Manejo da constipação induzida por opioides
Considerações iniciais
A constipação é um dos efeitos adversos mais comuns dos opioides e decorre principalmente da ativação dos receptores μ-opioides no trato gastrointestinal, levando à redução do peristaltismo, aumento da absorção de água e aumento do tônus do esfíncter anal.
Uma revisão sistemática da Cochrane concluiu que:
Já estudos comparando metadona e morfina em dor oncológica sugerem tendência a menor constipação com metadona, mas os resultados são heterogêneos.
De modo geral, todos os opioides podem causar constipação, mas existem diferenças na intensidade.
Qual costuma causar menos constipação?
Entre os opioides convencionais, os que tendem a apresentar menor incidência são:
Já os mais associados à constipação incluem:
O que dizem as diretrizes?
A diretriz da American Gastroenterological Association e a diretriz da European Society for Medical Oncology não estabelecem um único laxativo como superior. Elas recomendam iniciar com:
Na prática, entretanto, muitos especialistas têm preferido o macrogol (PEG) como primeira escolha para uso contínuo.
Uma revisão sistemática da Cochrane concluiu que:
Alternativas terapêuticas
✅ Bisacodil
O bisacodil é um laxativo estimulante. Ele:
Essas contrações explicam as cólicas, principalmente:
✅ Lactulose
Embora seja bastante utilizada, apresenta algumas limitações:
Em idosos e pacientes hospitalizados, isso pode ser um problema importante.
✅ Polietilenoglicol (PEG/macrogol):
Primeira opção
O macrogol costuma ser melhor tolerado não estimula diretamente o intestino;
Por isso, muitos pacientes o toleram muito melhor.
Exemplo:
É provavelmente o laxativo com melhor perfil de eficácia e tolerabilidade.
✅ Se ainda refratário
Se resposta insuficiente
1. Adicionar:
Essa combinação costuma ser mais eficaz do que aumentar muito a dose do bisacodil isoladamente.
2. Considerar um antagonista periférico dos receptores μ-opioides (PAMORA), como:
quando disponíveis e indicados.
Fontes