Macroamilasemia - diagnóstico
Considerações iniciais
A amilase é uma enzima que atua no meio extracelular, no nível do intestino delgado e na cavidade oral, cuja atividade sérica provém das isoenzimas de origem pancreática e salivar. Atua no meio extracelular, no nível do intestino delgado e na cavidade oral, cuja atividade sérica provém das isoenzimas de origem pancreática e salivar. Dessa forma, sua determinação tem utilidade no diagnóstico diferencial das causas de dor abdominal e abdome agudo, especialmente na pancreatite aguda, bem como nas afecções da glândula salivar.
Na pancreatite aguda, geralmente se observa uma elevação da atividade da amilase sérica de cinco a oito horas após o início dos sintomas, podendo atingir o pico nas primeiras 48 horas e comumente se normalizando dentro de uma semana. O aumento da amilase não é proporcional à gravidade da doença, mas, quando prolongado (acima de sete dias), deve-se suspeitar de necrose pancreática ou formação de pseudocisto. A excreção de amilase pela urina pode permanecer elevada por vários dias após a remissão do quadro clínico.
A medida da atividade da amilase sérica ainda tem aplicação no diagnóstico diferencial de outras causas importantes de hiperamilasemia, como trauma abdominal, neoplasia ou infarto do pâncreas, cetoacidose diabética e obstrução intestinal, entre outras.
Quando aparece a macroamilase?
Condição benigna e assintomática, que ocorre em aproximadamente 1% da população, a macroamilasemia deriva da formação de macromoléculas entre a amilase e imunoglobulinas, principalmente IgG e IgA. Uma vez que não são filtradas pelos glomérulos, em razão de seu alto peso molecular, essas macromoléculas permanecem em circulação por um período maior que o habitual, acarretando valores de atividade da amilase continuamente elevados, em geral ao redor de duas a oito vezes o limite superior da normalidade.
Sintomatologia
Embora não existam sintomas associados a essa condição clínica, não raro a macroamilase é detectada durante a investigação de uma dor abdominal, resultando na internação do paciente por suspeita de pancreatite.
A macroamilasemia é geralmente assintomática; em alguns casos, pode ser detectada incidentalmente durante investigações de dor abdominal. No entanto, essa observação não confirma a associação entre as duas. Alguns autores sugerem que a dor abdominal pode ser atribuída à deposição de moléculas de macroamilase no pâncreas. A coexistência de macroamilasemia com múltiplas doenças, como colite ulcerativa, doença de Crohn, neoplasias hematológicas, lúpus eritematoso sistêmico e artrite reumatoide, foi relatada. Diversos estudos observaram a associação entre macroamilasemia e doença celíaca, bem como o desaparecimento da macroamilasemia com uma dieta sem glúten
Investigação
A pesquisa de macroamilase pode ser realizada no laboratório clínico por meio da separação desse complexo por método cromatográfico ou pela medida da depuração renal de amilase/creatinina.
Clearance amilase/creatinina (CACR)
É um cálculo usado para avaliar quanto da amilase está sendo filtrada pelos rins em relação à creatinina. Ele ajuda especialmente a diferenciar: Macroamilasemia de pancreatite verdadeira.
Como é feito
São necessárias 4 medidas laboratoriais: No sangue: amilase sérica e creatinina sérica, e na urina, amilase urinária e creatinina urinária. A urina pode ser amostra isolada (“spot”) ou urina de 24h (menos comum hoje).
O resultado é dado em porcentagem. Interpretação
Normal: cerca de 2–5%
Macroamilasemia: geralmente <1%
Porque a macroamilase é grande demais para filtração glomerular, então pouca amilase aparece na urina.
Na pancreatite aguda, o CACR tende a aumentar. Frequentemente >5%, porque há aumento de amilase circulante filtrável; maior excreção urinária.
Exemplo prático
Suponha: amilase urinária = 100 U/L
creatinina sérica = 1 mg/dL
amilase sérica = 1000 U/L
creatinina urinária = 100 mg/dL
Então Resultado:
0,1% → fortemente sugestivo de macroamilasemia.
Limitações
O exame pode ser influenciado por:
Por isso ele deve ser interpretado junto com: clínica; lipase; imagem; evolução do paciente.
Na presença de macroamilasemia, o resultado da depuração será menor que 1% na relação depuração de amilase/creatinina (valor de referência: de 1,2% a 3,8%). Já valores acima de 10% sugerem pancreatite aguda.
Fontes
https://www.fleury.com.br/artigos-medicos/macroamilase-deve-ser-considerada-no-diagnostico-diferencial-das-causas-de-elevacao-cronica-da-amilase-serica-revista-medica-ed-5-2014
https://www.amaissaude.com.br/sp/exames/macroamilase-soro
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10667079/