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Hipodermóclise 

Considerações iniciais

Hipodermóclise é a infusão de líquidos no tecido subcutâneo (abaixo da pele). O líquido é absorvido lentamente para a circulação por difusão e perfusão tecidual. É uma alternativa à via intravenosa para hidratação e, em alguns casos, para administração de medicamentos, especialmente em idosos e cuidados paliativos.

 

Quando é indicada

Indicada principalmente para desidratação leve a moderada, quando há:

  • Ingesta oral insuficiente
  • Vômitos, diarreia ou uso de diuréticos
  • Acesso venoso difícil
  • Sonolência, confusão, agitação
  • Hipertermia
  • Dificuldade com nutrição enteral/parenteral
  • Também é usada no fim de vida para conforto (hidratação, analgésicos, ansiolíticos).

 

Vantagens

  • Baixo custo
  • Mais confortável que a via IV
  • Menor risco de sobrecarga volêmica e edema pulmonar
  • Inserção simples
  • Fácil troca de sítio
  • Adequada para domicílio
  • Menor necessidade de hospitalização
  • Não causa tromboflebite
  • Baixa associação com sepse

 

Desvantagens

  • Infusão lenta (≈ 1 mL/min)
  • Volume máximo em 24 h: até 3000 mL (em dois sítios)
  • Limitações para eletrólitos
  • Não indicada para soluções hipertônicas ou suplementos nutricionais
  • Edema local é comum
  • Pode haver reações locais

 

Locais de punção

  • Parede lateral do abdome (mais comum)
  • Região subclavicular
  • Lateral da coxa
  • Região interescapular

Pode ser necessário usar dois sítios.

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Materiais

  • Cateter subcutâneo (jelco 22–24G ou agulha tipo scalp 23–25G)
  • Equipo de soro (preferencialmente macro)
  • Solução prescrita (SF 0,9%, SG 5%, Ringer lactato)
  • Antisséptico (clorexidina alcoólica ou PVPI alcoólico)
  • Luvas de procedimento
  • Gazes estéreis
  • Curativo transparente estéril
  • Fita adesiva
  • Bomba de infusão (opcional)
  • Seringa com SF 0,9% para flush

 

Soluções

  • Soluções isotônicas (com ou sem glicose)
  • Eletrólitos não vesicantes (com ou sem lactato)
  • Pode adicionar KCl 20–40 mmol/L
  • Não usar glicose 5% ou 10% isoladas

 

Hialuronidase

Facilita absorção e dispersão

Pode causar hipersensibilidade → testar previamente

Quando usada, pode-se administrar 150 UI de hialuronidase em bolus lento (~1 min)

 

Medicamentos possíveis (exemplos)

  • Morfina
  • Haloperidol
  • Clorpromazina
  • Insulina
  • Cloreto de potássio
  • Aminofilina
  • Fenobarbital
  • Metoclopramida
  • Hidrocortisona
  • Penicilinas
  • Estreptomicinas
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Escolha do sítio de punção

Locais preferenciais (com tecido subcutâneo preservado):

  • Região infraclavicular
  • Flancos abdominais
  • Região anterolateral das coxas
  • Região escapular ou subescapular
  • Região deltóidea (menos utilizada)

 

➡️ Evitar áreas com:

  • Edema
  • Inflamação
  • Lesões cutâneas
  • Cicatrizes extensas
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Preparo do paciente

  • Explicar o procedimento ao paciente e/ou familiar
  • Posicionar confortavelmente
  • Expor o local de punção
  • Higienizar as mãos
  • Calçar luvas de procedimento

Antissepsia

  • Realizar antissepsia ampla da pele
  • Aguardar secagem completa do antisséptico

 Punção subcutânea

  • Introduzir o cateter com ângulo de aproximadamente 30–45°
  • Direcionar a agulha paralelamente à pele
  • Avançar até atingir o tecido subcutâneo
  • Retirar o mandril (no caso de jelco), mantendo apenas o cateter
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Teste de posicionamento

  • Realizar flush com 1–2 mL de SF 0,9%
  • Confirmar:
  • Ausência de dor intensa
  • Ausência de refluxo sanguíneo
  • Formação discreta de pápula local (esperada)

Fixação

  • Fixar o cateter com curativo estéril transparente
  • Evitar compressão excessiva
  • Identificar o curativo com data e hora da punção

Conexão da infusão

  • Conectar o equipo à solução prescrita
  • Velocidade usual: 20–80 mL/h por sítio
  • Máximo habitual: 1.000 a 1.500 mL por sítio/dia
  • Pode-se utilizar dois sítios simultaneamente, se necessário
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Troca do sítio

Recomenda-se troca a cada 72 horas ou antes se houver:

  • Dor
  • Endurecimento
  • Eritema
  • Extravasamento significativo

 

Contraindicações

  • Emergências
  • Desidratação grave / choque
  • Hipotensão importante
  • IC grave
  • IAM
  • Edema generalizado
  • Infecção cutânea no local
  • Na > 150 mEq/L
  • Osmolaridade > 300 mOsm/kg
  • Coagulopatia
  • Excesso de volume

 

Eventos adversos

  • Hipersensibilidade (hialuronidase)
  • Punção venosa inadvertida
  • Sobrecarga volêmica
  • Distúrbios hidroeletrolíticos

 

Complicações locais

  • Edema
  • Eritema
  • Extravasamento
  • Dor local
  • Sangramento
  • Celulite
  • Infecção (rara)

Fontes

https://portal.coren-sp.gov.br/sites/default/files/Hipodermoclise.pdf

https://artmed.com.br/artigos/hipodermoclise-indicacoes-tecnicas-de-insercao-e-cuidados-de-enfermagem

https://revistas.cff.org.br/infarma/article/view/3180

https://med.estrategia.com/portal/conteudos-gratis/procedimentos/resumo-sobre-hipodermoclise-definicao-indicacoes-e-mais/

https://ippmg.ufrj.br/wp-content/uploads/2023/02/POP_58_-_Hipodermoclise_em_Pediatria.pdf