Classificação de Ambler (enzimas de resistência para antimicrobianos)
Considerações iniciais
A classificação de Ambler é o sistema mais utilizado no mundo para classificar as β-lactamases, ou seja, as enzimas produzidas pelas bactérias que destroem antibióticos β-lactâmicos (penicilinas, cefalosporinas, monobactâmicos e carbapenêmicos).
Foi proposta em 1980 pelo microbiologista britânico Richard P. Ambler e não classifica as bactérias, mas sim as enzimas de resistência.
Classificaçao
A classificação é baseada na estrutura molecular da enzima, especialmente na sequência de aminoácidos, e divide as β-lactamases em quatro classes: A, B, C e D.
Classe A
Essas enzimas possuem serina no sítio ativo.
São inibidas por:
Exemplos:
A KPC é a carbapenemase mais importante dessa classe.
Tratamento
Normalmente responde a:
Classe B
São as famosas metalo-β-lactamases (MBL).
Não utilizam serina.
Utilizam zinco para destruir o antibiótico.
Exemplos:
Essas enzimas são muito mais difíceis de tratar. O avibactam não funciona contra elas.
Tratamento
Classe C
Correspondem às enzimas AmpC.
São produzidas por bactérias como:
Essas bactérias podem inicialmente parecer sensíveis às cefalosporinas de terceira geração, mas durante o tratamento induzem produção intensa de AmpC e tornam-se resistentes.
Tratamento
Frequentemente:
Classe D
São as oxacilinases.
A principal é:
Também são comuns em:
Tratamento
A OXA-48 costuma responder a:
Como memorizar
Uma forma simples de decorar é:
Importância prática
Na prática clínica, quando o laboratório informa:
Portanto, conhecer a classe de Ambler permite prever quais antibióticos ou inibidores de β-lactamase provavelmente serão eficazes antes mesmo da interpretação completa do antibiograma.
Fontes
AMBLER, R. P. The structure of β-lactamases. Philosophical Transactions of the Royal Society of London. Series B, Biological Sciences, v. 289, n. 1036, p. 321-331, 1980. DOI: 10.1098/rstb.1980.0049.
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