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Distensão muscular dos Adutores da coxa

Considerações inicias

A distensão muscular dos adutores da coxa (especialmente adutor longo) é uma lesão frequente em esportes com arrancadas, mudanças de direção e chutes. A classificação mais usada é por graus de gravidade:

Grau I (leve)

  • Pequenas fibras rompidas, sem perda importante de força
  • Dor localizada, geralmente sem hematoma, consegue andar e até correr com desconforto
  • Tratamento conservador, retorno rápido

Grau II (moderada)

  • Ruptura parcial de fibras musculares
  • Dor mais intensa, perda de força, dificuldade para correr, pode haver edema/hematoma
  • Reabilitação estruturada

Grau III (grave)

  • Ruptura completa ou quase completa
  • Perda importante da função, incapacidade de aduzir a perna, hematoma importante
  • Avaliação ortopédica; pode necessitar cirurgia dependendo do músculo e extensão

 

Manejo inicial (primeiras 48–72 horas)

Objetivo: controlar dor e evitar piora.

PEACE (fase inicial):

  • Proteção: evitar movimentos que gerem dor (não significa imobilização prolongada)
  • Elevação se houver edema
  • Avoid anti-inflamatórios precocemente se possível (podem teoricamente interferir no reparo muscular; decisão depende do caso)
  • Compressão se houver inchaço
  • Educação do paciente

Medidas práticas:

  • Gelo 15–20 minutos, algumas vezes ao dia (principalmente se alívio sintomático)
  • Analgesia conforme necessidade
  • Evitar alongamento agressivo nos primeiros dias

 

Depois da fase aguda (geralmente após 48–72 h)

Entrar com reabilitação progressiva:

1) Controle de dor

  • Contrações isométricas leves dos adutores
  • Exercícios sem dor importante

Exemplo:

  • apertar uma bola/travesseiro entre os joelhos
  • manter 5–10 segundos
  • repetir séries

2) Recuperação de força

Progredir para:

  • Adução com elástico
  • Fortalecimento de glúteos e core
  • Exercícios excêntricos dos adutores

Um exercício muito usado:

  • Copenhagen adduction (progressivo)

3) Retorno ao esporte

Só quando:

  • amplitude completa sem dor
  • força próxima do lado saudável
  • corrida, aceleração e mudança de direção sem dor

Quando pedir imagem?

Ultrassom musculoesquelético ou ressonância podem ajudar quando:

  • suspeita de grau II/III
  • hematoma grande
  • perda importante de força
  • dor persistente
  • dúvida diagnóstica

Tempo médio de recuperação (aproximado)

  • Grau I: 1–3 semanas
  • Grau II: 3–8 semanas (pode ser mais)
  • Grau III: meses, dependendo da ruptura

Um detalhe importante: em atletas, uma lesão de adutor que “melhora a dor mas volta ao sprint” costuma indicar que a força excêntrica e controle pélvico ainda não foram recuperados.

Na lesão grau II dos adutores (ruptura parcial) o tratamento é conservador estruturado + reabilitação progressiva, com foco em controlar dor no início e recuperar força excêntrica depois.

🩺 Tratamento do grau II (adutores)

🔹 Fase aguda (0–3 dias)

Objetivo: reduzir dor e evitar aumento da lesão.

  • Proteção relativa (evitar corrida, chute, abertura forçada da perna)
  • Gelo 15–20 min, 2–4x/dia (principalmente para analgesia)
  • Compressão (short de compressão pode ajudar)
  • Elevação se houver edema
  • Analgésico (paracetamol ou dipirona; AINEs com cautela e preferência após fase inicial dependendo do caso)
  • Evitar alongamento agressivo

👉 Aqui ainda não é fase de ganho de força.

🔹 Fase subaguda (3–10 dias)

Objetivo: ativar músculo sem dor importante.

  • Isometria dos adutores (progressiva)
    • ex: apertar bola/travesseiro entre joelhos
  • Mobilidade leve de quadril
  • Ativação de core e glúteos
  • Bicicleta leve (se sem dor)

🔹 Fase de fortalecimento (2–6 semanas)

Objetivo: restaurar força, especialmente excêntrica.

  • Exercícios com elástico (adução resistida)
  • Copenhagen adduction (progressivo)
  • Agachamentos e avanço com controle
  • Treino de estabilidade pélvica
  • Corrida progressiva (quando sem dor)

🔹 Retorno ao esporte

Só quando:

  • força ≥ 90–95% do lado contralateral
  • sprint e mudança de direção sem dor
  • adução resistida sem desconforto

🔥 Pode usar calor local?

✔️ SIM, mas não na fase inicial

  • Primeiras 48–72h: NÃO é recomendado calor
    • pode aumentar sangramento intramuscular e edema

✔️ Quando usar calor:

A partir da fase subaguda (geralmente após 3–5 dias), se:

  • dor já diminuiu
  • não há aumento de edema
  • fase de reabilitação iniciada

Efeitos do calor:

  • relaxamento muscular
  • melhora da circulação local
  • facilita exercícios e alongamento leve

👉 Pode ser usado antes da fisioterapia/exercícios como preparação.

⚠️ Quando suspeitar de evolução ruim

  • dor que não melhora após 10–14 dias
  • hematoma grande inicial
  • fraqueza persistente importante
  • dor ao retorno da corrida leve

→ nesses casos considerar US ou RM.