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A interpretação de um ecocardiograma deve ser sistemática. Em vez de analisar cada número isoladamente, o ideal é avaliar os grandes grupos de parâmetros e integrá-los ao quadro clínico.

1. Função sistólica do ventrículo esquerdo

O principal parâmetro é a fração de ejeção (FEVE).

  • Normal: ≥ 55%
  • Levemente reduzida: 41–54%
  • Moderadamente reduzida: 30–40%
  • Gravemente reduzida: < 30%

Além da FEVE, observe:

  • Hipocinesia, acinesia ou discinesia segmentar (sugestivas de isquemia ou infarto).
  • Débito sistólico e volume sistólico.

2. Dimensões e geometria do ventrículo esquerdo

Avaliar:

  • Diâmetro diastólico final (DDVE).
  • Diâmetro sistólico final (DSVE).
  • Espessura do septo interventricular.
  • Espessura da parede posterior.

Achados comuns:

  • Dilatação ventricular → cardiomiopatias, insuficiência valvar.
  • Hipertrofia concêntrica → hipertensão arterial, estenose aórtica.
  • Hipertrofia excêntrica → sobrecarga de volume.

3. Função diastólica

Avaliada por:

  • Relação E/A (fluxo mitral).
  • e’ septal e lateral (Doppler tecidual).
  • Relação E/e’.
  • Volume do átrio esquerdo.
  • Velocidade de regurgitação tricúspide.

Classificação:

  • Grau I: relaxamento alterado.
  • Grau II: padrão pseudonormal.
  • Grau III: restritivo.
  • Grau IV: restritivo irreversível.

A relação E/e’ elevada sugere aumento das pressões de enchimento.

4. Átrio esquerdo

O mais importante é o índice de volume atrial esquerdo.

  • Normal: <34 mL/m²

Aumento sugere:

  • Hipertensão crônica.
  • Fibrilação atrial.
  • Disfunção diastólica.

5. Ventrículo direito

Avaliar:

  • TAPSE.
  • S’ tricúspide.
  • Fração de área do VD.
  • Dimensões do VD.

Valores usuais:

  • TAPSE ≥17 mm → normal.

6. Pressão pulmonar

Estimativa pela insuficiência tricúspide.

  • PSAP <35 mmHg geralmente normal.
  • 35–50 mmHg: elevação leve.
  • 50 mmHg: hipertensão pulmonar provável.

Deve ser correlacionada com clínica e outros exames.

7. Valva mitral

Procurar:

  • Insuficiência mitral.
  • Estenose mitral.

Parâmetros:

  • Área valvar.
  • Gradiente médio.
  • Volume regurgitante.

8. Valva aórtica

Avaliar:

  • Velocidade máxima.
  • Gradiente médio.
  • Área valvar.

Estenose aórtica importante geralmente apresenta:

  • Velocidade ≥4 m/s.
  • Gradiente médio ≥40 mmHg.
  • Área valvar ≤1,0 cm².

9. Valva tricúspide e pulmonar

Normalmente procura-se:

  • Insuficiência tricúspide.
  • Hipertensão pulmonar.
  • Estenose ou insuficiência pulmonar.

10. Pericárdio

Pesquisar:

  • Derrame pericárdico.
  • Sinais de tamponamento.
  • Espessamento pericárdico.

Roteiro prático para leitura rápida

Ao receber um ecocardiograma, responda às seguintes perguntas:

  1. A FEVE está normal?
  2. O ventrículo esquerdo está dilatado ou hipertrofiado?
  3. Há disfunção diastólica?
  4. O átrio esquerdo está aumentado?
  5. O ventrículo direito está preservado?
  6. Existe hipertensão pulmonar?
  7. Há valvopatia significativa?
  8. Existe derrame pericárdico?

Se você me enviar um laudo específico, posso fazer uma interpretação completa parâmetro por parâmetro e explicar a relevância clínica de cada achado.

 

 

Com os dados fornecidos:

  • FEVE: 64% → função sistólica do ventrículo esquerdo preservada.
  • Onda E: 43 cm/s
  • Onda A: 61 cm/s
  • Relação E/A: 0,7
  • e’ septal: 5 cm/s
  • e’ lateral: 5 cm/s
  • E/e’ médio: 8,6

A interpretação mais provável é:

Função diastólica

A relação E/A < 0,8 associada a uma onda E < 50 cm/s (43 cm/s) é compatível com disfunção diastólica grau I (alteração do relaxamento ventricular), desde que não haja outros critérios sugerindo elevação das pressões de enchimento.

Além disso:

  • e’ septal e lateral de 5 cm/s estão reduzidos, indicando relaxamento miocárdico lentificado.
  • E/e’ médio de 8,6 está dentro da faixa considerada normal (<14), sugerindo que as pressões de enchimento do ventrículo esquerdo não estão elevadas.

Significado clínico

Esse padrão é muito comum em:

  • Envelhecimento fisiológico.
  • Hipertensão arterial.
  • Diabetes mellitus.
  • Hipertrofia ventricular esquerda.

Isoladamente, não caracteriza insuficiência cardíaca diastólica. Para isso, seria necessário haver sintomas e/ou evidências de aumento das pressões de enchimento.

 

Esses índices são medidas obtidas pelo Doppler do ecocardiograma para avaliar como o ventrículo esquerdo se enche de sangue durante a diástole (fase de relaxamento cardíaco).

Onda E

É a velocidade do fluxo sanguíneo que passa pela valva mitral no enchimento rápido inicial do ventrículo esquerdo.

  • Quanto melhor o relaxamento ventricular, maior tende a ser a onda E.
  • No envelhecimento ou na disfunção diastólica inicial, a onda E costuma diminuir.

Onda A

É a velocidade do fluxo gerado pela contração do átrio esquerdo no final da diástole.

  • Quando o ventrículo relaxa mal, o átrio precisa “empurrar” mais sangue, aumentando a onda A.

Relação E/A

Compara o enchimento passivo (E) com o enchimento por contração atrial (A).

  • Adultos jovens: geralmente >1.
  • Alteração do relaxamento (grau I): <0,8.
  • Pseudonormalização (grau II): entre 0,8 e 2.
  • Restritivo (graus III/IV): >2.

No seu exemplo:

  • E = 43 cm/s
  • A = 61 cm/s
  • E/A = 0,7

Isso significa que o enchimento depende mais da contração atrial do que do relaxamento ventricular, sugerindo relaxamento lento.

e’ (e-prime)

É medido pelo Doppler tecidual e avalia diretamente a velocidade de movimento do anel mitral durante o relaxamento do miocárdio.

Existem duas medidas:

  • e’ septal (lado do septo)
  • e’ lateral (parede lateral)

Valores baixos indicam relaxamento ventricular prejudicado.

Em geral:

  • e’ septal >7 cm/s é considerado normal.
  • e’ lateral >10 cm/s é considerado normal.

No seu caso:

  • e’ septal = 5 cm/s
  • e’ lateral = 5 cm/s

Isso reforça a presença de relaxamento reduzido.

Relação E/e’

É uma estimativa indireta da pressão dentro do ventrículo esquerdo e do átrio esquerdo.

  • E = pressão que impulsiona o sangue para dentro do ventrículo.
  • e’ = capacidade do ventrículo de relaxar.

Interpretação:

  • <8 → pressões normais.
  • 8–14 → geralmente normais ou discretamente elevadas.
  • 14 → sugere aumento das pressões de enchimento.

No seu caso:

  • E/e’ = 8,6

Isso sugere que, apesar do relaxamento lento, as pressões cardíacas ainda não estão significativamente elevadas.

Resumindo o seu ecocardiograma

Imagine o ventrículo como uma mola:

  • A FE de 64% mostra que ele contrai bem.
  • O E/A de 0,7 e o e’ de 5 cm/s mostram que ele relaxa mais lentamente.
  • O E/e’ de 8,6 mostra que a pressão dentro dele ainda não está aumentada.

Esse padrão é muito comum em pessoas acima de 60 anos, hipertensos e diabéticos, e frequentemente representa uma alteração leve da função diastólica.

 

 

Com esses dados adicionais, a interpretação fica mais interessante porque aparece um possível comprometimento do ventrículo direito.

Ventrículo esquerdo

  • FEVE: 64% → normal.
  • E/A = 0,7.
  • e’ septal = 5 cm/s.
  • e’ lateral = 5 cm/s.
  • E/e’ = 8,6.

Conclusão: disfunção diastólica grau I, com pressões de enchimento aparentemente normais.

Átrio esquerdo

  • Volume: 52 mL.
  • Índice de volume: 28 mL/m².

Valor normal (<34 mL/m²).

Isso reforça que não há evidência ecocardiográfica de elevação crônica das pressões de enchimento do ventrículo esquerdo.

Ventrículo direito

Os parâmetros informados são:

  • TAPSE = 14 mm (normal ≥17 mm).
  • S’ tricúspide = 12 cm/s (normal, geralmente >9,5 cm/s).
  • FAC = 31% (normal ≥35%).

Interpretação:

  • TAPSE reduzido.
  • FAC reduzido.
  • S’ preservado.

Isso sugere disfunção sistólica leve do ventrículo direito, embora haja certa discordância entre os parâmetros. Quando TAPSE e FAC estão reduzidos, costuma-se valorizar a possibilidade de comprometimento do VD.

Átrio direito

  • Volume absoluto: 84 mL.
  • Volume indexado: 44,8 mL/m².

Encontra-se aumentado.

O aumento do átrio direito associado a TAPSE e FAC reduzidos levanta a possibilidade de:

  • Hipertensão pulmonar.
  • Doença pulmonar crônica (DPOC, fibrose pulmonar, apneia do sono).
  • Tromboembolismo pulmonar prévio.
  • Insuficiência tricúspide significativa.
  • Cardiopatia direita.

O que faltaria saber?

Seria fundamental conhecer:

  • Pressão sistólica da artéria pulmonar (PSAP).
  • Velocidade do jato de insuficiência tricúspide.
  • Grau de insuficiência tricúspide.
  • Dimensões do ventrículo direito.
  • Motivo pelo qual o ecocardiograma foi solicitado.

Resumo integrado

Esse exame sugere:

  • Função sistólica do VE preservada.
  • Disfunção diastólica leve (grau I).
  • Átrio esquerdo normal.
  • Átrio direito dilatado.
  • Possível comprometimento leve da função do ventrículo direito (TAPSE 14 mm e FAC 31%).

Se esse paciente tiver DPOC, doença pulmonar intersticial, apneia do sono, embolia pulmonar prévia ou dispneia inexplicada, eu investigaria com atenção a circulação pulmonar e a função do ventrículo direito. A PSAP e a insuficiência tricúspide seriam os próximos dados mais importantes para interpretar esse ecocardiograma.

Esses parâmetros avaliam principalmente a função do ventrículo direito (VD) e o tamanho das câmaras cardíacas direitas.

TAPSE (Tricuspid Annular Plane Systolic Excursion)

Mede quanto o anel da valva tricúspide se desloca durante a contração do VD.

  • Normal: ≥ 17 mm
  • Quanto maior o deslocamento, melhor a função sistólica do VD.
  • É uma medida simples e muito utilizada.

Seu valor: 14 mm
→ Sugere redução da contratilidade longitudinal do ventrículo direito.

S’ (onda S do Doppler tecidual)

Mede a velocidade de movimentação do anel tricúspide durante a sístole.

  • Normal: > 9,5 cm/s
  • Avalia a velocidade da contração do VD.

Seu valor: 12 cm/s
→ Preservado.

É por isso que existe uma aparente discordância: a velocidade está normal, mas a excursão (TAPSE) está reduzida.

FAC (Fractional Area Change)

É semelhante à fração de ejeção, mas aplicada ao ventrículo direito.

Calcula quanto a área do VD diminui da diástole para a sístole.

  • Normal: ≥ 35%
  • Leve redução: 30–35%
  • Moderada a grave: <30%

Seu valor: 31%
→ Leve redução da função sistólica do VD.

Volume do átrio esquerdo

Avalia exposição crônica do átrio esquerdo a pressões elevadas.

  • Normal (indexado): <34 mL/m²

Seu valor: 28 mL/m²
→ Normal.

Isso sugere que não há aumento crônico significativo das pressões do lado esquerdo do coração.

Volume do átrio direito

Avalia sobrecarga crônica do lado direito.

  • Normal: geralmente <39 mL/m²

Seu valor: 44,8 mL/m²
→ Aumentado.

Pode ocorrer em:

  • Hipertensão pulmonar.
  • Insuficiência tricúspide.
  • Doenças pulmonares crônicas.
  • Fibrilação atrial.
  • Sobrecarga de volume do lado direito.

Integrando tudo

Imagine o coração como uma bomba com dois motores:

Lado esquerdo

  • FEVE = 64% → bombeando normalmente.
  • Relaxamento um pouco lento (disfunção diastólica grau I).
  • Átrio esquerdo normal.

Lado direito

  • TAPSE ↓
  • FAC ↓
  • Átrio direito ↑
  • S’ preservada

Isso sugere que o ventrículo direito pode estar sofrendo alguma sobrecarga ou perda leve de função, embora não haja uma disfunção grave pelos dados apresentados.

Para fechar a interpretação do lado direito, os parâmetros mais importantes que faltam são:

  • Pressão sistólica da artéria pulmonar (PSAP).
  • Velocidade da insuficiência tricúspide.
  • Tamanho do ventrículo direito.
  • Grau de insuficiência tricúspide.

Esses dados ajudam a determinar se há hipertensão pulmonar, que é uma das causas mais comuns desse padrão ecocardiográfico

Resumo dos principais achados

  • Fração de ejeção (Simpson): 49%
    • Normal: ≥52%
    • Indica disfunção sistólica leve a moderada do ventrículo esquerdo.
  • Hipocinesia difusa das paredes
    • O músculo cardíaco está contraindo menos intensamente de forma generalizada.
  • Disfunção diastólica grau I
    • Alteração leve do relaxamento do ventrículo esquerdo.
    • Muito comum em hipertensos, diabéticos e com o envelhecimento.
  • Insuficiência mitral leve
    • Pequeno refluxo de sangue pela válvula mitral.
    • Geralmente não causa sintomas nessa intensidade.
  • Pressão pulmonar (PSAP): 15 mmHg
    • Normal.
  • Ventrículo direito
    • Tamanho e função normais.

O que significa cada parâmetro

Aorta = 30 mm

Mede o calibre da principal artéria do corpo.

AE (Átrio Esquerdo) = 35 mm

Câmara que recebe sangue dos pulmões.

Relação AE/AO = 1,17

Compara o tamanho do átrio esquerdo com a aorta.

Volume do AE = 63 mL

Volume do átrio esquerdo.
O valor absoluto está discretamente elevado, mas o índice por superfície corporal está normal.

Volume do AD = 50 mL

Volume do átrio direito.
Dentro da normalidade.

Espessuras

Espessura do septo = 6,7 mm

Parede que separa os ventrículos.

Espessura da parede posterior = 7,9 mm

Espessura da parede do ventrículo esquerdo.

Ambas normais.

Medidas do ventrículo esquerdo

Diâmetro diastólico do VE = 51 mm

Tamanho do ventrículo quando está cheio.

Diâmetro sistólico do VE = 37,3 mm

Tamanho após a contração.

Ambos normais.

Volume diastólico final = 123,8 mL

Quantidade de sangue antes da contração.

Volume sistólico final = 59,3 mL

Quantidade de sangue que permanece após a contração.

Volume sistólico = 64,5 mL

Quantidade de sangue ejetada em cada batimento.

 

 

+

Função sistólica

FE (Simpson) = 49%

Principal medida da força do coração.

  • Normal: >52%
  • 49% = leve redução.

FE (Teichholz) = 52,1%

Método alternativo de cálculo.
Também sugere leve redução.

Fração de encurtamento = 26,8%

Outra medida da contratilidade.
Normal.

 

Função diastólica

Onda E = 46 cm/s

Entrada rápida de sangue no ventrículo.

Onda A = 37 cm/s

Entrada de sangue provocada pela contração do átrio.

Relação E/A = 1,24

Avalia o relaxamento ventricular.

e’ lateral = 11 cm/s

e’ septal = 9 cm/s

Mede a velocidade de relaxamento do músculo cardíaco.

E/e’ média = 4,6

Estimativa da pressão de enchimento do ventrículo.

  • Normal (<14)
  • Não há evidência de aumento importante das pressões cardíacas.

TDA Mitral = 204 ms

Tempo de desaceleração da onda E.
Compatível com disfunção diastólica leve.

 

Ventrículo direito

Diâmetro basal VD = 36 mm

Normal.

Onda S tricúspide = 10 cm/s

Avalia a força do ventrículo direito.
Normal.

 

Circulação pulmonar

PSAP = 15 mmHg

Pressão da artéria pulmonar.

Normal (até 35-37 mmHg).

Resistência vascular pulmonar = 0,88 UW

Normal.

 

Válvulas

Mitral

Refluxo leve.

Tricúspide

Normal.

Aórtica

Normal.

Pulmonar

Normal.

 

Interpretação clínica

O exame sugere uma cardiomiopatia leve, com:

  • Fração de ejeção discretamente reduzida (49%);
  • Hipocinesia difusa do ventrículo esquerdo;
  • Disfunção diastólica grau I;
  • Insuficiência mitral leve.

Seria importante correlacionar com a história clínica para investigar a causa (hipertensão arterial, doença coronariana prévia, miocardite, consumo de álcool, cardiomiopatia dilatada inicial, entre outras).

Se você me disser:

  • Quais sintomas o paciente apresenta (falta de ar, inchaço, dor no peito, palpitações);
  • Se é hipertenso, diabético ou já teve infarto;

posso explicar qual a causa mais provável dessas alterações e qual costuma ser o tratamento.

 

1. Função do ventrículo esquerdo (VE)

FE 64%

  • A fração de ejeção está normal (normal geralmente > 55%).
  • O VE mantém boa capacidade de bombeamento.

Remodelamento concêntrico

  • Espessamento relativo das paredes (0,57), mas massa ventricular normal.
  • Frequentemente associado a hipertensão arterial crônica, envelhecimento ou sobrecarga de pressão.

2. Função diastólica do VE

Parâmetros:

  • E = 43 cm/s
  • A = 61 cm/s
  • E/A = 0,7
  • e’ septal = 5 cm/s
  • e’ lateral = 5 cm/s
  • E/e’ = 8,6

Interpretação:

  • Disfunção diastólica grau I (alteração do relaxamento ventricular).
  • Não há aumento das pressões de enchimento.
  • É uma alteração relativamente leve e comum em idosos e hipertensos.

3. Ventrículo direito (alteração mais importante)

Dilatação importante

  • Diâmetro basal = 46 mm
  • Diâmetro médio = 36 mm

O laudo descreve:

“Aumento de grau acentuado”

Ou seja, o ventrículo direito está significativamente dilatado.

Função sistólica do VD

Parâmetros:

TAPSE = 14 mm

  • Normal: >17 mm
  • Reduzido

FAC = 31%

  • Normal: >35%
  • Reduzido

S’ = 12 cm/s

  • Ainda dentro de faixa aceitável

Conclusão:

  • Disfunção sistólica moderada do ventrículo direito.

4. Átrios

Átrio esquerdo

  • Volume 52 ml
  • Índice 28 ml/m²

Normal.

Átrio direito

  • Volume 84 ml
  • Índice 44,8 ml/m²

Importante dilatação.

Isso reforça uma sobrecarga crônica das câmaras direitas.

5. Hipertensão pulmonar

O exame estimou:

PSAP = 61 mmHg

Valores:

  • Normal: <35 mmHg
  • 35–50 mmHg: leve a moderada
  • 60 mmHg: importante

Portanto existe:

Hipertensão pulmonar significativa

O próprio laudo ressalta que o valor pode estar subestimado pela disfunção do VD.

6. Valva tricúspide

Há: Insuficiência tricúspide moderada

Isso é muito comum quando:

  • VD dilata
  • Anel tricúspide aumenta
  • Surge refluxo pela valva

Provavelmente é consequência da hipertensão pulmonar e da dilatação do coração direito.

7. Valva aórtica

Mostra:

  • Espessamento
  • Calcificação
  • Mobilidade discretamente reduzida

Área valvar:

  • 1,6 cm²

Gradiente médio:

  • 8 mmHg

Conclusão: Estenose aórtica discreta (leve)

Não parece ser o principal problema atualmente.

8. Pericárdio

Pequeno derrame pericárdico:

  • cerca de 9 mm

Sem sinais de tamponamento ou restrição.

Alterações importantes

⚠️ Hipertensão pulmonar importante (PSAP ≈ 61 mmHg)

⚠️ Dilatação acentuada do ventrículo direito

⚠️ Dilatação importante do átrio direito

⚠️ Disfunção moderada do ventrículo direito

⚠️ Insuficiência tricúspide moderada

O que esse conjunto sugere?

O padrão é muito sugestivo de uma doença que está sobrecarregando cronicamente o lado direito do coração, como:

  • DPOC avançado
  • Doença pulmonar intersticial
  • Tromboembolismo pulmonar crônico
  • Apneia obstrutiva do sono
  • Hipertensão pulmonar primária
  • Hipertensão pulmonar associada a hepatopatia/cirrose (portopulmonar)
  • Algumas cardiopatias congênitas com shunt

Se você me informar:

  • idade do paciente,
  • sintomas (dispneia, edema, oxigênio),
  • presença de DPOC, cirrose, apneia do sono ou tromboembolismo prévio,

posso ajudar a interpretar qual dessas causas é mais provável neste caso específico.