A classificação BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) foi criada pelo American College of Radiology para padronizar os laudos de mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética das mamas. Ela estima a probabilidade de câncer e orienta a conduta clínica. Ela organiza os resultados de mamografias, ultrassonografias e ressonâncias magnéticas em categorias numéricas para indicar o risco de malignidade e definir a conduta médica ideal.
Tabela de Classificação BI-RADS e Condutas
A escala é dividida em 7 categorias principais (de 0 a 6), associando diretamente o achado visual à probabilidade estatística de câncer de mama:
[
BI-RADS 3: Representa achados com altíssima probabilidade de serem benignos (como um fibroadenoma clássico). A conduta padrão envolve o monitoramento da lesão por exames semestrais durante o primeiro ano e anuais por até 3 anos para comprovar estabilidade. Se permanecer idêntica, a lesão é reclassificada como BI-RADS 2.
BI-RADS 4: Esta categoria demanda investigação histopatológica. Para refinar a suspeita, subdivide-se em 4A (baixa suspeita: 2% a 10%), 4B (moderada suspeita: 10% a 50%) e 4C (alta suspeita: 50% a 95%).
Atualização do Manual: As diretrizes mais recentes do sistema integraram oficialmente novos descritores para lesões não nodulares no ultrassom e consolidaram a mamografia contrastada (CEM) como seção fixa de avaliação complementar para mamas densas.
BI-RADS 0 – Inconclusivo
Exame incompleto.
Necessita avaliação adicional (novas incidências mamográficas, ultrassom ou comparação com exames antigos).
Não permite definir risco de malignidade.
Conduta: realizar exames complementares.
BI-RADS 1 – Negativo
Exame completamente normal.
Não há nódulos, calcificações suspeitas ou distorções.
Risco de câncer: praticamente 0%.
Conduta: rastreamento habitual.
BI-RADS 2 – Achados benignos
Exemplos:
Cistos simples.
Linfonodos intramamários típicos.
Calcificações benignas.
Lipomas.
Risco de câncer: 0%.
Conduta: rastreamento habitual.
BI-RADS 3 – Provavelmente benigno
Achados com aparência muito sugestiva de benignidade, mas que merecem acompanhamento.
Exemplos:
Nódulo oval, circunscrito e estável.
Grupo de microcistos.
Risco de malignidade: < 2%.
Conduta:
Controle radiológico em 6 meses.
Geralmente novo exame em 12 e 24 meses para documentar estabilidade.
BI-RADS 4 – Suspeito
Lesões que não têm características típicas de câncer, mas apresentam suspeição suficiente para indicar biópsia.
BI-RADS 4A
Baixa suspeição.
Risco de malignidade: >2% até 10%.
BI-RADS 4B
Suspeição intermediária.
Risco de malignidade: >10% até 50%.
BI-RADS 4C
Alta suspeição, porém sem características clássicas de malignidade.
Risco de malignidade: >50% até 95%.
Conduta para todo BI-RADS 4: biópsia.
BI-RADS 5 – Altamente sugestivo de malignidade
Características clássicas de câncer:
Nódulo espiculado.
Distorção arquitetural importante.
Microcalcificações pleomórficas agrupadas.
Risco de malignidade: >95%.
Conduta: biópsia e encaminhamento para avaliação oncológica.
BI-RADS 6 – Câncer conhecido
O diagnóstico histológico já foi confirmado por biópsia.
A classificação é utilizada em exames realizados antes do tratamento definitivo.
Risco de malignidade: 100% (já comprovado).
Conduta: planejamento terapêutico.