HIPOFOSFATEMIA - TRATAMENTO
Considerações iniciais
A hipofosfatemia caracteriza-se por concentração plasmática de fosfato < 2,5 mg/dL (0,81 mmol/L). Quando o fósforo plasmático encontra-se entre 1 e 2,5 mg/dL, a condição é denominada hipofosfatemia moderada.
Abaixo de 1 mg/dL, é considerada hipofosfatemia grave. Em geral, a hipofosfatemia não é uma emergência, devendo-se definir os mecanismos causadores para uma melhor abordagem. A cetoacidose diabética e a alcalose respiratória aguda são exemplos típicos.
Descobrir a causa
As principais situações são:
Se for persistente ou inexplicada, deve-se avaliar se existe perda renal de fósforo, utilizando fósforo/creatinina urinários e, em situações selecionadas, TmP/GFR e FGF23.
Sintomas associados a hiperfosfatemia:
As características clínicas incluem fraqueza muscular, insuficiência respiratória e insuficiência cardíaca; convulsões e coma podem ocorrer.Danos renais como resultado da precipitação de fosfato de cálcio (nefrocalcinose), a precipitação de fosfato de cálcio noutros tecidos (por exemplo pele, córnea, pulmão) e a hipocalcemia (sintomas: convulsões, espasmos musculares, tremores, parestesias, dor ou fraqueza nas mãos e nos pés, dispneia), até hipocalcemia tetânica e calcificações metastáticas.
O diagnóstico se faz por meio das concentrações séricas de fosfato.
Confirmar e investigar a causa
Base do tratamento
Tratar a doença subjacente
Reposição oral de fosfato
Fosfato IV quando o fosfato sérico é < 1 mg/dL (< 0,32 mmol/L) ou os sintomas são graves.
Quando diagnosticada, a hipofosfatemia deve ser tratada, sempre que possível, por meio da reposição oral de sais de fósforo.
Tratamento oral
O tratamento da doença subjacente e a reposição de fosfato oral costumam ser adequados para pacientes assintomáticos, mesmo quando a concentração plasmática for muito baixa. O fosfato pode ser administrado em doses em torno de 1 g por via oral 3 vezes ao dia, em comprimidos contendo fosfato de sódio ou fosfato de potássio. No entanto, o Fosfato de sódio ou fosfato de potássio oral não costuma ser bem tolerado por causa de diarreia. A ingestão de 1 L de leite desnatado ou pobre em gorduras fornece 1 g de fosfato e parece ser mais aceitável em algumas situações. A remoção da causa da hipofosfatemia pode incluir a suspensão de diuréticos ou antiácidos ligadores de fosfato e a correção da hipomagnesemia.
Tratamento parenteral
Indicações :
Fosfato parentérico é geralmente dado IV. Ele deve ser administrado em qualquer uma das seguintes circunstâncias:
Para adultos:
Fósforo Dose aproximada de fosfato IV
<1,0 mg/dL 0,6 mmol/kg
1,0–1,7 mg/dL 0,4 mmol/kg
1,7–2,2 mg/dL 0,2 mmol/kg
Geralmente administrado em aproximadamente 6 horas, com posterior reavaliação.
Exemplo: 60 kg com fósforo 1,5 mg/dL:
0,4 × 60 = 24 mmol de fósforo IV.
Alternativas terapêuticas
A administração IV de fosfato de potássio (na forma de mistura tamponada de K2HPO4 e KH2PO4) é relativamente segura se a função renal estiver bem preservada.
Contém 93 mg (3 mmol) de fósforo e 170 mg (4,4 mEq ou 4,4 mmol) de potássio por mL. A dose habitual é 0,5 mmol de fósforo/kg (0,17 mL/kg) IV durante 6 h. Pessoas com alcoolismo podem necessitar de ≥ 1 g/dia durante nutrição parenteral total; suspende-se a suplementação de fosfato quando a ingestão oral for retomada.
Se os pacientes têm insuficiência renal ou potássio sérico > 4 mEq/L (> 4 mmol/L), preparações de fosfato de sódio geralmente devem ser usadas; essas preparações também contêm 3 mmol/mL de fósforo e são, portanto, administradas na mesma dose.
• Cuidados com o uso !!! _
As concentrações plasmáticas de cálcio e fosfato devem ser monitoradas durante o tratamento, em particular quando o fosfato for administrado IV ou para pacientes com alteração da função renal. Na maioria dos casos, não mais de 7 mg/kg (cerca de 500 mg para um adulto de 70 kg) de fosfato devem ser administrados durante 6 h. Fazer um controle rigoroso e evitar a administração rápida de fosfato para evitar sintomas associados a hipercalemia :
Devido a hipercalemia ou perfusão muito rápida pode ocorrer arritmia cardíaca.
Os níveis séricos devem ser monitorizados à cada 6 hs, e a reposição passada para oral quando possível. A dose ajustada de acordo com o estado clínico e o novo valor do fosfato sérico. Os efeitos colaterais são maiores quando se administra dose superior a 1,5g em tempo inferior a 3 h . Não podemos nos esquecer também de tratar a hipopotassemia e a hipomagnesemia freqüentemente coexistentes com a hipofosfatemia .
Reposição venosa :
• Ampola de fosfato ácido de K+ = 0,16 g/ml = 5,1 mMol/ml. 1 ampola tem 10ml
• Dose _ 0,08 a 0,16 mMol/Kg/em 6 horas
• Diluir em SG 5% ou SF0,45%, no maior volume possível. Com o intuito de selecionar uma dose inicial que produza o mínimo de efeitos colaterais.
Inicia-se o tratamento usando 0,08 mEq/Kg (2,5 mg/kg) na hipofosfatemia recente e não complicada e 0,16 mEq/kg (5mg/kg) se for prolongada ou de múltiplas causas.
As doses iniciais devem ser 25 a 50% superiores, se o paciente for sintomático e inferiores, se houver hipocalcêmia.
FONTES
https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-end%C3%B3crinos-e-metab%C3%B3licos/dist%C3%BArbios-eletrol%C3%ADticos/hipofosfatemia