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HISTEROSCOPIA - PROCEDIMENTO

Considerações iniciais

A histeroscopia é um exame (ou procedimento) ginecológico que permite visualizar diretamente o interior do útero usando uma câmera fina chamada histeroscópio. O médico introduz o histeroscópio pela vagina → passa pelo colo do útero → chega até a cavidade uterina. Não há cortes externos. O útero é levemente distendido com soro fisiológico ou gás para melhorar a visualização.

 

🧪 Tipos de histeroscopia

1. Diagnóstica

  • Mais simples e rápida
  • Geralmente feita no consultório
  • Dura cerca de 5–10 minutos
  • Pode causar leve cólica

 

2. Cirúrgica (operatória)

Pode remover:

- Pólipos

- Miomas submucosos

- Aderências (sinéquias)

- Septos uterinos

Normalmente feita em centro cirúrgico, com sedação ou anestesia

 

📌 Indicações mais comuns

 - Sangramento uterino anormal

 - Infertilidade

 - Abortos de repetição

 - Suspeita de pólipos ou miomas

 - Espessamento do endométrio

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Preparo

O preparo para a histeroscopia é simples, mas muda um pouco dependendo se é diagnóstica ou cirúrgica

📝 Preparo geral (para qualquer tipo)

📅 Agendamento: geralmente entre o 5º e 10º dia do ciclo menstrual (logo após a menstruação), quando o útero está mais “limpo”

🚫 Evitar relações sexuais 1–2 dias antes (em alguns serviços)

🚫 Não usar cremes vaginais, duchas ou absorvente interno antes do exame

🤰 Descartar gravidez (isso é essencial)

 

💊 Medicamentos antes do exame

Depende do serviço, mas pode ser solicitado:

Analgésico/anti-inflamatório (ex: ibuprofeno) 30–60 min antes → para reduzir cólica

 

🧪 Para histeroscopia diagnóstica

Geralmente não precisa jejum

Pode ir e voltar sozinha (na maioria dos casos)

Roupa confortável já ajuda

 

🏥 Para histeroscopia cirúrgica

Aqui o preparo é mais completo:

Jejum de 6–8 horas

🧾 Exames pré-operatórios (sangue, às vezes ECG)

👤 Ir com acompanhante (por causa da sedação/anestesia)

💊 Suspender alguns medicamentos, se orientado:

 - Anticoagulantes (ex: varfarina, rivaroxabana)

 - Às vezes AAS

⚠️ Situações em que pode adiar

- Infecção vaginal ou uterina ativa

- Sangramento menstrual intenso no dia

- Suspeita de gravidez

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Procedimento - descrição

🔎 Histeroscopia diagnóstica — passo a passo técnico

1. Preparação

Posição: litotomia dorsal

Assepsia e antissepsia da vulva, vagina e colo

Campo estéril

Pode ser feita: Sem anestesia (ambulatorial) ou com analgesia leve / bloqueio paracervical

2. Instrumental

Histeroscópio fino (2,9–5 mm)

Ótica 0° ou 30°

Sistema de distensão (soro fisiológico 0,9%)

3. Técnica de entrada

Introdução do espéculo (opcional em técnica vaginoscópica)

Pinçamento do colo (se necessário)

Técnica vaginoscópica (preferida hoje):

Entrada direta do histeroscópio na vagina

Sem pinçamento nem espéculo

4. Distensão uterina

Infusão de solução (SF 0,9%). O útero normalmente é uma cavidade “fechada”, com as paredes encostadas. Sem esse líquido, não daria para enxergar bem o interior do útero. Depois, o líquido sai naturalmente pela vagina ou é aspirado. Infundido com pressão controlada (geralmente 50–100 mmHg)

5. Progressão

Identificação sequencial:

Canal vaginal

Orifício externo do colo

Canal endocervical

Orifício interno

6. Avaliação sistematizada da cavidade

Examinar sempre na mesma ordem:

Fundo uterino

Paredes laterais

Parede anterior

Parede posterior

Óstios tubários

7. Achados comuns

Pólipos

Miomas submucosos

Sinéquias

Malformações uterinas

8. Finalização

Retirada do aparelho sob visão direta

Registro fotográfico / laudo

 

✂️ Histeroscopia Cirúrgica (Operatória)

1. Preparação

Mesma posição e antissepsia

Geralmente com:

Sedação + bloqueio ou anestesia raquidiana / geral

Dilatação cervical (Hegar ou velas osmóticas, se necessário)

2. Instrumental

Ressectoscópio (7–10 mm)

Ótica (geralmente 12° ou 30°)

Alça de ressecção / tesoura / morcelador

Sistema de energia:

Monopolar → glicina/manitol

Bipolar → soro fisiológico

3. Distensão uterina

Controle rigoroso:

Pressão: 80–120 mmHg

Controle de balanço hídrico (risco de sobrecarga)

4. Acesso

Introdução do ressectoscópio após dilatação

Progressão semelhante à diagnóstica

5. Avaliação inicial

Revisão completa da cavidade antes de iniciar intervenção

6. Procedimento cirúrgico (depende da indicação)

🔹 Polipectomia

Identificação do pólipo

Secção da base com alça ou tesoura

Retirada do fragmento

🔹 Miomectomia submucosa

Ressecção em “fatias” (técnica de shaving)

Iniciar pela porção intracavitária

Evitar perfuração

🔹 Lise de sinéquias

Tesoura fria ou energia mínima

Liberação progressiva das aderências

🔹 Septoplastia uterina

Ressecção do septo até visualizar fundo normal

🔹 Ablação endometrial (casos específicos)

Destruição do endométrio com energia

7. Controle intraoperatório

Monitorar:

Sangramento

Perfuração uterina

Déficit de líquido (⚠️ ponto crítico)

8. Finalização

Revisão da cavidade

Retirada do instrumental

Envio de material para anatomopatológico

 

⚠️ PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES (ambas)

Perfuração uterina

Sangramento

Infecção

Sobrecarga hídrica / hiponatremia (cirúrgica)

Embolia gasosa (raro)

Dor. 

⚠️ Riscos (raros)

Infecção

Perfuração uterina

Sangramento mais intenso

 

Recomendações após procedimento

Após uma histeroscopia diagnóstica, a recomendação geral é:

⏳ Tempo sem relação sexual:  Evitar relações por cerca de 2 a 3 dias

📌 Por quê?

Mesmo sendo um procedimento simples, o colo do útero pode ficar:

Levemente dilatado,  mais sensível e com pequeno risco de infecção. Esse curto período ajuda na cicatrização e reduz risco de complicações.

⚠️ Pode precisar de mais tempo se houver:

- Sangramento vaginal persistente

- Dor ou cólica mais intensa

- Alguma intervenção durante o exame

Nesses casos, o ideal é esperar até ficar sem sintomas.

Fontes

https://www.msmedicalsystems.com.br/produto/histeroscopio/

https://dramariaemiliadebarba.com.br/especialidades/histeroscopia/

https://nav.dasa.com.br/blog/histeroscopia-diagnostica

https://materprime.com.br/histeroscopia/