Tratamento abortivo agudo da enxaqueca
Considerações iniciais
Após descartar sinais de alarme, que levariam imediatamente à solicitação de exame de neuroimagem e de investigação mais detalhada, através de outros exames complementares (ex: punção lombar).
O primeiro ponto relevante, que por vezes é esquecido, é que devemos iniciar o tratamento em um ambiente calmo, com o mínimo de ruídos e luminosidade, pois lembre-se: uma das características da enxaqueca é a presença de foto e fonofobia.
Além disso, é importante hidratar adequadamente o paciente, pois outra característica da enxaqueca é a presença de náusea e/ou vômitos, o que, por vezes, dependendo da gravidade do paciente, por levá-lo a um estado de desidratação.
Para entender a importância disso, (1) náusea e/ou vômito e (2) fotofobia e fonofobia constam nos critérios diagnósticos de enxaqueca da Classificação Internacional de Cefaleias (ICDHD-3). Então, espere isso e forneça o alívio adequado ao seu paciente.
Bases medicamentosas
As principais classes medicamentosas disponíveis para o tratamento abortivo da enxaqueca: Triptano, Analgésico/AINE e Plasil (Metoclopramida)
Dois pontos fundamentais no nosso tratamento abortivo são:
(1) damos preferência a medicamentos parenterais, principalmente nos pacientes que apresentam náuseas e vômitos. Isso reduz a eficácia da via oral e
(2) nos casos de crise leve pode, inicialmente, tentar uma abordagem com analgésico e, em caso refratário, entrar com triptanos.
Mas veja: isso não é o comum, pois a crise de enxaqueca geralmente é acompanhada de intensidade moderada a forte. Então, o normal é entrarmos inicialmente já com triptano aos nossos pacientes.
Triptanos
Os triptanos são agonistas dos receptores de serotonina 5HT1B e 5HT1D, gerando uma vasoconstrição craniana (reduzindo inflamação neurogênica) e bloqueando vias de dor do tronco encefálico. São a grande droga no tratamento da enxaqueca, e possuem uma eficácia ainda maior quando administrada no início do episódio (ou no começo da aura).
Ainda, há evidências pobres sobre o assunto, mas os triptanos devem ser evitados nos casos de:
Analgésicos/AINES
Os analgésicos simples (dipirona e paracetamol), bem como anti-inflamatórios não hormonais são eficazes no tratamento abortivo comprovados por diversos estudos clínicos randomizados.
Bloqueadores dos receptores de dopamina
Por fim, os bloqueadores de receptores de dopamina (metoclopramida, clorpromazina) são úteis como monoterapia da crise de enxaqueca.
A clorpromazina apresenta a grande desvantagem do risco de prolongamento do intervalo QT, e, portanto, necessita de monitorização com ECG dos nossos pacientes.
Já metoclopramida, além de não possuir essa desvantagem, apresenta o benefício de ser antiemético e auxiliar no manejo daqueles pacientes que se apresentam com queixa de náusea e vômito, sendo considerado, assim, medicamento de 1ª linha.
Terapia adjuvante
Dexametasona
No intuito de prevenir a recidiva precoce após o uso da terapia padrão para abortar a crise, estudos têm mostrado que a dexametasona, na dose de 10-24mg IV, é eficaz nesse objetivo.
A dexametasona não possui qualquer efeito sobre a dor do paciente, contudo, reduz o risco de recorrência precoce. Deve ser administrada em dose única, pois o uso frequente aumenta o risco de toxicidade por glicocorticóides.
Bloqueio anestésico
Um tratamento adjuvante, mas que ainda carece de estudos de maior evidência é o uso de lidocaína a 2% para bloqueio dos nervos occipitais maiores e menores.
Medicamentos que devem ser evitados
Fontes
-https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-neurol%C3%B3gicos/cefaleia/enxaqueca]https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/HSE_URM_ENX_0704.pdf
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