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Ruptura do tendão patelar - tratamento

Considerações iniciais

Uma ruptura do tendão patelar é uma lesão grave do mecanismo extensor do joelho e, na prática, é considerada urgência cirúrgica. O Tendão Patelar liga a patela à tíbia e é essencial para extensão do joelho, salto, corrida.  A ruptura do tendão patelar é uma lesão comum em atletas, especialmente aqueles envolvidos em esportes que exigem saltos ou mudanças rápidas de direção, como o basquete e o futebol.

Essa lesão geralmente ocorre devido a um impacto direto na área, sobrecarga ou um movimento brusco que força o tendão além de sua capacidade. Fatores de risco incluem tendinite prévia e uso excessivo do tendão.

Os sintomas da ruptura do tendão patelar são:

  • Dor intensa e súbita na frente do joelho;
  • Inchaço e sensibilidade na área;
  • Incapacidade de esticar o joelho ou levantar a perna;
  • Sensação de estalo no momento da lesão;
  • Deslocamento da patela para cima.
  • Um sinal clássico é a presença de um “buraco” palpável acima ou abaixo da patela, além da incapacidade de levantar a perna esticada, indicando falha completa do mecanismo extensor do joelho. Nesses casos, o tratamento cirúrgico é praticamente sempre indicado.
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1️⃣Avaliação por imagem

radiografia (pode mostrar patela alta)

Ressonância Magnética para confirmar extensão da lesão

2️⃣ Tempo da cirurgia

Ideal: ➡️ o mais precoce possível (preferencialmente <7–10 dias)

Porque evita retração do tendão, melhora resultado funcional e facilita a reconstrução.

3️⃣Tratamento cirúrgico precoce

Indicação praticamente absoluta quando há:

- incapacidade de estender o joelho

- falha do mecanismo extensor

- confirmação de ruptura completa.

Procedimento

sutura primária do tendão

reinserção no polo inferior da patela ou tuberosidade tibial

frequentemente reforçada com: fios transósseos ou âncoras ou reforço tendíneo (em casos mais complexos).

4️⃣ Pós-operatório

- Imobilização inicial

- joelho em extensão (órtese)

- Reabilitação progressiva

- mobilização gradual

- fisioterapia precoce controlada

- carga progressiva

- Retorno ao esporte: geralmente 4–6 meses (ou mais, dependendo da evolução)

5️⃣Quando NÃO operar

Apenas em casos raros:

- ruptura parcial pequena

- mecanismo extensor preservado

➡️ tratamento conservador (imobilização), mas isso é exceção

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Ruptura PARCIAL do tendão patelar

👉 Conduta: geralmente conservadora (inicialmente)

Se houver:

-extensão ativa preservada

- dor localizada

- sem falha completa do mecanismo extensor

 

Tratamento

imobilização em extensão (3–6 semanas)

analgesia

fisioterapia progressiva

 

⚠️ Quando operar na ruptura parcial

Indicar cirurgia se:

lesão extensa (>50% do tendão)

déficit de extensão

falha do tratamento conservador

atleta de alto rendimento com instabilidade funcional.

6️⃣Particularidade em adolescente

Em pacientes jovens:

pode haver lesões associadas como avulsão da tuberosidade tibial ou lesões da Cartilagem de Crescimento, o que deve  ser avaliado no intraoperatório e na imagem.Ou seja: o tendão está íntegro, ele arranca um fragmento ósseo da tíbia, Isso acontece porque a Cartilagem de Crescimento é o ponto mais frágil nessa idade.

➡️ Um detalhe importante: em atletas jovens, essa lesão muitas vezes ocorre sobre um tendão previamente sobrecarregado (como na Doença de Osgood-Schlatter), o que pode influenciar na técnica cirúrgica e no risco de nova lesão.

➡️ Avulsão da Tuberosidade Tibial

Quando há lesão óssea por avulsão (em vez de ruptura pura do Tendão Patelar), o problema deixa de ser apenas “tendíneo” e passa a ser uma fratura com desinserção do mecanismo extensor.

📌 Exames importantes

radiografia (fundamental → geralmente já mostra)

Ressonância Magnética se dúvida

🔴 Quando operar na avulsão

Quase sempre há indicação cirúrgica se:

 - desvio do fragmento

- incapacidade de extensão

- comprometimento do mecanismo extensor

Casos muito leves e sem desvio podem ser tratados conservadoramente, mas são minoria.

Procedimento realizado

cirurgia: redução e fixação óssea

foco: recolocar o fragmento na posição anatômica

🔎 O que muda no prognóstico

Avulsão óssea:

melhor cicatrização (osso consolida bem)

risco de:

deformidade da tuberosidade

alteração do crescimento (raro, mas possível)

No caso de Ruptura tendínea, a cicatrização mais lenta, com maior risco de fraqueza residual e reruptura (se reabilitação inadequada)

⚠️ Complicações específicas da avulsão

Importante lembrar:

risco de síndrome compartimental (raro, mas clássico)

possível lesão vascular (artéria poplítea – raro)

Fontes

https://www.clinicadojoelho.med.br/rotura-do-tendao-patelar/

https://drluizgabriel.com.br/lesoes-ligamentares/lesoes-do-tendao-quadriceptal-e-patelar/

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0102361615001642