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Entorse de tornozelo - tratamento

Considerações iniciais

Entorse de tornozelo sem fratura é comum, mas a conduta correta muda bastante o prognóstico. 

 

🦶  Conduta

1️⃣ Classificar a gravidade

Clínica + exame físico (imagem só se indicado)

Grau I (leve)

Estiramento ligamentar

Dor leve, pouco edema

Sem instabilidade

👉 Apoio preservado

Grau II (moderado)

Ruptura parcial

Edema + equimose

Dor à carga

👉 Instabilidade leve

Grau III (grave)

Ruptura completa

Edema importante

Incapacidade de apoio

👉 Instabilidade franca

 

2️⃣ Conduta inicial (todos os graus)

Avaliação inicial

Aplicar os critérios de Ottawa para tornozelo e pé:

Solicitar radiografias se houver:

  • Incapacidade de sustentar o peso por 4 passos imediatamente após o trauma e/ou na avaliação atual.
  • Dor na região maleolar associada a dor à palpação óssea nos 6 cm distais da tíbia ou fíbula.
  • Dor no mediopé associada a dor à palpação do osso navicular ou da base do 5º metatarso.

 

Exames

  • RX de tornozelo direito (AP, perfil e mortise).
  • RX de pé direito (AP, oblíqua e perfil), principalmente pela dor no dorso lateral do pé.

 

Conduta inicial enquanto aguarda diagnóstico

  • Repouso relativo.
  • Gelo local 15–20 minutos, 4–6 vezes ao dia.
  • Elevação do membro.
  • Compressão elástica se tolerada.
  • Analgesia:
    • Dipirona 500–1000 mg a cada 6 horas se necessário; ou
    • Paracetamol 500–750 mg a cada 6 horas se necessário.
    • AINEs podem ser considerados se não houver contraindicações.​​​​​​​

🔹 Protocolo PRICE / POLICE

Proteção (órtese, tornozeleira)

Repouso relativo (evitar impacto)

Gelo: 15–20 min, 3–4x/dia (primeiras 48–72h)

Compressão (faixa elástica)

Elevação do membro

📌 Mobilização precoce é preferível ao repouso absoluto.

 

 

Gelo e repouso

Na abordagem inicial da entorse de tornozelo, seguimos o protocolo PRICE (protection, rest, ice, compression e elevation). Ou seja, devemos proteger o tornozelo, fazer repouso, colocar gelo, comprimir e elevá-lo. A proteção é feita poupando o tornozelo da carga total, podendo ser usado botas ortopédicas e até muletas, dependendo do grau da lesão. O repouso é relativo, uma vez que o ato de pisar estimula a cicatrização dos ligamentos.

O gelo é feito em sessões de 10-15 minutos, por 3-5 vezes ao dia, durante os 5-7 dias iniciais. A compressão pode ser realizada durante a própria sessão com o gelo, o que auxilia na redução do edema. E a elevação tem como objetivo a melhora na drenagem linfática e na sensação de “latejamento” do tornozelo, após os 5 dias iniciais da torção.

 

 Analgesia

Paracetamol ou dipirona

AINEs por curto período (se não houver contraindicação)

⚠️ Evitar AINE prolongado (pode atrasar cicatrização ligamentar).

 

 Imobilização: quando usar?

 

  • Se houver muita dor para deambular, usar bota imobilizadora tipo walker ou tala suropodálica até esclarecimento radiográfico.
  • Considerar muletas para descarga parcial ou total do peso.

Grau I → geralmente não imobilizar

Grau II → tornozeleira funcional / bota imobilizadora curta (7–14 dias)

Grau III → bota imobilizadora + avaliação ortopédica

❌ Gesso rotineiro não é indicado se não houver fratura.

 

6️⃣ Quando pedir imagem?

Radiografia se critérios de Ottawa positivos:

Dor óssea em maléolos

Incapacidade de apoiar imediatamente e no PS

 

Ressonância se:

Dor persistente > 6 semanas

Suspeita de lesão osteocondral

Instabilidade recorrente

 

7️⃣ Sinais de alerta 🚨

 

Encaminhamento urgente para ortopedia/emergência

Se houver:

  • Deformidade.
  • Instabilidade importante.
  • Déficit neurovascular.
  • Dor desproporcional.
  • Suspeita de ruptura tendínea (por exemplo, tendão de Aquiles).
  • Fratura identificada.

Tratamento Convencional / Não Cirúrgico

Mobilização e carga

É importante ressaltar que a mobilização precoce e controlada do tornozelo, associada à descarga de peso progressiva diminuem o tempo de retorno ao esporte e às atividades do dia a dia, acelerando a recuperação. Não se deve imobilizar o tornozelo, deixando-o livre de cargas por longos períodos.

Em entorses mais leves, a utilização de órteses semi-rígidas, como tornozeleiras, é o suficiente. Em casos mais graves, pode ser necessário o uso da bota ortopédica por tempo limitado, passando-se então para as órteses menos rígidas.

Fisioterapia

 

Reabilitação (ESSENCIAL)

Iniciar assim que dor permitir:

🔹 Fase inicial

Mobilidade ativa

Exercícios de amplitude de movimento

🔹 Fase intermediária

Fortalecimento peroneais

Treino proprioceptivo

🔹 Retorno ao esporte

Progressivo

Com órtese se necessário

📌 Falta de fisioterapia → maior risco de instabilidade crônica do tornozelo.

Normalmente o tratamento fisioterápico tem ótimos resultados e, portanto, deve ser a abordagem inicial na fase aguda. O treinamento funcional, através do controle postural e neuromuscular, tem se mostrado superior a uma abordagem mais restritiva ( realizada com imobilizações prolongadas e sem liberação de carga e treinamento fisioterápico precoce).​

Com o tratamento funcional, a taxa de sucesso é de aproximadamente 80%. E este sucesso significa não sofrer entorses de repetição e não sentir dor ao redor do mesmo. O principal problema da lesão aguda é quando o paciente desenvolve a Instabilidade Crônica. Isto pode ocorrer em 20 % dos casos. Os pacientes com este problema relatam. dor crônica no tornozelo, sensação de insegurança principalmente para andar em terrenos irregulares, falseio e entorses de repetição.

 

Treinamento funcional com exercícios de propriocepção e força

Tratamento cirúrgico

Cirurgia não é a regra na entorse de tornozelo. Ela só entra em cena depois que o tratamento conservador bem feito falha ou em situações bem específicas. Vamos aos critérios práticos 

🦶 Entorse de tornozelo — quando considerar cirurgia?

🔑 Regra de ouro 👉 Primeiro sempre tratamento conservador completo, por pelo menos 8–12 semanas, com:

  • Imobilização funcional adequada
  • Analgesia
  • Fisioterapia estruturada (principalmente propriocepção)

Sem isso, não se fala em cirurgia.

 

1️⃣ Indicação MAIS COMUM: instabilidade crônica

Considerar cirurgia se houver:

  • Sensação recorrente de falseio
  • Entorses de repetição
  • Dor persistente
  • Falha após ≥ 3 meses de reabilitação adequada

📌 Confirmar com:

Exame físico (gaveta anterior positiva)

RM mostrando lesão ligamentar persistente

 

2️⃣ Lesões associadas que indicam cirurgia

Mesmo após entorse “sem fratura”, pode haver:

🔹 Lesão osteocondral do tálus

Dor profunda no tornozelo

Derrame recorrente

Travamento

👉 RM confirma → pode indicar artroscopia

🔹 Ruptura ligamentar completa + instabilidade franca

Especialmente em atletas de alto rendimento

Falha do tratamento funcional

🔹 Lesão do ligamento deltóide ou sindesmose

Dor medial persistente

Instabilidade tibiofibular

👉 Geralmente requer abordagem cirúrgica

3️⃣ Situações especiais

Atletas profissionais com demanda precoce

Deformidades associadas

Fraturas ocultas diagnosticadas tardiamente

 

❌ O que NÃO é indicação cirúrgica isolada

Edema persistente nas primeiras semanas

RM mostrando lesão ligamentar sem instabilidade clínica

Dor sem reabilitação adequada

Primeira entorse

 

🧠 Linha do tempo resumida

0–6 semanas → tratamento funcional + fisioterapia

6–12 semanas → reavaliar evolução

> 12 semanas com instabilidade/dor → considerar cirurgia

Tratamento Cirúrgico

Nos casos de falhas do tratamento conservador, em que o paciente evolui para INSTABILIDADE CRÔNICA o tratamento cirúrgico está indicado. Cada entorse do tornozelo, mesmo que seja muito sutil pode machucar a cartilagem do tornozelo e isso ao longo da vida pode resultar em uma ARTROSE desta articulação. Por isso um tornozelo NÃO pode ser instável. Além disto a cada entorse o ligamento machuca mais e diminui a qualidade do seu tecido e isso pode ter influencia na técnica cirúrgica utilizada.​

O tratamento cirúrgico é realizado através de uma artroscopia do tornozelo. Através de três acessos puntiformes ( 3 milímetros) é inserido uma câmera e alguns instrumentos dentro articulação utilizados para realizar o reparo do ligamento lesionado.​

Por se tratar de uma cirurgia minimamente invasiva realizada por artroscopia o pós operatório é tranquilo e a taxa de complicação relacionada a cicatrização da pele e infecção é muito baixa.

 

Demonstração de uma artroscopia do tornozelo.

Observe que são realizados apenas 3 acessos milimétricos para realizar a cirurgia. Não é necessário realizar incisões/cortes cirúrgicos extensos como antigamente.

 

Como é o pós operatório?

-Apoio: usando uma Bota Ortopédica e com o auxílio de muletas o paciente pode apoiar com o pé operado a partir do sétimo dia pós operatório. Esta bota é utilizada por 4 semanas e após isto é substituída por uma órtese semi-rígida utilizado com um tênis.  A reabilitação fisioterápica é iniciada a partir da segunda semana pós operatoria.  Geralmente a partir da quarta semana o paciente já pode iniciar atividades sem impacto : musculação com aparelhos, bicicleta ergomértrica, trabalho dos gestos esportivos. A partir da oitava semana já inicia os gestos esportivos e trotes e ou corridas leves e a partir do 3 mês retornar aos esportes.

Obs: Este tempo de retorno aos esportes e as atividades é uma média aproximada. Isso depende de cada paciente e de cada caso. Alguns pacientes podem retornar antes deste tempo enquanto outros podem demorar mais tempo.

FONTES

https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/les%C3%B5es-e-envenenamentos/entorses-e-outras-les%C3%B5es-dos-tecidos-moles/entorses-do-tornozelo

https://notortopedia.com.br/entorse-de-tornozelo-causas-tipos-e-tratamento/

https://www.drgustavonunes.com/post/tudo-sobre-a-entorse-do-tornozelo

https://adrianoleonardi.com.br/artigos/entorse-de-tornozelo/