.
Captura única: O scanner passa pelo corpo uma única vez. Isso permite que a imagem mostre, ao mesmo tempo, as artérias (fase arterial) e os órgãos sólidos como fígado e rins (fase venosa/portal). Isso ganha tempo e reduz a dose de radiação.
4. A Varredura (O Scan)
O processo de capturar a imagem é extremamente rápido, durando cerca de 2 a 5 minutos no total:
Topograma: Uma "foto" inicial para mapear onde o scan vai começar e terminar.
Crânio e Cervical: Geralmente feitos primeiro, sem contraste (para ver sangramentos agudos).
Corpo (Tórax ao Púbis): Feito logo após a injeção do contraste.
5. Pós-Processamento
Após o paciente sair da sala, o computador reconstrói as imagens em 3D e em diferentes planos (frente, lado, cima) para que o radiologista possa procurar por fraturas minúsculas ou pequenos vazamentos de sangue.
Fontes
RADIOPAEDIA. Whole body CT protocol (trauma panscan). [S. l.], 2023. Disponível em: radiopaedia.org. Acesso em: 12 maio 2026.
SANTOS, L. R. et al. A importância da tomografia de corpo inteiro no atendimento ao paciente politraumatizado: uma revisão de literatura. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 8, n. 7, p. 52412-52425, jul. 2022. Disponível em: brazilianjournals.com.br. Acesso em: 12 maio 2026.
GODINHO, M. Tomografia de corpo inteiro no trauma: indicações e limitações. São Paulo: CREMESP, 2016. Disponível em: cremesp.org.br. Acesso em: 12 maio 2026.
STENGEL, D. et al. Whole-body CT in trauma patients: a systematic review and meta-analysis. National Institutes of Health (PMC), [S. l.], v. 10, n. 3, mar. 2024. Disponível em: nih.gov. Acesso em: 12 maio 2026.