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LARINGITE AGUDA- TRATAMENTO

 

Considerações iniciais

A laringite aguda é uma inflamação súbita da laringe, estrutura onde ficam as cordas vocais, e que nas crianças geralmente envolve também a região subglótica. Por isso, no contexto pediátrico, ela é mais conhecida como crupe. Doença geralmente viral, autolimitada, que causa edema da laringe e da subglote, levando a  estreitamento das vias aéreas superiores.

Causas mais comuns

  • Vírus Parainfluenza (principal)
  • Influenza A e B
  • Vírus sincicial respiratório (VSR)
  • Adenovírus
  • Metapneumovírus
  •  Bacteriana é rara (ex.: laringotraqueíte bacteriana).

 

👶 Quem acomete

Mais comum em crianças de 6 meses a 6 anos

Pico entre 1–3 anos

Mais frequente à noite e no outono/inverno

 

🩺 Gravidade variável

O tratamento da laringite aguda (crupe) em crianças é basicamente de suporte + corticoide, com adrenalina inalatoria nos casos moderados a graves. O manejo depende da gravidade do quadro.

Leve: estridor apenas ao choro

Moderada: estridor em repouso

Grave: estridor intenso, retrações importantes, cianose ou fadiga

Tratamento da Laringite Aguda (Crupe)

🟢 Crupe leve (estridor apenas ao chorar, sem desconforto respiratório)

1. Medidas gerais:

  • Manter a criança calma (choro piora o estridor)
  • Hidratação oral

2. Corticoide (sempre indicado):

  • Dexametasona 0,15–0,6 mg/kg VO (dose única, máx. 10 mg)

📌 Alta após observação, se estável.

 

🟡 Crupe moderado (estridor em repouso, retrações leves a moderadas, sem exaustão)

  • Oxigênio se SatO₂ < 92%
  • Dexametasona 0,6 mg/kg VO/IM/IV (dose única)
  • Adrenalina nebulizada:

                   Adrenalina 1:1000 → 0,5 mL/kg (máx. 5 mL) por nebulização

  • Observação por 2–4 horas (risco de rebote)

📌 Internar se precisar de doses repetidas.

 

🔴 Crupe grave (estridor intenso em repouso, retrações importantes, agitação ou letargia)

  • Monitorização contínua
  • Oxigênio suplementar
  • Adrenalina nebulizada imediata
  • Corticoide sistêmico
  • Acesso venoso
  • Avaliar UTI pediátrica

⚠️ Preparar via aérea se sinais de falência respiratória.

💊 Alternativas ao corticoide oral

- Budesonida inalatoria 2 mg, se vômitos ou impossibilidade de VO (pode ser associada à dexametasona em casos graves)

ARSENAL TERAPÊUTICO

ADRENALINA

A adrenalina (epinefrina) é um estimulante potente de receptores a- e b-adrenérgicos, tem sido aplicada, através da via inalatória, em crianças com obstrução aguda das vias aéreas, causada por processos inflamatórios, tais como laringotraqueobronquite (crupe) e bronquiolite. Acredita-se que os benefícios clínicos da adrenalina no tratamento da obstrução aguda das vias aéreas resultem dos seguintes efeitos farmacológicos: redução das secreções respiratórias e do edema da mucosa respiratória (efeitos a-adrenérgicos), relaxamento do músculo liso das vias aéreas e inibição do processo inflamatório (efeitos b-adrenérgicos).Os benefícios da adrenalina por via inalatória foram bem confirmados em crianças com laringotraqueobronquite. 

DOSE

Nebulização com

-Adrenalina racêmica 2,25%, 0,5 ml diluída em 2-3 ml de soro fisiológico, OU

-Adrenalina comum (1:1000), 3 a 5 ml. 0,5 mL/kg
👉 Dose máxima: 5 mL

 

No Brasil, está disponível somente a adrenalina comum.  Na maioria das vezes, as menores doses são recomendadas, variando de 0,5 a 3 ml de adrenalina, diluída em 2 ml de soro fisiológico.

Porém, a eficácia da nebulização com adrenalina em menores doses ainda não foi avaliada adequadamente em crianças com laringotraqueobronquite.

EFEITOS COLATERAIS

Os potenciais efeitos colaterais da adrenalina, tais como taquicardia, hipertensão, arritmia e palidez, são as principais preocupações do uso da adrenalina. 

 

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CORTICOSTERÓIDES

Atua diminuindo significativamente a taxa e o tempo de internação, o retorno ao DE, a necessidade de intubação endotraqueal e a internação em Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP).

Dexametasona IM na dose de 0,6 mg/kg

Dexametasona VO, 0,15 e 0,3 mg/kg VO são igualmente eficazes e, inclusive, a dose mais baixa de 0,15 mg/kg tem sido aceita e implementada em alguns centros. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda o uso de dexametasona por ser um potente glicocorticoide e ter longo período de ação (superior a 48 horas). A SBP ressalta que a dexametasona pode ser administrada tanto por VO quanto parenteral em dose única, variando de 0,15 mg/kg (no caso de laringite leve) até 0,6 mg/kg (laringite grave).

Prednisolona - dose de 1,0 mg/kg VO 

Budesonida inalatório 2 mg (se VO não for possível)

 

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❌ O que NÃO é indicado rotineiramente

  • Antibióticos (laringite na maioria é viral)
  • Anti-histamínicos
  • Broncodilatadores (salbutamol)
  • Sedativos
  • Umidificação fria isolada como tratamento

FONTES

https://www.scielo.br/j/jped/a/ZBk7X9JSXVF76fxP8v65cyK/?lang=pt#:~:text=Acredita%2Dse%20que%20os%20benef%C3%ADcios,a%C3%A9reas%20e%20inibi%C3%A7%C3%A3o%20do%20processo

PARKER, C. M.; COOPER, M. N. Prednisolone Versus Dexamethasone for Croup: a Randomized Controlled Trial. Pediatrics, v.144, n.3, p.e20183772, 2019;
https://pebmed.com.br/laringite-qual-corticoide-e-mais-eficaz-no-tratamento/?utm_source=artigoportal