Causas de Dissociação albuminocitológica no liquor 

Considerações iniciais

A dissociação albuminocitológica no líquor — proteína elevada com celularidade normal ou muito baixa — é classicamente associada à síndrome de Guillain-Barré (SGB), mas não é específica.

 

🧠 O ponto mais importante: pensar primeiro no GBS

Se o paciente apresenta: fraqueza progressiva + arreflexia/hiporreflexia + evolução aguda/subaguda + proteína elevada com poucas ou nenhuma célula, a SGB é uma das primeiras hipóteses.

Porém, o momento da punção é importante. Na primeira semana da SGB, o líquor pode ainda ter proteína normal. A dissociação tende a ficar mais evidente após a primeira semana. Além disso, uma discreta pleocitose não exclui completamente GBS, mas uma celularidade significativamente elevada deve fazer procurar outra causa.

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Um detalhe muito importante

A interpretação depende do valor absoluto da proteína e da idade.

Classificação:

  • proteína discretamente elevada → pode ser inespecífica, especialmente em idosos;
  • proteína muito elevada com poucas células → pensar em GBS/CIDP ou bloqueio espinhal;
  • proteína extremamente elevada, principalmente com xantocromia, → pensar em síndrome de Froin/bloqueio liquórico;
  • proteína elevada + muitas células → já não é a clássica dissociação albuminocitológica e deve-se investigar infecção, neoplasia, inflamação etc.

 

⚠️   Xantocromia é a coloração amarelada, alaranjada ou rosada do líquor (LCR) depois que ele é centrifugado. Ela indica que existem pigmentos no líquor, principalmente produtos da degradação da hemoglobina.

 

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Bloqueio do fluxo do líquor

Porque o bloqueio do fluxo do líquor faz com que proteínas se acumulem no compartimento liquórico abaixo do ponto de obstrução. O exemplo clássico é a síndrome de Froin. Imagine o espaço subaracnoideo como um sistema em que o líquor circula continuamente: Produção → circulação → reabsorção

Quando existe uma obstrução importante, por exemplo por tumor, estenose, hérnia, abscesso ou processo inflamatório, o segmento abaixo da obstrução fica relativamente isolado do restante do sistema.

Isso produz alguns fenômenos:

  1. O líquor fica "estagnado" abaixo da obstrução.
  2. Há extravasamento de proteínas dos vasos e das estruturas nervosas para o líquor.
  3. Como aquele líquor tem pouca renovação, as proteínas não são rapidamente removidas/diluídas.
  4. Consequentemente, a concentração de proteína pode ficar muito alta.

Por isso podemos encontrar algo aparentemente paradoxal: Proteína muito alta + poucas células. Na síndrome de Froin, a proteína pode atingir valores de centenas ou até milhares de mg/dL

Além da estase, a obstrução pode causar congestão venosa e aumento da permeabilidade vascular, contribuindo ainda mais para a entrada de proteínas no líquor. Quando a concentração proteica fica extremamente elevada, o líquor pode adquirir aspecto xantocrômico e, em casos importantes, pode até coagular espontaneamente após a coleta. → Nessa situação, uma RM de coluna com contraste pode ser fundamental para procurar a causa da obstrução.

Fontes

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