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Lesão de Alça em Balde no Menisco

Considerações iniciais

lesão de alça de balde do menisco corresponde a aproximadamente 10% dos problemas da estrutura. Ela ocorre quando, por diferentes razões, as extremidades do menisco estão fixas, mas a parte central, não. Daí o nome, pela semelhança a uma laça de balde.

 

Como a Lesão em Alça em Balde ocorre? Precisa de cirurgia?

Os meniscos são estruturas de fibrocartilagem composta por água e fibras de colágeno tipo I presentes entre os ossos fêmur  e a tíbia. O menisco medial tem forma de “U” e cobre 60% do lado interno enquanto o menisco lateral possui a forma de C e cobre 80% da parte externa. Essas fibras são importantes para amortecer o peso em cima do joelho, estabilizar o joelho além de aumentar a área de contato entre o fêmur e a tíbia.

O suprimento sanguíneo dessa área é bastante importante pois determina a capacidade de cicatrização em caso de lesão de menisco.

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Como o ortopedista especialista em joelho avalia esse quadro?

A avaliação começa com uma anamnese direcionada: o especialista investiga o mecanismo do trauma, o início dos sintomas, a presença de travamento e o histórico de lesões anteriores. Essas informações orientam o exame físico e a solicitação de exames complementares.

O exame físico inclui a palpação da linha articular, avaliação da amplitude de movimento e testes específicos para o menisco.

Entre os testes utilizados, o teste de McMurray é um dos mais conhecidos. Ele consiste em movimentos combinados de flexão, rotação e extensão do joelho, buscando reproduzir a dor ou o clique característico da lesão meniscal. Outros testes provocativos avaliam a compressão da linha articular em diferentes posições.

É importante entender que esses testes têm limitações: nenhum deles, isoladamente, confirma ou descarta uma lesão. Eles funcionam como ferramentas de triagem que, somadas à história clínica, direcionam a investigação por imagem.

 

Quais exames são solicitados e o que cada um pode mostrar?

raio-X do joelho costuma ser o primeiro exame solicitado. Ele não visualiza o menisco diretamente, mas é útil para avaliar o alinhamento ósseo, o espaço articular e descartar fraturas ou outras alterações associadas.

Para visualizar o menisco com precisão, o exame de referência é a ressonância magnética. A ressonância magnética do joelho permite identificar a extensão da ruptura, o grau de deslocamento da alça e a qualidade do tecido meniscal.

Em situações de travamento agudo com bloqueio evidente ao exame físico, a indicação pode ser mais direta. Mas, em geral, a ressonância é o caminho para confirmar o diagnóstico e afastar lesões associadas, como danos à cartilagem ou ao ligamento cruzado anterior. A decisão sobre solicitar ou não o exame depende sempre da avaliação clínica individualizada.

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Existem graus de lesão no menisco? 

A lesão no menisco é classificada de acordo com a forma da lesão no menisco, podendo ser dividida em lesão mais horizontal, longitudinal, obliqua, vertical, de cima para baixo. As mais comuns no menisco medial são as lesões longitudinais, em que corta o meio do menisco, de cima para baixo. Já no menisco lateral, é comum um corte radial em um traço vertical. 

A gravidade é determinada pelo tipo e extensão da ruptura. As lesões de menisco são classificadas em diferentes tipos, incluindo longitudinais, oblíquas, verticais e de cima para baixo, e cada uma pode variar em gravidade.

 

Rupturas Longitudinais

Estas ocorrem ao longo do comprimento do menisco, onde a separação se estende desde a parte interna até a borda externa. Esta lesão é grave pois pode levar a um deslocamento significativo do tecido meniscal, causando dor intensa, bloqueio do movimento do joelho e potencialmente mais danos à articulação se não tratada.

 

Rupturas Oblíquas (em Flap)

Estas são menos prováveis de se transformarem em lesões Alça de Balde, mas podem ser graves se forem grandes ou mal localizadas. Elas ocorrem em um ângulo no menisco e podem causar instabilidade e desconforto no joelho.

 

Rupturas Verticais

Também conhecidas como rupturas radiais, estas começam na parte mais interna do menisco e se movem em direção à borda externa. Uma ruptura vertical grande pode se tornar uma lesão Alça de Balde caso se estenda por todo o menisco. Estas lesões podem ser graves, especialmente se afetarem a estabilidade do joelho.

 

De Cima para Baixo (Rupturas Horizontais)

Estas ocorrem horizontalmente e são menos propensas a criar uma lesão em Alça de Balde. No entanto, podem ser problemáticas se forem grandes e afetarem significativamente a integridade do menisco.

Em termos de comorbidades, lesões em Alça de Balde são frequentemente consideradas graves devido ao risco de bloqueio articular e ao potencial de danificar outras estruturas do joelho se não tratadas adequadamente.

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Tratamento da lesão de alça de balde

Tratamento Conservador 

 

Indicado para lesões menos graves ou em pacientes que podem não ser candidatos à cirurgia devido a outras condições de saúde. Inclui:

  • repouso: evitar atividades que agravam a dor ou o inchaço;
  • gelo: aplicar gelo para reduzir o inchaço e a dor;
  • compressão: uso de bandagens para imobilizar e suportar o joelho;
  • elevação: manter o joelho elevado para diminuir o inchaço;
  • medicação: anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para reduzir a dor e o inchaço;
  • fisioterapia: exercícios para fortalecer os músculos ao redor do joelho e melhorar a amplitude de movimento.

O tratamento não cirúrgico é bem descrito para as lesões meniscais, especialmente a degenerativa. O exercício físico mostrou uma melhora na função do joelho reduzindo a dor nas articulações. A correta indicação do exercício com o objetivo de melhorar a força muscular, flexibilidade e controle do equilíbrio devem ser usadas como tratamento de primeira linha antes da indicação de uma cirurgia.

Se os sintomas persistirem, a indicação da meniscectomia ou meniscoplastia podem ser recomendadas. 

 

Tratamento Cirúrgico 

Ressecção da Lesão  – Meniscectomia
Por meio de um artroscópio, neste procedimento, mais simples tecnicamente, o fragmento rompido é cortado e retirado, reduzindo o tamanho do menisco. O menisco possui função bastante importante no joelho: suporte de carga, absorção de impacto, estabilização do joelho além da lubrificação do joelho e nutrição da cartilagem. 

Essas funções devem ser preservadas para a qualidade de vida do paciente. 

Estudos que observaram os pacientes após a cirurgia de meniscectomia total, ou seja, a retirada completa do menisco, concluíram que há a diminuição da área de contato entre os ossos, aumento da pressão no joelho. Esse aumento na pressão eleva o risco de osteoartrite. Esse estudo também mostrou que há maior risco de osteoartrite após meniscectomia quando no menisco lateral em comparação para a meniscectomia do lado medial. 

Desse modo, a meniscectomia parcial com a retirada somente da parte rasgada, mantendo o menisco o mais normal possível, possui melhores recomendações para evitar problemas no futuro.

A idade do paciente junto à condição física antes da operação, tempo de sintomas são fatores que contribuem para o resultado da cirurgia. 

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Reparação Meniscal 

Nesta técnica, o local lesionado no menisco recebe pontos, com o objetivo de estabilizar e permitir a cicatrização da lesão. A sutura deve ser o procedimento escolhido sempre que houver essa possibilidade, a depender da forma da lesão, tempo de evolução e demanda do paciente. Aqui, a vascularização da área é de suma importância. Áreas que não possuem vasos podem receber um coágulo de fibrina local para induzir à cicatrização.

A sutura é indicada para manter a forma do menisco protegendo o joelho de uma degeneração e evolução para artrose de joelho. 

As técnicas dependem da localização da lesão. Existe o procedimento aberto (após o exame por artroscopia) ou chamado de “dentro para fora” ou a técnica “All-inside” que chamamos de “de fora para dentro”.

A técnica aberta é interessante em situações que a visualização do menisco pelo artroscópico é prejudicada, por exemplo em lesões verticais posteriores dos meniscos laterais e mediais, portanto, mais profundas.

Fontes

https://adrianoleonardi.com.br/artigos/lesao-em-alca-em-balde-no-menisco/

https://leandrocalil.com.br/lesao-alca-de-balde/

https://drluizgabriel.com.br/blog/menisco-alca-balde-condicao-tratamento/

https://drleonardorochathomaz.com.br/lesao-do-menisco-gravatai/