Anticoagulação no Acidente Vascular Encefálico Isquêmico
Considerações iniciais
Não se recomenda anticoagulação rotineira apenas porque o paciente tem AVC isquêmico e fração de ejeção de 45%, se não houver fibrilação atrial, trombo intracardíaco ou outra fonte cardioembólica definida.
Uma FE de 45% caracteriza insuficiência cardíaca com fração levemente reduzida (HFmrEF), mas não é, por si só, indicação de anticoagulação. Estudos clássicos em insuficiência cardíaca em ritmo sinusal (como WARCEF e COMMANDER-HF) não demonstraram benefício líquido suficiente para indicar anticoagulação rotineira, devido ao aumento do risco de sangramento.
Quando anticoagular após um AVC isquêmico?
E se o AVC parecer cardioembólico, mas não há FA?
Esse é o cenário mais difícil. Atualmente, muitos desses pacientes são classificados como ESUS (Embolic Stroke of Undetermined Source). As recomendações mais recentes são:
As diretrizes europeias e consensos recentes afirmam que a anticoagulação empírica não deve ser usada rotineiramente em pacientes com ESUS sem FA documentada.
Exemplo, em um caso específico com FE 45% + AVC isquêmico novo + sem FA
A conduta habitual seria:
Exceção importante
Se o ecocardiograma mostrar:
A anticoagulação passa a ser indicada independentemente da presença de FA.
O que é ESUS?
O manejo do ESUS (Embolic Stroke of Undetermined Source) mudou bastante nos últimos anos porque os grandes estudos não mostraram benefício da anticoagulação empírica. ESUS é um subtipo de AVC isquêmico não lacunar em que:
Exemplos:
Tratamento antitrombótico atual
Primeira escolha: antiagregação
Geralmente:
ou
Anticoagulação rotineira NÃO recomendada
Os estudos: NAVIGATE ESUS e RE-SPECT ESUS não demonstraram superioridade dos anticoagulantes sobre a aspirina na população ESUS global, mas mostraram maior risco de sangramento. Por isso, atualmente não se anticoagula empiricamente todo paciente com ESUS.
Investigação obrigatória
1. Procurar fibrilação atrial oculta
Esse é o principal objetivo.
Idealmente:
Em casos selecionados:
Muitos pacientes inicialmente classificados como ESUS acabam recebendo diagnóstico posterior de FA.
2. Ecocardiograma
Preferencialmente:
Pesquisar:
3. Pesquisa de doença aterosclerótica
Avaliar:
4. Estados pró-trombóticos
Principalmente quando:
Pesquisar conforme o contexto:
Situações especiais
Forame oval patente (FOP)
Em pacientes selecionados:
Pode haver benefício do fechamento percutâneo.
Miocardiopatia
Em pacientes com:
há pesquisas em andamento sobre anticoagulação, mas ainda não existe recomendação rotineira.
Fontes