Tratamento da Artrite reumatóide
Considerações iniciais
O tratamento da artrite reumatoide (AR) é contínuo, individualizado e em etapas, com o objetivo de controlar a inflamação, aliviar sintomas, prevenir dano articular e manter qualidade de vida. O princípio central é o tratamento precoce e agressivo (“treat to target”), buscando remissão ou baixa atividade da doença.
🎯 Objetivos do tratamento
🧩 Estratégia geral (Treat to Target)
I. DMARDs sintéticos convencionais (primeira linha)
a) Hidroxicloroquina (HCQ)
É um dos DMARDs sintéticos convencionais (csDMARDs) de primeira linha no tratamento da artrite reumatoide (AR), especialmente em pacientes com doença leve, como parte de terapia combinada com metotrexato ou quando há contraindicação ao metotrexato. Atualmente, as recomendações da American College of Rheumatology e da European Alliance of Associations for Rheumatology orientam seu uso nas seguintes situações.
Quando usar hidroxicloroquina?
1. Artrite reumatoide inicial de baixa atividade
Pode ser utilizada em monoterapia quando:
2. Terapia combinada
Muito utilizada com:
A terapia tripla pode ter eficácia semelhante à combinação de metotrexato com alguns imunobiológicos em determinados pacientes, com menor custo.
3. Quando evitar imunossupressão intensa
É uma boa opção em pacientes com:
Dose
A recomendação atual é baseada no peso corporal real. Dose habitual : 200 mg por via oral uma ou duas vezes ao dia. Total diário: 200–400 mg/dia
Dose máxima recomendada :
A principal recomendação atual é: ≤5 mg/kg/dia (peso corporal real)
Essa limitação reduz significativamente o risco de retinopatia.
b) Metotrexato (MTX) – padrão ouro
Dose inicial: 10–15 mg/semana, podendo aumentar até 25 mg/semana
Associar ácido fólico (5 mg/semana ou 1 mg/dia)
Monitorar: TGO/TGP, hemograma, creatinina
Contraindicações: gravidez, hepatopatia grave, alcoolismo
1️⃣ Avaliar MTX quanto ao tempo de uso e dose adequados
Antes de dizer que o MTX falhou, confirmar:
📌 Se isso não foi feito → otimizar MTX, não trocar ainda. Caso já tenha sido, passar para outro esquema.
2️⃣ Critérios de falha terapêutica
Indicar mudança se houver:
3️⃣ Intolerância ou contraindicação ao MTX
Troca imediata se:
II. O QUE FAZER APÓS FALHA DO METOTREXATO
Existem 3 estratégias válidas, e a escolha depende do perfil do paciente.
🧩 OPÇÃO 1 — COMBINAR DMARDs CONVENCIONAIS
(“Terapia tripla”): Metotrexato + Sulfassalazina + Hidroxicloroquina
📌 Terapia combinada é comum se resposta inadequada ao MTX isolado. Indicado quando:
📌 Eficácia próxima aos biológicos em alguns estudos.
Alternativas ou associações:
🧬 OPÇÃO 2 — ASSOCIAR DMARD BIOLÓGICO
(Manter MTX se possível)
Indicações preferenciais:
💊 DMARDs biológicos
Indicados se falha ao MTX (isolado ou combinado).
Classes:
- Anti-TNF: adalimumabe, etanercepte, infliximabe
- Anti-IL-6: tocilizumabe
- Anti-CD20: rituximabe
- Modulador coestimulação T: abatacepte
📌 Sempre excluir tuberculose latente e hepatites antes de iniciar.
COMO ESCOLHER O BIOLÓGICO?
🔹 Anti-TNF ( Adalimumabe, Etanercepte, Infliximabe) - primeira escolha mais comum)
Preferir se:
🔹 Anti-IL-6 (Tocilizumabe)
Excelente em:
Pode ser monoterapia
🔹 Modulador Seletivo da Coestimulação de Células T (Abatacepte)
Bom perfil de segurança
Preferir em:
🔹 Antiantígeno CD20 (Rituximabe)
Preferir em:
🧪 OPÇÃO 3 — JAK INIBIDORES (Tofacitinibe, Baricitinibe, Upadacitinibe)
💊 DMARDs inibidores JAK
Usados após falha de DMARD convencional/biológico.
⚠️ Atenção a risco trombótico, cardiovascular e infeccioso.
Quando escolher:
⚠️ Evitar ou usar com cautela se:
🔥 Corticoides (terapia ponte)
Usados temporariamente, até o DMARD fazer efeito:
Prednisona ≤ 10 mg/dia
Infiltrações intra-articulares quando indicado
⚠️ Evitar uso crônico (osteoporose, diabetes, infecção)
🩺 Tratamento não farmacológico
Educação do paciente
Fisioterapia e terapia ocupacional
Exercícios regulares
Cessar tabagismo
Controle de comorbidades (osteoporose, DCV)
🦴 Cirurgia
Indicada em casos selecionados:
Deformidades graves
Dor refratária
Perda funcional importante
📅 Monitorização
Avaliar atividade da doença a cada 3 meses
Exames laboratoriais periódicos
Ajuste terapêutico conforme resposta
Fontes
https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2020/relatrio_artrite_reumatoide_cp_21_2020.pdf
https://aps-repo.bvs.br/aps/quais-as-etapas-para-tratamento-da-artrite-reumatoide/
SMOLEN, Josef S. et al. EULAR recommendations for the management of rheumatoid arthritis with synthetic and biological disease-modifying antirheumatic drugs: 2019 update. Annals of the Rheumatic Diseases, Londres, v. 79, n. 6, p. 685–699, 2020. DOI: 10.1136/annrheumdis-2019-216655.
SMOLEN, Josef S. et al. EULAR recommendations for the management of rheumatoid arthritis with disease-modifying antirheumatic drugs: 2022 update. Annals of the Rheumatic Diseases, Londres, v. 82, n. 1, p. 3–18, 2023. DOI: 10.1136/ard-2022-223214.
FRAENKEL, Liana et al. 2021 American College of Rheumatology guideline for the treatment of rheumatoid arthritis. Arthritis Care & Research, Hoboken, v. 73, n. 7, p. 924–939, 2021. DOI: 10.1002/acr.24596.
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Reumatoide. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.